Região
Negro banto no Litoral Norte: permanências e mutações
Caraguatatuba
Um caso de amor e fé
As 'relíquias' de Caraguatatuba
Fundacc e o Circuito Cultural Paulista apresentam “Parangolés”,
neste sábado (22) às 16h00 na Praça Candido Mota.
Fundacc e Circuito Cultural Paulista apresentam “Palhaços, a Boa e
Velha Gargalhada ”, neste domingo (23) às 16h00 no Teatro Mário
Covas.
Programa Venda Melhor “Natal”
Dia Consciência Negra é feriado municipal em Caraguá
Futebol feminino de Caraguá conquista título
Ilhabela
A exuberante praia do Bonete!
Aprendendo a transformar bambu em arte
Congresso UMES em Ilhabela
Vereadores aprovam PL 99/2008 com duas emendas
São Sebastião
Relíquia arquitetônica e histórica de São Sebastião
Prefeito anuncia projeto de subsídio do transporte coletivo para
reduzir tarifas e ampliar isenções
Ubatuba
Caçandoca: Um 'refúgio' especial
Ciclistas pedalam de São Paulo até Ubatuba neste feriado
Seções
Poesia
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Foto do Dia

Negro banto no
Litoral Norte: permanências e
mutações
No período escravocrata, o negro banto era o
preferido dentre os prisioneiros trazidos das diversas nações
africanas, já que eram excelentes agricultores, com experiência no
cultivo do café e da cana-de-açúcar. A saga e a influência desses
negros na formação sócio-cultural do Brasil é mostrada em
documentário produzido pela Ong Acubalin, de Caraguatatuba.
Bruna Vieira
Litoral Norte
- A cultura banto teve origem em países da região centro ocidental
do Continente Africano como Angola, Congo, Gabão, Zaire e
Moçambique. Uma de suas grandes características é o sentimento de
unidade, irmandade e vida em plenitude, e nunca o de separação e
morte. Nada os separa com facilidade; nem a própria morte natural é
tida como separação. O próprio sistema de ensino dá ênfase aos
sentimentos de incorporação e acolhimento. Sua cultura é, também,
caracterizada pelo espírito agrário e religioso que protege e
defende a vida humana em todos os sentidos.
Os negros afrodescendentes da cultura banto, que vivem no Litoral
Norte Paulista, são retratados no documentário "Cultura bantu:
permanências e mutações (Nkici na diáspora: raízes religiosas bantu)",
que foi lançado no final de 2007 na Universidade de São Paulo (USP).
A iniciativa é da Acubalin (Associação de Cultura Bantu no Litoral
Norte), uma Organização Não-Governamental sediada em Caraguatatuba,
na tentativa de resgatar a influência banto (sobretudo angolana), na
formação cultural do Brasil.
Para editar o documentário de 33 minutos, Janaina Figueiredo,
historiadora da Acubalin, revela que foi necessário estabelecer um
paralelo histórico-cultural entre as tradições do norte de Angola
(filmadas em julho de 2005) e as tradições rememoradas nos terreiros
de Candomblé e nas danças tradicionais no Litoral Norte de São
Paulo.
"Pensar o Estado de São Paulo, sobretudo o Litoral Norte, significa
quebrar estereótipos que negam a presença negra em outras regiões
fora dos estados nordestinos. É nesse sentido que o documentário se
apresenta como um dos primeiros trabalhos voltados à
particularização das raízes africanas (banto) no nosso estado",
afirma a historiadora.
A cultura caiçara no Litoral Norte preserva diversas manifestações
africanas. A memória do negro caiçara se mantém por meio das
congadas de Ilhabela e São Sebastião, do moçambique em
Caraguatatuba, nos grupos de capoeira, nos terreiros de Candomblé,
na memória oral dos negros antigos, na fabricação de panelas de
barro (com influência banto), no bairro São Francisco, nos mitos e
lendas de Guaecá e Boiçucanga, em São Sebastião, nos quilombos da
Caçandoca e Camburi, em Ubatuba, na dança do jongo, entre outros.
As comunidades remanescentes quilombolas em Ubatuba, formadas, em
sua maioria, por negros banto, reúnem em média cerca de 50 famílias.
Embrenhados nas matas virgens, os quilombos (local de refúgio dos
escravos no período colonial) se transformaram em prósperas aldeias
que se dedicaram à economia de subsistência. Representavam uma das
principais formas de resistência à escravidão.
O Quilombo da Caçandoca foi reconhecido pelo Itesp (Fundação
Instituto de Terras) do Estado de São Paulo, em laudo antropológico,
em 2000, assim com ocorreu com Camburi em 2005. A origem das duas
comunidades ultrapassa os 150 anos.
"Todos estes elementos do negro aparecem no documentário, que é
itinerante. Fizemos lançamento em São Paulo (em institutos e
universidades) e em Caraguatatuba. Dia 16 de novembro estaremos
fazendo o lançamento na Oficina Mazaropi na capital e no dia 23, em
Taubaté, á convite da Prefeitura. O público-alvo são educadores e
alunos, em cumprimento à Lei 10.639/03, que obriga a inclusão do
ensino de história da África e das Culturas Afro-Brasileiras na
grade curricular de escolas públicas e privadas. Pretendemos,
inscrever o documentário em festivais de cinema nacionais e
internacionais", afirma a historiadora.
Rotas da escravidão
Dentre as demais culturas negras, o banto predomina no Litoral Norte
e no Vale do Paraíba. Segundo Janaina, os negros banto desembarcavam
nos portos de Ubatuba e São Sebastião, no século XVII, para
trabalhar com cana-de-açúcar. Com a decadência das plantações de
cana, os negros foram levados para Minas Gerais na busca ouro. Os
vestígios destas rotas utilizadas por eles estão sendo demarcadas
dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, no Núcleo Caraguatatuba.
"Com o desenvolvimento do café, no século XIX, uma nova leva de
negros, predominante banto, chegou ao litoral. O Sítio Arqueológico
no bairro São Francisco, em São Sebastião, revela vestígios e
artefatos arqueológicos do funcionamento de um mercado ilegal de
tráfico de escravos", explica Janaina Figueiredo.
Cultura Banto
No livro "Bantos, Malês e Identidade Negra", de Nei Lopes, consta
que a identidade do negro no Brasil, principalmente o negro banto,
foi predominante no Rio de Janeiro em grande número e um pouco em
Recife, Espírito Santo e São Paulo. Ao contrário do que muitos
pensam o negro Banto não desembarcou na Bahia. Muitos navios vindos
de Angola e Moçambique traziam escravos banto diretamente para o Rio
de Janeiro, na época, o maior porto do mundo em escambo (mercado de
escravos).
O negro escravizado, sofrido, teve dificuldade em cultuar suas
tradições, motivo pelo qual, sua visão de mundo foi re-elaborada num
novo contexto e transmitida oralmente, de pai para filho.
O sistema escravocrata não apenas transformava os negros em
mercadorias, mas inferiorizava a cultura africana, ocasionando
interpretações tortuosas do culto. Para dificultar, muito da
tradição foi sincretizada e deturpada pelos senhores de escravos.
Segundo o escritor: "grande parte da cultura banto e de seu acervo
foram destruídos quando o então ministro Rui Barbosa queimou as
obras escritas pelos Apelegis (sacerdotes) da cultura banto. Essa
postura revela discriminação com relação ao negro e que ainda nos
dias atuais é criticada pelos herdeiros de outras nações de
candomblé".
Acubalin
A ONG divulga a cultura da paz, combatendo todas as formas de
discriminação racial a partir de ações educativas. Apóia projetos de
valorização dos terreiros, pois os consideram espaços de preservação
do patrimônio cultural africano e afro-descendente; desenvolve
trabalhos de danças populares no Litoral Norte (como o jongo) e
ações educativas (projeto África na escola: memória, identidade e
educação) com os professores e alunos das escolas municipais.
Por meio da promoção da cultura da não violência, a Acubalin ajuda a
combater a intolerância religiosa e o racismo, com a organização de
eventos como fóruns regionais de mobilização da mulher, encontros de
capoeira, semanas de afro-descendência, oficinas de africanidade,
entre outros. Tais eventos contribuem com a luta contra a violência
social, política, religiosa, física e mental.
"Mas não paramos por aqui. Dentre as ações políticas que
desenvolvemos, estão as oficinas de história da África e culturas
afro-brasileiras nas escolas públicas e privadas, em cumprimento à
lei 10.639; o tombamento dos terreiros de candomblé do Litoral Norte
e o reconhecimento das terras dos quilombos de Ubatuba". Segundo
Janaina, a partir do momento em que as pessoas conhecem a cultura
banto, não há discriminação, mas assimilação.
