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Água e Óleo
Tenho acompanhado as notícias das grandes oportunidades que o
turismo nacional passou a ter em virtude dos cancelamentos das
viagens ao exterior, principalmente aos destinos dos EUA,
preferidos dos brasileiros. Afora os novos resorts do nordeste
(a maioria importada e por nós financiados através do BNDES),
poucos são os destinos preparados para receber esta nova fatia
do mercado interno.
Tais clientes, acostumados com o excelente nível de
infraestrutura, instalações e serviços de primeiro mundo,
dificilmente se acomodarão, confortavelmente, ao que temos a
lhes oferecer. (BEM) acostumados, identificarão nossas
inúmeras carências. O que é pior, “sairão falando” e os
resultados do “boca à boca” conhecemos. Essa clientela,
esclarecida, sabe avaliar. Sabe medir. Sabe concluir. O que
dirão de nossas estradas de acesso? Do trânsito caótico que
se implantará? O que dirão da nossa “organização” para
recebe-los? Como se sentirão dentro da paisagem que permitimos
sermos transformados? Estarão dispostos a serem tratados como
turistas de “masssa”? Claro que não!
Essa fatia de mercado, busca, e esta disposta a pagar, por
exclusividade, segurança, tranqüilidade e serviços de
padrão. Enquanto pensarmos que a nossa clientela é apenas a
que assiste ao programa do Ratinho (e acharmos que isso é o
máximo) estaremos totalmente na contramão do turismo que
podemos. Precisamos de todos, sim. Claro. De todas as classes de
turismo. Mas temos (ainda) espaços disponíveis para uma
reorganização. Não podemos continuar insistindo, insanamente,
em misturar água e óleo. E olhem, os insistentes, não adianta
nem mesmo chacoalhar.
Não podemos mais perder, ou destinar (erroneamente) espaços
nobres sem o devido planejamento. Não podemos fazer vista
grossa a ocupação desordenada acima da cota 40, sem o devido
preparo (pelo menos) da infraestrutura necessária. Não podemos
continuar ocupando (como área urbana) acostamentos das vias de
acesso. Não podemos em nome do tudo pelo social (disfarce
utilizado para favores políticos) transformar nossa cidade em
um camelódromo com todos seus acessórios pertinentes, para “atender”
o turista. De acordo com a isca é o “bicho” que vem!
Não podemos continuar inertes, abrigando hordas de mendigos e
doentes mentais despejados pelos municípios vizinhos. Não
podemos continuar a permitir que nossas ruas e avenidas centrais
sejam loteadas e administradas pelos tomadores de conta de
automóveis. Muito menos palco para apresentação dos “carros
discotecas”.
Com certeza, não há recursos para grandes obras, mas o que
depender apenas de ação e vontade política, é o mínimo que
podemos e devemos oferecer neste verão que se aproxima. Vamos
tirar lições desta temporada. Vamos pesquisar, perguntar,
fazer estatísticas, observar. Será de grande valia para um
planejamento que se faz mais do que necessário. Assim, quem
sabe, em um futuro próximo possamos organizadamente atender e
receber, água e óleo.
Ubatuba, 07/12/2001
Ronaldo Dias
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