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A Folha de São Paulo nos acusa???
No dia 06 p.p no rodapé da primeira página e em manchete no caderno FOLHA VALE,
nossa cidade foi ACUSADA de expulsar mendigos em reportagem assinada por Marcelo
Claret como Free – lance. Como cidadão de Ubatuba, sentindo-me ofendido, tenho
o texto abaixo como direito de reposta.
A referida matéria mostra que, possivelmente, a Folha se submeteu (quem sabe até
enganada) a publicar um texto sob “encomenda”. Ou aceita “qualquer coisa”
para seus editais na falta de assunto ou de notícias que vendam jornais. Como
cidadão desta cidade quero primeiramente parabenizar todas as autoridades
policiais, judiciárias e civis envolvidas nesta acertada operação e, em
especial ao Sr Prefeito pela coragem de enfrentar publicações tão estúpidas
como essa. Muito bom, criterioso, justo e necessário trabalho.
Ao FREE –LANCE, Sr Marcelo Claret, esclareço que a prática deste tipo de
oportunismo barato, não faz jornalismo. Oportunismo barato, porque sua matéria
tem cunho pejorativo à nossa cidade. Quem sabe este Free, nem ao menos conheça
Ubatuba? Não saiba que a nossa única fonte de renda é o turismo (e o veraneio)
e que a sazonalidade desta atividade econômica nos proporciona se somados,
apenas três dos 12 meses do ano.
Que Ubatuba tem restrições ambientais de toda ordem que nos impede, por
exemplo, como as cidades do Vale, de ter múltiplas atividades industriais como
geradoras de emprego e renda. Mesmo com as dificuldades econômicas
proporcionadas por essa sazonalidade, recebemos e dividimos com mais de 1.000.000
de compatriotas, a cada verão, nossos espaços e nossos parcos serviços públicos?
Mesmo que a cada término de temporada tenhamos agravados, por exemplo, as contas
da Santa Casa, (único atendimento hospitalar da cidade). Mesmo com quantidade de
lixo “importada” (através dos visitantes) que liquidam a capacidade de
nossos aterros sanitários. Tudo em nome do ”receber”. Tudo no exercício
constitucional do ir e vir. Só que aqui, nós, cidadãos de Ubatuba, ainda
pagamos as contas destes “direitos”.
Outra informação que falta ao Free é de que não produzimos mendigos. Não
precisamos de “flanelinhas”. Apesar de nossas limitações, da nossa total
falta de recursos, temos um Serviço Social que atende NOSSA comunidade carente.
Repito: NOSSA comunidade carente. Não temos recursos para atender mendigos,
vagabundos, doentes mentais e portadores de doenças infecto-contagiosas, não
nossos, mas sim de cidades vizinhas que, sistematicamente, despejam SEUS (não
nossos) problemas sociais, serra abaixo, nas caladas das noites. Não somos suas
latrinas e muito menos seus quartos de despejos.
Somos simples, mas somos orgulhosos do pouco que temos. E o pouco que temos,
dividimos entre os NOSSOS. Não transferimos os nossos problemas para outras
cidades. Não temos, muito menos produzimos mendigos para exportar. Não varremos
nossos problemas para baixo do tapete ou “despejamos” (na calada da noite) no
terreno dos vizinhos. Não! Estas pessoas estão sim sendo encaminhas legalmente,
para suas cidades de origem. Para suas cidades que (elas sim) os expulsaram.
Não temos abrigos, não temos atendimento médico, não temos hospitais para
atendimento a doenças mentais muito menos recebemos doações ou qualquer tipo
de ajuda de quaisquer comissões para manter os “direitos” humanos dos NOSSOS
cidadãos. Para a OAB e para o secretário da Comissão de Direitos Humanos quero
sugerir que nos envie o endereço de suas unidades de atendimento aos direitos
humanos do cidadão, para que ao invés de enviarmos à suas cidades de origem,
enviaremos aos endereços que nos informarem. Como um exercício de saber o que
é a “apresentação” uma “imagem” de uma cidade turística, que não
pode conviver com o referido problema, (dos outros), podemos enviar alguns desses
“expulsos” às suas respectivas recepções de seus respectivos escritórios.
Dividir os espaços com suas recepcionistas e com seus “clientes” seria um
bom “estágio” para os dois órgãos contestantes. Ou, poderiam ainda, nos
enviar o endereço de suas próprias casas.
Coloque-os em suas salas. Não seria uma ótima idéia? Já imaginaram os
senhores terem a oportunidade (real) de dividirem seus espaços? Mas fiquem tranqüilos.
Também vamos (mesmo sem poder) contribuir e ajudar. As passagens, serão por
nossa conta. Para a redação da FOLHA DE SÃO PAULO, se me permitir, deixo uma
singela sugestão: Quando não tiverem o que escrever, e sobrar espaços inúteis,
não lancem mão de um FREE e publiquem tantas bobagens juntas. Peça-nos, e
enviaremos (sem custos) fotos maravilhosas e matérias interessantíssimas da
nossa terra. Serras, matas, cachoeiras, trilhas, praias e o mar. Maravilhosos. O
que temos de bom, a gente mostra. O Seu leitor ficará, com certeza, muito mais
satisfeito e gratificado com o que ver e ler. E nós, em troca, teremos uma
contribuição da Folha. Uma divulgação que nos ajudará na solução dos
NOSSOS problemas. UBATUBA oferece e exige respeito.
Ubatuba, 10/06/2002
Ronaldo Dias
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