Serviço
A Acubalin está localizada na Travessa Dois da Avenida do Perequê
Mirim, 223, Caraguatatuba – SP. Telefone: (12) 3887.4752, e-mail:
acubalin@acubalin.org.br
ou www.acubalin.org.br.
O negro banto influenciou a cultura brasileira em diversos aspectos,
tais como: mitologia, religião, culinária, língua, dança e ritmos.
Contribuiu na formação do ritual folclórico brasileiro, com o congo
de ouro, contada (que lembra a rainha Ginga de Angola), o maculelê,
a capoeira, o maracatu, o samba e artesanato
Na cultura banto, um indivíduo sem a comunidade, separado dos outros
ou que exclui os demais, transforma-se em um "ser" sem vitalidade. A
pessoa, na cultura banto, sempre se afirma a partir da comunidade:
"pertenço, logo sou". Daí o grande princípio banto: "eu sou por que
vós sois, e porque vós sois, eu sou".
"O Dia 13 de Maio foi instituído no Brasil e não conquistado.
Representa a libertação dos escravos (ocorrida em 1888) e isto é o
que está no imaginário das pessoas. Falar de negro com este
referencial da escravidão, não é positivo. Este é um momento de
reflexão e não de comemoração. Reflexão sobre a exclusão do negro na
sociedade, do preconceito com a religiosidade, das manifestações
culturais...", da historiadora Janaina de Figueiredo.
Um caso de amor e fé
A estreita relação de Caraguá com seu padroeiro,
Santo Antônio, está presente no dia-a-dia da cidade, na cultura e em
marcos históricos
Por Bruna Vieira
Caraguatatuba
- Caraguatatuba é uma das raras cidades brasileiras a aprovar uma
lei municipal em homenagem a seu padroeiro. Nesse caso, a cidade
passou a dedicar, a partir de 2003, o mês de junho a Santo Antônio.
Esta relação de afeto tem raízes históricas. A então Vila de Santo
Antônio de Caraguatatuba nasceu em 1664, no entorno de uma capela
dedicada ao santo. A devoção do povo caiçara por seu padroeiro
cresceu com o passar dos anos e a festa de Santo Antônio de
Caraguatatuba se consolidou como uma das mais prestigiadas e
tradicionais da região. Anualmente, a peregrinação da imagem de
Santo Antônio dá início à festa litúrgica que culmina no dia 13 de
junho, Dia do Padroeiro. Nesse mesmo dia, ocorrem o casamento
comunitário, procissão e missa de benção aos pães, celebrada pelo
bispo diocesano na Igreja Matriz.
Além do cunho religioso, é uma festa cultural e histórica, que já
contou com concursos de trovas, apresentações de esquetes teatrais,
além de procissão marítima entre as praias de Massaguaçu e
Camaroeiro. Já se criou, inclusive, material literário sobre o tema,
como o livreto Lendas de Santo Antonio, com histórias populares do
santo na região, além do livro Santo Antônio de Caraguatatuba,
Memória e Tradição de um Povo (2000), de autoria do escritor
Jurandir Ferraz de Campos.
Uma das edificações mais antigas da cidade é a Igreja Matriz, na
Praça Cândido Motta, que homenageia Santo Antônio. Datada do século
XVII, recebeu várias reformas, sendo a maior a de 1949, quando foram
acrescentadas a cúpula do sino e reforma da lateral da igreja.
Para os enamorados, Caraguá de Santo Antônio é ótimo local para
conviver e consolidar uma paixão: para os noivos, é ideal para pedir
benções ao casamento "prestes a acontecer"; aos recém-casados,
perfeito para a lua-de-mel; para os casados, bem propício para
estimular o convívio e propiciar paz e reflexão. E para quem quer um
namorado, é o lugar ideal para fazer o pedido a Santo Antônio
Vista panorâmica
O principal mirante da cidade também leva o nome do santo. Com 373
metros de altura, o Morro Santo Antonio proporciona a vista
panorâmica mais linda de Caraguá. De lá, avista-se o Centro da
cidade com seus novos prédios, a baía da Praia do Camaroeiro,
colorida pelos artesanais barcos de pesca, além da Praia Martin de
Sá e o belíssimo verde da Fazenda Serramar. Desse local, os
aventureiros pilotos de asa-delta e paraglider decolam nos céus da
Princesinha do Litoral Norte.
Esse ano, a cidade ganhou o seu Monumento a Santo Antônio, com 16
metros de altura, inaugurado dia 8 deste mês. A imagem conta com
iluminação de fibra ótica feita com lâmpadas econômicas em quatro
cores sincronizadas, que pode ser vista em 80% da cidade.
O monumento foi erguido de frente à Matriz, tendo como modelo a
réplica de 200 anos que se encontra no altar da igreja. O escultor
Irineu Migliorini diz que não haveria local mais apropriado para a
construção da imagem do que o mirante. "As mãos de Santo Antônio
abençoam a cidade. É muito gratificante construir um monumento em
homenagem a este grande santo, por tudo que ele representa para
Caraguá e para o mundo".
Caminho de Santo Antônio
Discute-se, atualmente, a criação do Caminho de Santo Antônio de
Caraguatatuba. Trata-se de um percurso de caminhada de cerca de 25
km, passando por locais turísticos e históricos relacionados a Santo
Antônio e por diversos tipos de solo: areia da praia, rochas
costeiras, trilhas na Mata Atlântica, estradas rurais,
paralelepípedos, bloquetes e asfalto. Engloba uma área que vai da
foz do Rio Juqueriquerê, na região sul, até a Capela da Santíssima
Trindade, na Massaguaçu, região norte.
O secretário de Turismo de Caraguá, Ricardo Ribeiro, explica que o
projeto do Caminho de Santo Antônio ficou adormecido pela iniciativa
privada, e que o poder público não tem condições de implantá-lo sem
parcerias.
As 'relíquias' de Caraguatatuba
Um passeio pelas ruas centrais de Caraguatatuba
representa um manancial de pequenas e agradáveis surpresas,
principalmente para aqueles que gostam de história, de tranqüilidade
e de clima interiorano, apesar de ser uma bela cidade litorânea.
Bruna Vieira
Caraguatatuba
- Imagine a cena: uma charmosa praça, árvores robustas que garantem
sombra e frescor, crianças alimentando pombinhos e pessoas a andar e
conversar pelo calçadão de mosaico. Durante a primavera, tudo isso
ainda é enriquecido por tulipas que colorem o relógio de sol. Ah! E
como não podia deixar de ser, tem também um coreto decorado por
azulejos, bem ao estilo português.
A cidade nasceu e se desenvolveu ao redor da Praça Dr. Cândido
Motta, esta que acabamos de descrever e que leva o nome do então
secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, desde 1919. As
residências, armazéns, Câmara Municipal e outros logradouros que a
praça abrigava no final do século XIX, deram lugar às atuais lojas
de departamento, restaurantes, bancos e shopping.
Nela há de tudo, inclusive variadas e boas opções gastronômicas,
capazes de agradar tanto a quem quer uma boa e farta refeição,
quanto àqueles que apenas querem curtir um pôr-do-sol, com um
tira-gosto. Em dias quentes, a dica é provar o picolé de coco na
sorveteria Danilo. As noites de sexta-feira são animadas por Nhô
Vair e convidados que tocam no coreto músicas sertanejas. Aos
sábados, após a missa na Igreja Matriz, é a vez da Banda Municipal
Carlos Gomes. A pipoca é obrigatória!
Edificações históricas
A Igreja Matriz de Santo Antônio data do século XVII e simboliza a
perenidade da cidade. "A primeira grande reforma da Matriz aconteceu
em 1949, quando foram construídas a cúpula do sino e a parte lateral
da igreja. Hoje, sua arquitetura está descaracterizada, por isso não
pode ser tombada. Mas é um monumento preservado", explica a
historiadora Luzia Toledo Prado, do Arquivo Público Municipal.
No interior da igreja, os azulejos pintados retratam três momentos
da vida de Santo Antônio. Os fiéis mantêm a devoção pelo santo
casamenteiro, participando ativamente da Festa do Padroeiro que
acontece em julho.
O antigo coreto, construído na década de 30, abrigou diversos
festejos populares, até que, em 1971 foi demolido dando lugar ao
atual, cujas paredes são recobertas por azulejos em estilo
português. Em janeiro, acontece o projeto Coreto em Sol com
apresentações de grupos regionais de chorinho e música popular
brasileira.
