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A COMTUR ainda é uma criança
Há anos atrás, acreditávamos que a nossa economia sazonal,
já com sinais de fadiga, necessitava de uma entidade que com
muito mais agilidade e poder de organização do que o poder
público, viesse a contribuir com o desenvolvimento e os
destinos econômicos do município. Absorveria inclusive, as
funções da Secretaria de Turismo Municipal, com vantagens.
Uma empresa de economia mista. A COMTUR. Sua aprovação pela
Câmara, foi um parto. Mesmo porque, como sempre, havia “disputas”
políticas, entre políticos, que nela viam vantagens e
proveitos próprios, bem como entre os demais envolvidos, que
reivindicavam a paternidade da “criança”.
Assim, não foi um parto normal, foi um parto muito difícil, e
como tal deixou muitas seqüelas. Seqüelas que o trabalho
sério de seus dirigentes, de seus diretores e funcionários,
somado ao sábio tempo, corrigiria. Afinal, em outros
municípios, principalmente do sul do país, (de onde saiu a
idéia de sua fundação) empresas semelhantes, tornaram-se
marcos de organização e desenvolvimento econômico e
turístico. A prosperidade do setor nestas cidades era de dar
inveja aos desatentos. Os estatutos da COMTUR, constantes do
contrato social, são criteriosos e foram muito bem elaborados,
por um desembargador conhecedor prático das atividades de
empresas de economia mista.
A Empresa se arrasta, como tem se arrastado até hoje, pela
falta da regulamentação de suas atividades, previstas nos
estatutos de forma genérica. Essa regulamentação depende de
legislação específica a ser proposta pela Câmara Municipal
depois de amplamente debatida com os setores envolvidos. Sem a
normatização legal de suas atividades continuará apenas
arrastando. Lamentável.
A COMTUR no entanto, ainda é uma “criança”. Infelizmente,
não são muitos que conhecem as fases para o seu
desenvolvimento. Os que conhecem e acreditam no seu futuro,
contribuem. Os que são cegos, não respeitam. Os maldosos, já
querem “tirar” proveito da “criança”, mesmo que seja de
colo. Com certeza nunca serão “pais”. Estes, não imaginam
o que uma “filha” bem preparada pode trazer para o seio da
“família”.
As empresas nascentes, como as crianças, carecem de
orientação e cuidados especiais. Seus dirigentes, precisam
cautela nas ações. Cuidados com o que falam, afinal, elas
aprendem a repetir e assim agem e aprendem a se comportar.
Nestes pontos, infelizmente, não tivemos muita sorte.
Não se deve punir a empresa, como se tem feito, por atitudes
baseadas em “exemplos” que foram dados. Em “ordens” que
foram cumpridas. Principalmente quando advierem do “pai”.
Uma empresa, não pode ser acusada. A responsabilidade de sua
postura perante toda a sociedade é, e sempre será,
exclusivamente do seu dirigente maior. Seu acionista
majoritário. Nas sociedades civis, dos sócios ou
representantes legais. Nas anônimas e de economia mista, do
acionista controlador. A COMTUR possui um estatuto e ele deve
ser fielmente seguido, bem como suas atividades, necessitam de
urgente e detalhada regulamentação. Isto sim! Isto é sensato.
Portanto, se faz necessária uma reflexão. A nossa COMTUR nunca
foi culpada, e nunca será. Ela foi “usada” e poderá ser
“usada”. Digo nossa COMTUR, porque ela é de todos nós.
Pertence ao povo de Ubatuba. Se foi usada em desacordo com os
seus objetivos a culpa pode ser até de todos nós. Menos dela.
Ela só fez o que “mandaram” ela “fazer”. É até muito
obediente. Quem manda, e pode mandar, é o responsável. Quem
deve fiscalizar o mandatário também. Ou não é? Então
cautela é sensatez. É bom senso.
O fim da COMTUR, é um retrocesso. Com certeza, fará parte da
nossa história econômica, a ser estudada no futuro não
distante, em nossas escolas, por nossos filhos. A não ser, que
seus pretensos algozes, tenham muito mais e muito melhor a
propor ou a oferecer. Imaginem como serão sempre lembrados?
Como aqueles que arrancaram a raiz desta oportunidade que
tivemos. A raiz da oportunidade de um futuro melhor não só
para os seus, mas para todos os filhos desta terra.
Vamos colocar a COMTUR para trabalhar. Vamos dar todas as
condições possíveis. Vamos cobrar dos novos vereadores, sua
regulamentação. Vamos também, é claro, participar e
fiscalizar. Não podemos exigir comportamento adequado de uma
“criança” que não teve educação. Que o novo prefeito que
conhece por experiência própria, o potencial da COMTUR, dê
todas as condições, ao seu indicado presidente, para continuar
o árduo trabalho de viabilização da empresa. Por outro lado,
o presidente indicado, com preparo técnico estatutário
exigido, com visão empreendedora, consciência turística e a
responsabilidade que o cargo impõe, possa fazer a COMTUR
amadurecer e cumprir seu papel de levar Ubatuba,
definitivamente, ao seu destino vocacional.
Ubatuba, 28/12/2000
Ronaldo Dias
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