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A Torre de Pizza
Monumento histórico da humanidade, recém restaurada com
tecnologia Hight Tec a peso de ouro, justifica sua importância,
até mesmo, em segundo plano como uma das atrações turísticas
mais visitadas do mundo. Nos não poderíamos ficar para trás
no noticiário, principalmente da nossa tão querida e parceira
Rede Globo, que, sedo noticia ruim, não nos deixa faltar
divulgação.
O predinho das Toninhas, como tantos outros esqueletos
abandonados por construtoras e construtores aventureiros, que
não poderia fazer por menos. Deitou. O prédio de construção
estrutural foi descalçado de seus suportes, possivelmente, por
conta de aumentar o numero de vagas nas garagens.
Os proprietários, desavisados ou não, se cotizaram em
condomínio, para realizar o sonho da casa na praia. A eles cabe
apenas e responsabilizar o engenheiro responsável pela obra. E
a cidade? Por hora, enquanto a casa não cai, como no caso da Baleia KamiKaze, já apareceram
os ambulantes.
São inúmeros carrinhos de lanches, sucos, refrigerantes, milho
cozido e outros quitutes, tão ao gosto do pessoal do Vale, que
disputam, no grito, um espaço de frente para essa nossa mais
nova atração turística. Os curiosos tomam, dia e noite os
acostamentos da rodovia e as ruas ao redor do empreendimento
balança e já já cai.
Se fosse na temporada, seria o caos! Impossível de atravessar a
Praia das Toninhas em direção a cidade. Parece uma sina, mas
casos como esses deveriam ilustrar o que tanto se tem falado
quanto ao profissionalismo responsável que se deve exigir
principalmente quando esta em jogo, vidas e destinos das
pessoas.
Infelizmente, os achismos, como este de tirar as paredes de
sustentação para aumentar as vagas da garagem, tem sido
patente. Os resultados, imediatos ou não, podem ser medidos em
situações como essa. Desmontar esse esqueleto, e retirar seus
escombros ficara mais caro do que o valor do terreno.
Conclusão: vai sobrar para nos e se a prefeitura não for
rápida, já já será obrigada a indenizar invasores do
predinho condenado. Ou ate mesmo, indenizar vitimas e seus
familiares de ocupantes invasores.
Quem duvida, e só olhar no esqueleto em frente ao predinho
caindo e ver outro, não tão grande e aparente bonito, mas
caindo igualzinho. Este, desapercebido,deposito de indigentes,
bandidos, marginais e latinhas já faz parte da paisagem,
contribuindo com a poluição visual do local. O descaso com uma
política adequada ao nosso desenvolvimento cria espaço para
este tipo de exploração imobiliária que, em busca do lucro
rápido e fácil e nenhum compromisso com a cidade, cria
soluções imediatas para o sub emprego, ativa a migração
desordenada e vende a preço de banana, fatias de territórios
restritos de excelente qualidade.
Vide predinhos da Praia Grande. Na contra-mão, o turismo, vai
sendo tratado como questão de somenos importância, fazendo
parte da retórica política de palanque ou de cansativas e
inconclusivas reuniões.Profissionalismo? Nada. Continuamos nos
“deixa que eu sei” e nos “achismos” assalariados a
preços de secretario. Assim, podemos correr o risco, ate mesmo,
de algum acerto. Mas o pecado estará sempre presente e será
original. Sempre será um erro de calculo estrutural em nosso
desenvolvimento. Ai, a casa cai.
Ubatuba, 22/05/2001
Ronaldo Dias
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