A Praça Cândido Motta abriga ainda a Fonte Luminosa, o Obelisco e o
Relógio de Sol. A atração da Fonte Luminosa, inaugurada na década de
60, era o 'balé' de águas, que se movimentavam ao compasso de
músicas clássicas. Ela foi restauração recentemente.
O Obelisco da Torneira, inaugurado em 1919 pelo então presidente do
Estado de São Paulo, Altino Arantes, simboliza a época de saneamento
básico na cidade, como explica Luzia: "Havia distribuição de água
encanada, mas não era tratada".
Já a inauguração do Relógio de Sol, segundo a historiadora, fez
parte das comemorações do Centenário da Cidade, em 1957: "O
engenheiro Accacio Villalva queria um monumento de evocação visual
que demonstrasse o quão importante o caraguatatubense sentia-se
naquele ano. O Poder Municipal estuda a possibilidade de tombar o
Obelisco e o Relógio de Sol, pois são edificações que se mantém sem
modificações".
Museu de Arte e Cultura
As ruas centrais de Caraguá ainda abrigam duas edificações
históricas, o Pólo Cultural e o Prédio da Setur. Durante 60 anos, o
Grupo Escolar Adaly Coelho Passos funcionou no prédio onde hoje está
o Pólo Cultural. Desde 1999, o local abriga o Museu de Arte e
Cultura de Caraguatatuba –MACC, o Arquivo Público Arino Sant'Ana de
Barros, a Biblioteca de Arte, a Videoteca Lúcio Braun e a Praça do
Caiçara.
A Praça do Caiçara abriga uma fonte, cuja base em formato de
caraguatá (espécie de bromélia) representa a planta que nomeia a
cidade e no centro, quatro canoas remetem as comunidades pesqueiras
da cidade. O local também abriga um parque de diversão para crianças
-com escorregador, gangorra e balanço-, mesas de mosaico para jogos
de tabuleiro, uma pergula (caminho de flores sustentado por colunas
e estacas de madeira). O Memorial Brasil 500 Anos reúne desenhos
premiados de estudantes da cidade, transpostos em cerâmica queimada.
No Prédio da Setur (Secretaria de Turismo), na Praça Diógenes
Ribeiro de Lima, ocorre, nos finais de semana e feriados, a
tradicional Feira de Artesanato. Em 2004, o Prédio foi restaurado
com base no original, datado da década de 1960. Esta foi uma das
primeiras edificações de arquitetura moderna na cidade.
Fazenda dos Ingleses
Distante 5 quilômetros do centro da cidade está a antiga Fazenda dos
Ingleses. Este sítio arqueológico com casarões, cinema, igrejinha,
posto de saúde e trilhos, abriga, hoje, a Fazenda Serramar,
pertencente ao grupo Serveng Civilsan, que mantém atividades de
pecuária e extração de areia. A arquitetura do local está preservada
nas 105 casinhas amarelas com detalhes em verde habitadas por cerca
de 80 empregados da Serramar.
Descrita por Marino Garrido, a história da Fazenda foi publicada em
livro em 1988. Nele, consta que a Fazenda ficou ativa entre os anos
1927 a 1968 e foi a maior produtora de fruticultura do litoral
paulista. Foram tempos áureos. A produção exportada para Inglaterra
era estimada em 40 mil cachos de banana e 35 mil caixas de laranja
toda semana. O número de empregados chegou a 2.800 pessoas, que
recebiam o equivalente a dois salários mínimos. Nas horas de folga,
eles se divertiam em bailes, cinema e nos jogos de futebol e pólo.
Por meio de uma linha férrea de 80 quilômetros, a colheita era
levada para o cais fluvial no Porto Novo. Havia ali um sistema de
armazéns, uma fábrica de aguardente e outra para beneficiar
laranjas. Fazia-se o transporte até o canal de São Sebastião, em
frente a Ilhabela. Os navios da companhia Blue Star Line eram
abastecidos e seguiam para a Inglaterra numa viagem de 12 dias.
Nas oito horas de duração do embarque das frutas, a companhia Blue
Star Line proporcionava duas opções de passeio aos turistas. Os que
preferiam praia eram levados para Ilhabela, e os que optavam por
campo, conheciam a Fazenda.
Durante a 2ª Guerra Mundial, a Fazenda foi prejudicada porque as
frutas não podiam ser exportadas para a Inglaterra. A crise se
agravou em 1967 quando ocorreu em Caraguatatuba a grande catástrofe
(tromba d'água) que dizimou a população. Com metade da Fazenda
destruída, ela foi definitivamente desativada.
Serviço
O Pólo Cultural Adaly Coelho Passos fica na praça Dr. Cândido Motta,
72, Centro. Visitação de terça a domingo, das 10 às 18 horas com
entrada gratuita. A Fazenda dos Ingleses, hoje Serramar, fica na
Rodovia Rio Santos (SP-55), Km 5, sentido Caraguá/São Sebastião. É
necessário solicitar previamente a permissão de entrada.
Monumentos como a Igreja Matriz, o Obelisco, o Relógio de Sol, o
Coreto, a Fonte Luminosa, o Pólo Cultural, o Prédio da Setur e a
Fazenda dos Ingleses, fazem parte do passeio histórico por
Caraguatatuba.
Água Viva Coral apresenta seu novo concerto
“Caminhos da Terra”, dia 22 no Teatro Mário Covas.
Caraguatatuba
- A Fundacc (Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba) e o
Água Viva Coral, convida todos para prestigiar o Concerto Caminhos
da Terra, dia 22 às 21h00 no Teatro Mario Covas.
O Água Viva Coral é composto por profissionais das mais diversas
especialidades e estudantes, sob a regência da maestrina Eliana
Bañeza.
É um coral performático que interpreta músicas através da voz e do
corpo intercaladas com esquetes teatrais, poesias dramatizadas e
contos. Canta e interpreta tanto músicas populares como eruditas
tudo feito com exigência profissional de qualidade técnica e
cultural!
O concerto deste ano traz músicas regionais e populares, desejando
inspirar imagens da gente que sai do interior em busca de sonhos na
cidade grande e da gente que nasce, vive e morre em sua amada terra.
Imagens do campo, dos amores, do cotidiano, do trabalhador e sua
luta pela sobrevivência.
Serviços:
Concerto Caminhos da Terra –Água Viva Coral
Local: Teatro Mário Covas
Endereço: Avenida Goiás, 187 - Indaiá.
Cidade: Caraguatatuba/SP
Tel.: (12) 3881-2623
Horário: 21h Data: 22 /11/08
Entrada: r$ 10.00 (inteira) e r$ 5.00 (meia ).
(Fonte: Fundacc)
Fundacc e o Circuito Cultural Paulista
apresentam “Parangolés”, neste sábado (22) às 16h00 na Praça Candido
Mota.
Caraguatatuba
- A Prefeitura Municipal de Caraguatatuba e a Fundacc – Fundação
Educacional e Cultural de Caraguatatuba apresentam “Parangolés –Cia
Teatro e Dança Mariana Muniz ” pelo Circuito Cultural Paulista.
A Companhia Teatro e Dança Mariana Muniz tem uma carreira de
trabalhos de investigação cênica sobre as conexões expressivas entre
poesia e movimento. Essa iniciativa de encenar “Parangolés” surgiu
do estudo da obra de Hélio Oiticica, que conseguiu unir, por meio do
conceito parangolé, samba, poesia, música e movimento.
O espetáculo se propõe, ao investigar a obra do artista brasileiro,
questionar o corpo que dança e suas matrizes geradoras de
movimentos, a partir de conceitos encontrados no livro "A Estética
da Ginga" de Paola B. Jacques.
“Parangolé” é um projeto que dá continuidade à pesquisa que a Cia.
Teatro e Dança Mariana Muniz desenvolve, desde 2000, sobre as
relações entre palavra e movimento, poesia e dança contemporânea, e
aprofunda o contato da companhia com um objeto de pesquisa – o
samba.
A apresentação acontecerá na Praça Candido Mota, dia 22 às 16h00 a
entrada é franca.
Serviços:
“Parangolés – Cia Teatro e Dança Mariana Muniz ” – Circuito Cultural
Paulista
Local: Praça Candido Mota
Cidade: Caraguatatuba/SP
Tel.: (12) 3881-2623
Horário: 16h Data: 22 /11/08
Entrada: Gratuita
(Fonte: Fundacc)
Fundacc e Circuito Cultural Paulista apresentam
“Palhaços, a Boa e Velha Gargalhada ”, neste domingo (23) às 16h00
no Teatro Mário Covas.
Caraguatatuba
- A Prefeitura Municipal de Caraguatatuba e a Fundacc – Fundação
Educacional e Cultural de Caraguatatuba apresentam “Palhaços, a Boa
e Velha Gargalhada” da Cia.Monocirco pelo Circuito Cultural
Paulista.
A vaidade de Gelatina, o clown branco, a pompa de Sr. Zezonho, o
mestre de pista, e as trapalhadas de Saltim, o palhaço da companhia,
formam a tríade da tradicional comédia circense.
Figurinos luxuosos e produção impecável fazem de "Palhaços - A Boa e
Velha Gargalhada" um espetáculo minucioso, com o glamour do
"tradicional circo de cavalinhos", uma comédia capaz de agradar a
adultos e crianças.
A apresentação acontecerá no Teatro Mário Covas, dia 23 às 16h00 a
entrada é franca.
Serviços:
Palhaços ,a Boa e Velha Gargalhada – Circuito Cultural Paulista
Local: Teatro Mário Covas
Endereço: Avenida Goiás, 187 - Indaiá.
Cidade: Caraguatatuba/SP
Tel.: (12) 3881-2623
Horário: 16h Data: 23 /11/08
Entrada: Gratuita
(Fonte: Fundacc)
Programa Venda Melhor “Natal”
Para o próximo Natal o Sebrae está oferecendo
quatro encontros gerenciais para ajudá-lo a aproveitar a data para
vender mais e conquistar novos clientes.
Caraguatatuba
- O programa “Venda Melhor” visa orientar os lojistas e comerciários
a aprimorar a gestão de sua empresa e impulsionar as vendas,
principalmente nas datas comemorativas, neste momento NATAL, as
palestras serão ministradas por consultores do Senac e terão duração
de 02 horas, totalmente gratuito.
COMO CONTRATAR MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA
Data: 25/11/2008
Horário: 19horas
Local: Associação Comercial de Caraguatatuba
O objetivo é informar sobre os diversos tipos de Contrato de
Trabalho existentes, mostrando Alternativas de contratação viáveis
para suprir períodos de picos no movimento.
COMO ESTIMULAR SUAS VENDAS
Data: 01/12/2008
Horário: 19horas
Local: Associação Comercial de Caraguatatuba
O objetivo é apresentar as táticas de promoção de vendas acessível a
empresas de qualquer porte.
Demonstrar o uso das principais técnicas de promoção para
incrementar as vendas da empresa
PREPARE SUA LOJA PARA VENDER MAIS
Data: 02/12/2008
Horário: 19horas
Local: Associação Comercial de Caraguatatuba
O objetivo é orientar em como preparar a loja para aumentar as
vendas no varejo. Apresentando ferramentas de incentivo as compras;
comportamento do consumidor; compras por impulso; formas de
apresentação dos produtos e promoções.
COMO ATRAIR CLIENTES
Data: 03/12/2008
Horário: 19horas
Local: Associação Comercial de Caraguatatuba
O objetivo é orientar como divulgar a empresa destacando as
principais estratégias, ferramentas e veículos mais adequados à
micro e pequena empresa
Fique atento, prepare-se, planeje as suas ações e boas vendas!
Vagas Limitadas
Informações e Inscrições:
POSTO SEBRAE DE ATENDIMENTO AO EMPREENDEDOR
Telefone: (12)3897-8198 e-mail:
pae.caragua@gmail.com
Rua: Siqueira Campos, 44-Centro - Caraguatatuba.
Sebrae
Dia Consciência Negra é feriado municipal em
Caraguá
Em Caraguá, o Dia da Consciência Negra é celebrado
com feriado municipal. Por isso, a Prefeitura Municipal decretou
ponto facultativo nesta sexta-feira. O expediente retorna à
normalidade na próxima segunda-feira
A Prefeitura de Caraguatatuba não terá expediente nesta quinta e
sexta-feira, conforme o calendário municipal de 2008, publicado no
informativo oficial do município, no ano passado.
Nesta quinta-feira, 20 de novembro, de acordo com a SECAD –
Secretaria da Administração, em razão de tratar-se de feriado
municipal, quando se comemora o Dia da Consciência Negra, não haverá
expediente, e isso se dará também na sexta-feira, em razão do ponto
facultativo decretado pelo Executivo.
Vale lembrar que não haverá expediente nas repartições, mas os
serviços essenciais como o de coleta de lixo e ambulância,
continuarão em funcionamento.
A Prefeitura de Caraguá informa que o expediente retorna à
normalidade na próxima segunda-feira, dia 24 de novembro.
Saiba um pouco mais sobre o Dia da Consciência
Negra
O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e
é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade
brasileira.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos
Palmares, em 1695. Apesar das várias dúvidas levantadas quanto ao
caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo, que
ele mantinha escravos particulares) o Dia da Consciência Negra
procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à
escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de
africanos para o solo brasileiro (1594).
Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país)
organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente
crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do
auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência
neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas
universitárias, se há discriminação por parte da polícia,
identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado
seus eventos nos últimos anos; até então, o movimento negro
precisava se contentar com o dia 13 de Maio, Abolição da Escravatura
– comemoração que tem sido rejeitada por enfatizar muitas vezes a
"generosidade" da princesa Isabel, ou seja, ser uma celebração da
atitude de uma branca.
A semana dentro da qual está o dia 20 de novembro também recebe o
nome de Semana da Consciência Negra. (fonte: Wikipedia)
(Fonte: Prefeitura Municipal de
Caraguatatuba)
Futebol feminino de Caraguá conquista título
Caraguatatuba
- A equipe Sub-18 de Caraguatatuba foi campeã do Campeonato
Municipal de Cachoeira Paulista 2008 .
Na final, as meninas de Caraguá derrotaram São José do Barrero por 2
a 1, com dois gols da craque Tatinha, que foi a artilheira da
competição, com 12 tentos marcados.
A cidade de Caraguatatuba teve também a goleira menos vazada do
campeonato. Gisele sofreu apenas 6 gols.
(Fonte: Prefeitura Municipal de
Caraguatatuba)
A exuberante praia do Bonete!
Um lugar para viver momentos simples e
inesquecíveis! Aqui 'há tempo' para respirar ar puro, curtir a bela
paisagem, experimentar o clima de romance, ficar perplexo com a
beleza da natureza, sentir o carinho e acolhimento dos moradores...
Bruna Vieira
Ilhabela - A
comunidade tradicional da Praia do Bonete reúne cerca de 400
pessoas, a maioria caiçara. Localizada no sul de Ilhabela, a 31
quilômetros da balsa, esta é uma praia ideal para quem quer esquecer
a correria do dia-a-dia. O acesso é feito por mar, com canoas
típicas de pescadores, ou por terra, por meio de uma trilha de 15 km
-4 horas de caminhada-, passando por límpidas cachoeiras. Não
importa o meio de chegar, a aventura é sempre garantida!
O cenário do Bonete é assim: canoas coloridas 'estacionadas' em cima
de uma areia fofa, mar azul rodeado de montanhas cheias de
coqueiros, muitas árvores chapéus-de-sol na praia, um rio
transparente, o Nema, de um lado e, do outro, altas ondas para a
alegria dos surfistas. Casas em estilo simples do velho caiçara. Ah,
os moradores, amáveis, amorosos e receptivos. As crianças brincam
com as folhas na areia, os jovens consertam as redes de pesca, os
adultos 'proseiam' ressaltando um linguajar peculiar.
A ausência de luz elétrica e a inexistência de automóveis garantem a
tranqüilidade do local. O contato dos 'boneteiros' com o mundo é
feito por meio de rádio, televisão -movida a gerador-, e de dois
telefones públicos via satélite. A vila abriga uma escola municipal,
um posto de saúde e uma quadra poliesportiva. A visita mensal do
médico e do dentista é aguardada ansiosamente pela comunidade.
Décadas atrás, a principal fonte de renda da comunidade era a pesca,
hoje o turismo predomina. O Bonete oferece hospedagens variadas,
desde campings até uma pousada requintada. Alguns moradores alugam
quartos ou a própria casa durante a temporada de verão. Mas a média
de visitantes é de 8 mil pessoas por ano, ou seja, dificilmente a
praia estará lotada.
Por mata ou mar...
A trilha de acesso à praia do Bonete reserva boas doses de
adrenalina e passa pelas cachoeiras da Laje e do Areado. A trilha de
15 quilômetros começa na estrada do bairro da Sepituba, extremo sul
de Ilhabela, onde há um estacionamento. Ao entrar em área de
preservação do Parque Estadual, a dica é apreciar as espécies
variadas de árvores e plantas nativas, pássaros, lagartos e outros
encantos da natureza.
O grau de dificuldade varia. O peso da mochila (ou prancha)
influencia na velocidade e na dificuldade das subidas. As cachoeiras
podem ser um desafio para os que não gostam de andar sobre pedras. A
média de tempo para completar o percurso é de três a quatro horas e
meia, sem parar.
Os que preferirem ir de barco com os 'boneteiros', podem apreciar o
verde da Mata Atlântica e as mansões que circundam a costa do
arquipélago. Passar pela Ponta da Sepituba e observar o buraco do
cação (uma caverna dentro do costão) é emocionante! A natureza,
infinitamente bela, revela formas irreverentes como o Pico do
Papagaio.
O que fazer neste paraíso?
Os aventureiros 'privilegiados' que puderem passar mais de um dia no
Bonete têm a opção de conhecer as praias de Enchovas (1 hora de
caminhada), e Indaiauba (2 horas de caminhada).
Saindo de uma trilha no meio da vila, passa pela ponte da cachoeira
do Pau Oco, percorre cerca de dois quilômetros até encontrar
Enchovas. Mais um quilômetro, chega-se à maravilhosa Indaiauba.
Ambas praias calmas e boas para descanso. À noite, o espetáculo fica
por conta do céu estrelado e da lua.
Os surfistas têm lugar garantido no mar do Bonete, que apresenta
ondas de até 3 metros. Os praticantes do mergulho livre podem se
divertir no costão esquerdo da praia. O rio Nema garante a diversão
das crianças. Depois da praia, a dica é mergulhar numa corredeira,
cachoeira ou piscina natural, atrás da Vila. Não deixe de fotografar
a esplêndida paisagem do mirante.
Aproveite para se deliciar com os sanduíches do Mac Bonet's, com as
porções de camarões e lulas dos quiosques e com a comida caiçara
servida nos poucos restaurantes. Depois desse dia 'completo', sente
para bater um papo com os moradores locais e desvendar as muitas
histórias locais.
Paixão, Hélio, Agnaldo, Rosália...
Os moradores do Bonete são o que há de melhor nesta praia
exuberante. Paixão, casado com a encantadora Rosália, revela: "Este
é o melhor lugar pra se morar. Estou aqui há 80 anos. Fui pescador,
depois passei a tomar conta das terras do Ademar de Barros, hoje
vendidas. Namorei aqui mesmo, casei e tive quatro filhos. Hoje estou
aposentado". Dona Rosália explica que a principal festa na vila é a
de Santa Verônica, em julho: "quando tem reza e baile".
Hélio de Souza, caiçara nascido no Bonete, foi para cidade trabalhar
com 15 anos. Viajou o país como comandante de embarcação. "Era muito
duro. Me lembro das noites que passava molhado, com frio, no meio da
tempestade. Por isso, decidi voltar pro Bonete", afirma. Hoje,
desfrutando de sua terra natal, ele ensina a fazer o tradicional
prato da culinária caiçara, o azul marinho.
"Limpa o peixe, põe na panela pra cozinhar, acrescenta coentro e
cheiro verde e por último a banana nanica verde amassada. Esta é a
receita tradicional. Hoje, o peixe é cozinhado separado da
banana-picada e não amassada. Com o caldo do peixe fazem o pirão",
explica.
Hélio ajudou a fundar a Associação de Moradores do Bonete em 1998.
De lá para cá, muitas melhorias foram conseguidas junto ao poder
público, a exemplo de um curso para os moradores aperfeiçoarem o
turismo receptivo como fonte de renda. "No último reveillon,
recebemos cerca de 3.500 pessoas, dez vezes a população local".
Segundo Agnaldo de Souza, um dos lugares mais curiosos do Bonete é a
Toca do Negro, uma espécie de caverna em cima da montanha, que teria
servido de esconderijo a escravos. "Um dos primeiros escravos que
passou por aqui se chamava Stevan. Ele deu nome à antiga trilha de
acesso à vila, conhecida como Caminho do Stevan".
Serviço
Saídas de barco com 'boneteiros' no Tebar Clube, em São Sebastião. A
viagem dura em média 2 horas e varia de R$ 15 a R$ 40 por pessoa. As
canoas costumam ficar por lá das 6h às 14h. A viagem pela manhã é
mais confortável, pois o mar é mais calmo e venta menos. Em lanchas,
que partem da praia do Perequê, o percurso é feito em cerca de 40
minutos. A pé, por trilha, a caminhada é feita em cerca de 4h30, a
partir da ponta da Sepituba. O Bonete tem dois telefones públicos,
via satélite: (12) 3894-7000 e (12) 3894-7001.
Além do ar puro, belíssimas cachoeiras e o mar onde rolam altas
ondas, ideais para o surfe, o Bonete conta com o belíssimo Rio Nema,
que deságua na praia. Verdadeiro paraíso onde o tempo parece ter
parado.
Quem conhece o Bonete concorda, é uma das praias mais bonitas de
Ilhabela, com uma vila acolhedora, alcançada apenas por barco ou
longa caminhada. Uma coisa é certa, vale cada minuto desta aventura
Aprendendo a transformar bambu em arte
Balaios, abajures, luminárias, cestas, bolsas,
suporte de panela, peneiras... Tudo isso é feito com bambu de
taquaruçu.
Bruna Vieira
Ilhabela -
Não há livro didático nem medidas exatas para aprender a transformar
bambu em arte. O conhecimento da moradora da Ilha de Búzios
(Ilhabela) Benedita Aparecida Leite Costa, a Ditinha, foi adquirido
na infância, quando ela olhava sua avó fazer cestas para a casa.
"Na minha adolescência eu fazia as cestas 'por fazer'. Não adiantava
produzir mais porque não tinha para quem vender. Até que um, fui
para a cidade levando os balaios e um 'turco' se interessou. Nos
animamos porque ele pagava em dinheiro. Éramos uma dez mulheres que
há cerca de 22 anos começamos a produzir por encomenda. Depois disso
nunca mais parei. Foi com este dinheiro que ajudei minha filha a
estudar. Hoje ela faz curso técnico de enfermagem e trabalha no
Posto de Saúde", confirma a artesã caiçara.
Há seis anos Ditinha é monitora da Fundação e Arte e Cultura de
Ilhabela onde ensina artesanato. Todo semana, ela, seu marido e
filho, enfrentam uma viagem de 2 horas e 30 minutos de barco
(percurso da Ilha de Búzios ao Centro de Ilhabela) para ministrar a
oficina de arte. "E já tem alunas que estão fazendo para vender",
relatou a artesã com sorriso de 'dever cumprido'.
A queixa de Ditinha é do desinteresse dos mais jovens em aprender a
fazer artesanato. "Só os mais velhos querem aprender a fazer os
balaios. Os mais novos não têm vontade, nem lá na comunidade. No
começo o bambu corta e machuca a mão, mas depois a pessoa 'pega o
jeito'", relata a artesã que consegue produzir até 25 peças por mês.
Devido à repetição dos movimentos da mão, Ditinha está com
tendinite. "O médico me alertou sobre esta doença crônica. Mas não
consigo ficar sem produzir. Virou um vício 'bom'. É uma terapia
quando estou embalando. Nos dias que a mão dói muito, paro semanas e
melhoro. Os remédios ajudam também", confirma a experiente Ditinha.
O processo de fabricação dos objetos começa com a escolha do bambu
taquaruçu (que não junta bicho e dura décadas), depois segue o corte
do bambu em tiras de três a cinco milímetros de espessura e, por
fim, 'embala' (trança as varetas). "Imagino a peça antes de fazer,
mas não tem medidas. Sempre começo com a vareta mais fina e depois
aumento. Todas as peças ficam iguais, a não ser quando quero criar
um objeto novo", explicou a caiçara de 46 anos.
Fibra da bananeira
Quem olha um monte de folhas secas cumpridas, conhecidas como fibra
de bananeira, não imagina o que pode ser feito com este material.
Além de transformar bambu em objetos utilitários e decorativos,
Ditinha também ensina os alunos das oficinas, a transformarem esta
fibra em chapéus, bolsas e tapetes.
Os instrumentos de trabalho de Ditinha são: estiletes, cola,
sementes, bambus e fibras. Para fazer um chapéu de fibra de
bananeira, por exemplo, ela corte em tiras as fibras e começa a
trança de quatro. "Depois costuro com linha de pesca transparente,
as tiras de trança. Nos feixes das bolsas uso semente de coronha (um
tipo de cipó). Quase não uso cola. Fico feliz quando encontro um
turista com a bolsa feita por mim, depois de muitos anos. Tanto o
bambu como a fibra da bananeira, não junta bicho, só a cor que fica
mais amarela com o tempo", concluiu a artesã.
Serviço
Os artesanatos de Ditinha podem ser apreciados e comprados na loja
da Fundação Arte e Cultura de Ilhabela, na rua Dr. Carvalho, nº 80,
Centro. As aulas de artesanato são ministradas no mesmo local,
gratuitamente, as terças e quartas-feiras, das 14h às 16h.
Informações pelo telefone (12) 3896.1747.
Congresso UMES em Ilhabela
Ilhabela - A
UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Caraguatatuba)
e UPES (União Paulista dos Estudantes Secundaristas) estarão
promovendo nesta quinta-feira, 20, o Congresso de Fundação da UMES
de Ilhabela. O evento será realizado na Escola Estadual Dr. Gabriel
Ribeiro dos Santos, na Vila, a partir das 14h. Para este encontro
foram convidados estudantes, educadores e representantes da
comunidade e também a dirigente regional do ensino, Edna Paula.
O objetivo é conscientizar o estudante sobre o seu papel na
sociedade, assim como seus direitos e deveres, além de eleger a
presidência da UMES em Ilhabela. Na ocasião serão debatidos assuntos
como a aprovação do Estatuto, aprovação de projetos, entre outras
propostas.
(Fonte: Prefeitura Municipal de Ilhabela)
Vereadores aprovam PL 99/2008 com duas emendas
Em sessão extraordinária a Câmara de Ilhabela
aprovou o projeto de lei que dispõe sobre o receptivo de navios de
cruzeiro
Ilhabela - A
Câmara Municipal de Ilhabela realizou uma sessão extraordinária hoje
(19/11) para votar o Projeto de Lei nº 99/2008, de autoria do
suplente de vereador e ex-secretário municipal de Turismo, Ricardo
Fazzini (PMDB), que substituiu em julho deste ano o Vereador Carlos
Alberto de Oliveira Pinto (Carlinhos-PMDB).
O projeto de lei, que foi aprovado por unanimidade entre os
vereadores presentes, estabelece os procedimentos exigidos para o
receptivo de navios de cruzeiro em Ilhabela.
O vereador Carlinhos apresentou duas emendas ao projeto que também
foram aprovadas. A emenda nº 41/2008 mudou o artigo 1º do projeto,
segundo o qual – com alteração - ficam estabelecidos os
procedimentos para permissão de uso público aplicáveis aos
receptivos. Ainda de acordo com a emenda, os veículos e embarcações
usados na atividade deverão portar cadastro obrigatório da empresa
com atividade regular no município de Ilhabela, e certificado de
propriedade do veículo, ou embarcação em nome do proprietário, ou da
empresa ou contrato de locação, sendo obrigatório o envio de cópia
do documento para a Secretaria Municipal de Turismo.
A emenda ainda acrescentou que todos os veículos deverão passar por
uma vistoria anual, realizada por mecânico credenciado para
comprovação do bom estado de conservação e que o requerimento de
vaga nos stands montados no receptivo deverá ser acompanhado do
contrato de constituição da empresa e da comprovação de que a
empresa esteja em atividade e sediada em Ilhabela há mais de seis
meses. O artigo 5º do projeto também foi modificado pela mesma
emenda prevendo que o Executivo regulamentará a lei no prazo de dez
dias, a contar da data da sanção, sendo que de acordo com o texto
original do projeto a lei entraria em vigor na data de sua
publicação.
Também de autoria do vereador Carlinhos, a emenda nº 42/2008 prevê
que a empresa poderá utilizar somente um veículo que não seja de sua
propriedade, através de locação, para a prestação de serviços do
receptivo e que o uso dos stands será regulamentado através de
Portaria da Secretaria Municipal de Turismo.
O Vereador Carlinhos justificou suas emendas informando que as
modificações propostas foram sugeridas pelos participantes da
Audiência Pública promovida pela Câmara para a discussão do projeto
de lei. Participaram da audiência, que durou quase quatro horas,
cerca de oitenta pessoas entre empresários e profissionais do setor.
O momento da votação teve a presença do Presidente da Câmara, o
Professor Joadir Capucho (PTB) e dos vereadores Carlinhos, Nanci
Zanato (PPS), Luiz Lobo (PSDB), Zeca do São Pedro (PTB) e Beto
Campos (sem partido). A sessão extraordinária também foi acompanhada
por diversos representantes do segmento turístico que pretendem
prestar serviços durante a temporada de navios.
(Fonte: Câmara Municipal de Ilhabela)

Relíquia arquitetônica e histórica de São
Sebastião
A Igreja e o Convento de Nossa Senhora do Amparo
compõem os cenários mais belos e interessantes do bairro São
Francisco. Com 340 anos, estão entre os prédios mais antigos da
cidade, com significativo valor histórico e cultural.
Bruna Vieira
São
Sebastião - Entre os anos de 1550 e 1650, os portugueses
construíram muitas obras religiosas no litoral brasileiro, a exemplo
dos conventos de Santo Antônio do Valongo, em Santos e o de Nossa
Senhora da Conceição, em Itanhaém, ambos no litoral sul, e o de
Nossa Senhora do Amparo, em São Sebastião, litoral norte, ponto de
referência da obra evangelizadora franciscana na região.
A presença franciscana no Brasil teve início com o descobrimento, em
1500, e a primeira missa, logo após a chegada de Pedro Álvares
Cabral, foi celebrada por frei Henrique de Coimbra, um franciscano,
de acordo com frei Sergio Sebastião Pagan, do Convento de Nossa
Senhora do Amparo.
Na então Vila de São Sebastião, os franciscanos chegaram por volta
de 1650. No bairro de Itararé (que significa pedra cantante),
existia uma pequena ermida, dedicada a Nossa Senhora dos
Desamparados, e os moradores locais pediram a frei Pantaleão Batista
a construção de um convento.
Após quatro anos, com a construção quase pronta, celebrou-se em 8 de
setembro de 1668, a primeira missa no Convento de Nossa Senhora do
Amparo, data ainda comemorada como o Dia da Padroeira. A partir de
então, o bairro passou a ser conhecido como Bairro de São Francisco.
Segundo frei Sérgio, o convento servia como refúgio de pescadores e
acolhia os doentes do bairro. "Os frades franciscanos tinham a
preocupação naquela época de construir uma igreja, um hospital e uma
escola. Os freis ajudaram a fundar outras igrejas na região, como a
Matriz de Santo Antônio, em Caraguatatuba, participaram também na
Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda, em Ilhabela e na Paróquia de São
Sebastião".
Por volta de 1730, residiam no convento 16 freis. Porém, em outros
períodos, eles chegaram a mais de 20 religiosos. "A bagagem cultural
trazida pelos freis da Europa era muito grande. Os conventos eram
tidos como centros culturais e educacionais. Ali os freis ensinavam
a comunidade a ler e escrever, a usar a terra e o mar como fontes de
alimentação, além de transmitirem o conhecimento adquirido nas
universidades européias".
Ainda segundo frei Sérgio Pagan, a educação superior no mundo
recebeu forte influência de ordens religiosas. "Eles fundaram
importantes universidades como a de Sorbonne na França, Harvard nos
Estados Unidos, Oxford na Inglaterra, entre outras". No Brasil, a
Faculdade de Direito de São Paulo, no largo do São Francisco, foi
instalada no prédio do convento. "As escolas tradicionais no Brasil,
assim como as Santas Casas, foram administradas por religiosos como,
por exemplo, o Colégio Notre Dame (que significa Nossa Dama ou Nossa
Senhora em francês) e o Sacré (Sagrado Coração de Jesus)".
A forte influência dos freis franciscanos na educação e saúde no
país foi interrompida a partir de 1750, com o decreto do Marquês de
Pombal, que determinou o fechamento de todos os noviciados no
Brasil, e proibiu a admissão de novos candidatos à vida religiosa
franciscana.
Com a drástica redução do número de frades, o Convento de N. S. do
Amparo, tal como aconteceu com os demais conventos do país, ficou
vazio e a igreja diminuiu o atendimento aos fiéis. Assim, muitos
conventos se deterioraram e viraram ruínas.
Desse período até sua restauração, em 1932, o Convento em São
Sebastião esteve sob a guarda de síndicos. Com o advento da
República, o noviciado foi novamente aberto no Brasil. Frades
europeus chegaram ao país e retomaram os trabalhos de evangelização
a partir dos antigos conventos franciscanos, que, por sua vez, foram
sendo restaurados.
O restauro do Convento de Nossa Senhora do Amparo e sua igreja
deram-se no período de 1932 a 1937, com recursos da própria
Província Franciscana. Neste mesmo ano, dois sacerdotes e dois
leigos passaram a morar no convento. Desde então, muitos frades
passaram pelo local que hoje abriga três freis. Há quatro anos, o
convento iniciou uma nova campanha de restauração. O projeto
aprovado pelo Ministério da Cultura tem como base a Lei Rouanet e
aguarda parceiros para financiar a obra orçada em R$ 3 milhões. Os
prédios do convento e da igreja são tombados pelo Condephaat
(Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico
e Turístico) de São Paulo. "O primordial são as trocas das telhas
(não originais), o madeiramento que está com cupim, a parte
elétrica, hidráulica e estrutural", finaliza frei Sérgio.
Arquitetura colonial
O Convento de Nossa Senhora do Amparo apresenta características
comuns às igrejas franciscanas da época colonial. Sua construção em
pedra e cal foi feita por mão-de-obra escrava.
A igreja segue o estilo conhecido como 'barroco-pobre', com uma
igreja central, a ala esquerda formada pelo claustro, e a direita
com a Capela da Ordem Terceira, hoje desativada. A igreja possui o
alpendre com três arcos, frontão triangular com volutas e torre
lateral. Apesar de ter sido modificado internamente, externamente
preservou-se a arquitetura original.
Os franciscanos eram conhecidos pela riqueza de suas igrejas,
principalmente pelos trabalhos em ouro nas madeiras. Há cinco
décadas, o convento abriga a Paróquia Nossa Senhora do Amparo. Todos
os dias, às 19h, são celebradas missas na igreja. Aos domingos, há
missas às 9h e 19h. Diversas peças sacras podem ser admiradas no seu
interior.
A vocação franciscana
Segundo frei Sérgio Sebastião Pagan, a vocação franciscana se baseia
no tripé: religiosidade, saúde e educação. "O franciscano é um
apóstolo, evangelizador, precisa dar o testemunho pela palavra e
pelas ações. Não vivemos enclausurados como os monges, mas dividimos
a vida em momentos de oração e evangelização".
O Brasil está dividido em sete províncias franciscanas. "Como
Província, nossa vocação se realiza dentro da igreja, do mundo e no
interior de nossas fraternidades. Ali, ela se alimenta e toma corpo.
No entanto, a vocação franciscana é essencialmente reconhecida pelo
testemunho de vida. Sem a caridade evangélica, em vão seria o
esforço dos frades e desfocada estaria sua forma vital".
Serviço
Convento de Nossa Senhora do Amparo. Construção em pedra de meados
do século XVII.
Rua Martins do Val, s/n, bairro São Francisco, a 4km do Centro de
São Sebastião.
O início
No retorno da viagem aos confrades do Sul do país, no ano de 1657, o
frei Pantaleão Batista parou na cidade de São Sebastião,
mais precisamente na Vila Itararé, assim chamada por causa do rio
com esse nome, que banhava suas terras.
A pedido dos moradores da Vila Itararé, Pantaleão aprovou a
construção do convento franciscano, com o nome de Convento Nossa
Senhora do Amparo, em 9 de agosto de 1658.
Prefeito anuncia projeto de subsídio do
transporte coletivo para reduzir tarifas e ampliar isenções
São
Sebastião - Em entrevista coletiva à rádio local, na manhã desta
quarta-feira (19/11), o prefeito de São Sebastião, Dr. Juan Garcia,
anunciou a proposta de subsidiar o transporte coletivo no município.
Além de tornar a tarifa mais barata para a população, a medida
possibilitará que todos os estudantes e os idosos a partir de 60
anos utilizem os ônibus de graça.
De acordo com o prefeito, o investimento da Prefeitura deve girar
entre R$ 200 mil e R$ 300 mil/mês. O projeto ainda está sendo
elaborado na Secretaria Municipal da Fazenda e deve ser enviado à
Câmara dentro de dez dias. Dr. Juan ressalta que a tarifa subsidiada
já é uma postura que passa a ser adotada por outros municípios, como
São Paulo.
A tarifa que hoje custa R$ 2,50 em grande parte das linhas da
cidade, por exemplo, cairia para cerca de R$ 2,00. Segundo Dr. Juan
Garcia, a tarifa subsidiada também faz parte de um conjunto de ações
que visam preparar o município para os reflexos da crise financeira
mundial. Entre as medidas já anunciadas pelo prefeito da cidade
estão: redução de taxas e tributos, além do abono de Natal para os
servidores públicos municipais. Todas dependem de aprovação da
Câmara Municipal.
(Fonte: Prefeitura Municipal
de São Sebastião)

Caçandoca: Um 'refúgio' especial
A bela praia de Ubatuba, no Litoral Norte, abriga
uma das mais de 35 comunidades quilombolas do Estado de São Paulo.
Bruna Vieira
Ubatuba
- Quilombo é o local de refúgio dos escravos negros brasileiros no
período colonial. Eles representaram uma das mais importantes formas
de resistência à escravidão. Buscavam a liberdade e uma vida com
dignidade, resgatando a cultura que deixaram na África. Embrenhados
nas matas virgens, as comunidades se transformaram em prósperas
aldeias, dedicando-se à economia de subsistência.
O Quilombo da Caçandoca em Ubatuba foi reconhecido, em laudo
antropológico em 2000. Porém, a história dessa comunidade remete ao
ano de 1858, quando o português José Antunes de Sá comprou a Fazenda
Caçandoca.
A fazenda abrigava uma casa-sede e um engenho, sendo dividida em
três núcleos administrativos. Cada filho de José Antunes de Sá:
Isídio, Marcolino e Simphonio administrava um núcleo. Eles tiveram
vários filhos "bastardos" com as mulheres negras que trabalhavam nas
terras, além dos legítimos, frutos de casamento com mulheres
brancas.
A fazenda produzia café e aguardente de cana-de-açúcar. Foi
desmembrada em 1881, data do primeiro inventário do local. Filhos e
netos legítimos do proprietário da fazenda herdaram parte das
terras, mas nem todos permaneceram nelas. Os que permaneceram,
ficaram na condição de posseiros, com autorização para administrar
seu próprio trabalho.
Os filhos bastardos e os ex-escravos deram origem às 32 famílias que
hoje formam o Quilombo da Caçandoca, com cerca de mil remanescentes.
As famílias compartilham uma área de reserva florestal, administram
hortas caseiras e até pouco tempo atrás faziam o manejo do palmito 'jussara'.
As casas das famílias não têm luz elétrica nem água encanada. São
feitas de pau-a-pique, de tábuas cobertas com calhetão ou de
alvenaria. A comunidade sobrevive da pesca, marisco e agricultura
familiar, voltada para o autoconsumo. Outra parte das quilombolas
faz serviços domésticos em casas de veraneio nas praias vizinhas
como Pulso, Caçandoquinha, Bairro Alto, Saco da Raposa, São
Lourenço, Saco do Morcego, Saco da Banana e Simão.
Até meados da década de 1990, havia na comunidade duas escolas
municipais de Ensino Básico. Elas foram fechadas sob a alegação de
que o número de alunos era insuficiente. As poucas crianças que
freqüentam escola precisam caminhar até a praia do Pulso e seguem
com um ônibus até o bairro da Maranduba. Ainda hoje, a reabertura
das escolas é reivindicada pela comunidade.
Outros problemas na comunidade tiveram início na década de 1970 com
a construção da rodovia BR-101, que interliga a cidade de Santos à
capital do Rio de Janeiro. Quilombos foram expulsos da terra. Hoje,
os 890 hectares do território quilombola na Caçandoca, estão sendo
disputados por uma imobiliária.
As cerca de 50 famílias do Quilombo de Camburi, também em Ubatuba,
enfrentam as mesmas pressões para deixar as terras. Eles ocupam há
aproximadamente 150 anos, uma área localizada na divisa com a cidade
de Paraty.
Preservação da cultura quilombola
"Os quilombolas defendem o território e os costumes de seus
ancestrais", revelou Antonio dos Santos, presidente da Associação
dos Remanescentes da Comunidade do Quilombo da Caçandoca.
Os costumes religiosos no quilombo da Caçandoca estão sendo
resgatados com a participação da comunidade na procissão marítima da
Festa do Divino. Outras festas comemoradas são de São Benedito
(santo negro), São João, Santo Antônio e São Pedro (padroeiro dos
pescadores)."Até os anos 60, tinha festa o ano todo na comunidade.
Começava com a cantoria de reis no natal, passando pelo primeiro dia
do ano e no dia 7 de janeiro, iniciava a folia do Divino. Este
período era sagrado. Os quilombolas deixavam de fazer mutirão –
trabalhar junto numa mesma roça – para homenagear os santos. A reza
durava nove noites e na última acontecia a festa com as danças que
iam até o dia clarear", afirmou Antônio. As danças eram o bate pé,
ciranda, moçambique e dança do chapéu. "Tinha fogueira, doce de
mamão e abóbora e mandioca assada".
Algumas mulheres da Caçandoca fazem artesanato para vender na
cidade. São colchas e panos de enfeite feitos com retalhos, a palha
da banana se transforma em balaios e descansos de panela, as
cortinas são enfeitadas com conchas e a bolsa é produzida com 'anel'
de latinha. A arte é ensinada de mãe para filha.
A maioria das casas da comunidade, feitas de parede de taipa e
cobertura de sapê, tem cama de bambu e colchão de tábua. Os
utensílios domésticos são de barro e ferro. O pilão ainda serve para
amassar o café. "A linha de pesca era tirada do tucum do coco e as
cordas grossas para puxar a rede eram de cipó. Só precisávamos
comprar querosene e sal para sobreviver", descreveu Antônio que
recebia confirmação da esposa Gabriela dos Santos.
O primeiro projeto coletivo da comunidade, uma horta comunitária,
está em andamento. "O mais importante é este sentimento de
coletividade. Estamos resgatando o modelo de produção de 'meia', no
qual o quilombo dono da roça convocava os demais para trabalhar em
sua terra por determinado tempo. Na colheita, metade da produção
ficava com o proprietário da terra e a outra metade, era distribuída
pelos trabalhadores que manejaram a terra. Sozinho, um quilombo não
pode nada", confirmou Antônio dos Santos.
Os quilombolas fizeram curso de capacitação para produção e
comercialização de mel e polpa do palmito jussara. O Incra
(Instituto Nacional de Colonização da Reforma Agrária) patenteou os
dois produtos.
Quilombo no Brasil
O Brasil chegou a ter centenas de quilombos no período colonial. A
maioria não sobreviveu aos ataques dos senhores das fazendas. O
quilombo mais famoso foi o dos Palmares, que reuniu em terras
alagoanas, mais de 50 mil escravos fugidos, em pleno século XVII.
O líder negro Zumbi, chefe indiscutível do Quilombo dos Palmares,
após anos de combate, foi morto em 20 de novembro de 1695. Seu nome
entrou para a galeria dos heróis 300 anos depois, quando, em 1995, a
data de sua morte foi adotada como o Dia da Consciência Negra.
Atualmente, há mais de 2.200 comunidades remanescentes de quilombos
no país. No Estado de São Paulo existe mais de 35, a maioria na
região do Vale do Ribeira. A formação desses quilombos não se deu
somente pelas fugas de escravos que ocuparam terras livres e
isoladas, mas também por heranças, doações, recebimentos de terras
como pagamento de serviços prestados, simples permanência nas terras
ou compra das mesmas.
A questão quilombola entrou na agenda das políticas públicas com a
Constituição Federal de 1988. O Artigo 68 defende "aos remanescentes
das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é
reconhecida à propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes
os respectivos títulos".
Foi neste período que a comunidade do litoral norte paulista se
organizou e formou a Associação dos Remanescentes do Quilombo da
Caçandoca, visando participar do processo de reconhecimento e
titulação de suas terras, tarefa realizada pelo Itesp.
Curiosidades
A palavra 'quilombo' tem origem africana, da língua banto (kilombo)
e significa acampamento, fortaleza de difícil acesso, onde negros
que resistiam à escravidão conviviam com brancos pobres e indígenas.
O banto teve origem em países africanos como Angola, Congo, Gabão,
Zaire e Moçambique.
A palavra 'Caçandoca', apesar de ser relacionado à casa devido ao
sufixo "oca" (casa em tupi-guarani), significa "gabão de mato" numa
referência ao país do centro-oeste africano Gabão.
O que define um quilombo é o movimento de transição da condição de
escravo para a de camponês livre. Suas duas principais
características não foram o isolamento e a fuga e sim a resistência
e a autonomia.
Serviço
A Associação dos Remanescentes da Comunidade do Quilombo da
Caçandoca está localizada na estrada Benedita Luiza dos Santos,
1474, Caçandoca. Contatos com o presidente Antonio dos Santos ou sua
esposa Gabriela pelo telefone (12) 3848 1669.
Ciclistas pedalam de São Paulo até Ubatuba
neste feriado
Integrantes da Bicicletada chegam na sexta-feira
na cidade. Grupo propaga a bicicleta como meio de transporte e em
Ubatuba conhecem as ações desenvolvidas pela Prefeitura incentivando
o uso da bicicleta
Ubatuba
- Cerca de 30 ciclistas, integrantes da Bicicletada, chegam a
Ubatuba na próxima sexta-feira, 21. Nesta quinta-feira, 20, eles
partem de São Paulo e seguem até Taubaté de onde partem às 6h30 do
dia seguinte com destino a Ubatuba. A chegada em Ubatuba está
prevista para às 18 horas. Ainda na sexta-feira, às 20 horas, os
ciclistas participam de uma reunião com Marlon Lopes, Assessor de
Gabinete da Prefeitura, que explicará as ações da atual
administração voltadas para o uso da bicicleta. “Falaremos sobre a
integração da bicicleta em nosso dia-a-dia e as ações desenvolvidas
pela Prefeitura, como por exemplo, as ciclofaixas”, disse o
Assessor.
No sábado, os ciclistas participam de um passeio ciclístico, saindo
da ciclovia do Itaguá, passando pelas ciclofaixas da rua Conceição e
da avenida Professor Thomaz Galhardo e seguindo para a avenida
Iperoig. A largada está prevista para às 10 horas e qualquer pessoa
pode participar.
De acordo com Ana Paula Neumann, uma das participantes do movimento,
a idéia é difundir a bicicleta como um meio de transporte. “A
bicicleta é para nós um meio de transporte como outro qualquer,
tanto é que viajamos com as nossas bicicletas. Nosso objetivo é
incentivar esse meio de transporte”, explicou a ciclista. Os
ciclistas ficarão alojados na escola municipal Altimira Silva
Abirached.
A Bicicletada
A Bicicletada é um movimento no Brasil e em Portugal inspirado na
Massa Crítica, onde ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço
nas ruas. Não existe um objetivo central, mais diversos objetivos
sempre decididos pelos participantes. No entanto um mote em geral
une os participantes. A Bicicletada serve para divulgar a bicicleta
como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso
deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de
transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.
A Bicicletada, assim como a Massa Crítica, não tem líderes ou
estatutos, o que leva a variações de postura e comportamento de
acordo com os participantes de cada localidade ou evento. Dentre a
pluralidade de motes, está o lema "um carro a menos", usado
principalmente para tentar obter um maior respeito dos veículos
motorizados que trafegam nas ruas saturadas das grandes cidades.
Outro slogan levantado é o "Nós somos o trânsito". A idéia é deixar
claro aos motoristas que a bicicleta é apenas mais um componente da
mobilidade urbana e que merece o devido respeito. (Fonte: Prefeitura
Municipal de Ubatuba)
Poema para Dona Laurentina,
minha mãe.
Mãe,
a senhora sempre acreditou
que quem cultiva flores
tem maior probalidade
de colher felicidade,
mas no último dia 14
a tristeza vicejou em seu jardim,
que até os passarinhos
cantaram mais baixinho.
Só o bem-te-vi
cantou até o final
a esperança de bem te ver.
Foi de suas plantas
que eu trouxe um último buquê
de rosas e flores da ressurreição
que fizeram questão de florescer
E para mitigar a saudade
que não para de doer
consola-me saber
que a primavera é uma boa época
para uma jardineira falecer.
Convido os amigos e parentes
para a missa de sétimo dia
em memória de D.Laurentina
minha primeira professora de poesia.
Local: Igreja Matriz de Ubatuba
Data: 20/11
horário: 19h 30 min
Félix Cabral
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