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A ver Navios
Enquanto outros destinos turísticos investem pesado em infraestruturas turísticas e meios de hospedagem
cada vez mais sofisticados (vide Sumerville e Nanain, dentre tantos outros no nordeste), nós vamos nos contentando com o
que aparece. Uma temporada cada vez menor, com preços cada vez menores com custos cada vez maiores.
Lamentável. Muita semelhança com a Torre de Babel. Ninguém se entende, ninguém quer entender. E de turismo, ninguém
entende. Muitos palpites (todos errados) nenhum rumo. Falta de tudo. Até bússolas. O descaso e a incompetência andam de
mãos dadas. Sonham acordados com um sucesso que só vem com o antônimo destas “desqualidades” aliadas ao profundo
conhecimento do setor e muito, muito trabalho.
Da instabilidade política com ações pífias contra o prefeito a atitudes trasloucadas dos irresponsáveis pelo turismo,
nossa principal atividade econômica e, única geradora de impostos, empregos e renda, vamos proliferando o
“Laissez-faire”. De tentativas (e erros) seguimos, por velhos (e esburacados) caminhos em direção ao caos. O resultado
está aí, até para quem não quer ver. O que esperamos? Por quem esperamos? Por um salvador da pátria?
Se quisermos ser um produto turístico, antes de qualquer coisa precisamos ter consciência plena do produto que oferecemos
e para quem queremos vender. E quanto a isso, não nos enganemos mais. Oferecer apenas o que a natureza nos deu (e como
estamos acabando com ela) nunca mais será suficiente. Nosso principal mercado é São Paulo. Qual paulistano continuará
vindo para enfrentar o trânsito provocado pelo descaso na Praia Grande que nos picos de movimento, chega no Saco da
Ribeira? Duas horas e meia para chegar ao centro! Transito? Eles são profundos conhecedores. Muito mais que nós.
Enfrentar as filas intermináveis, pela esburacadas (e sem acostamentos) estradas atrás dos de ônibus do turismo de um dia
é insuportável e, por demais cansativo, para quem veio para descansar no final de semana. Não compensa. Assim vamos
perdendo nossa clientela para outros destinos (hotéis fazenda, por exemplo), mais preocupados com seus clientes do que
nós.
Eventos? Qual cliente e de que tipo estaria interessado nos eventos (exageradamente) sonoros (de qualquer tipo) realizado
na Av Iperoig? Pude constatar que a maioria dos “turistas” que tomavam o “gargarejo” dos “eventos” eram apenas e tão
somente os mendigos, bêbados e doentes mentais (aqui despejados peãs cidades vizinhas) que de garrafas e punho,
comemoravam o arrecadado (dos turistas medrosos) “tomando conta” de seus carros. Esses são os eventos...
Receber turistas é como “promover” uma festa. Que festa pode-se promover em uma “casa” assim? Para quantos convidados?
Quantas pessoas queremos “atrair” para oferecermos o que está aí? Para irem embora com quais comentários? A saída então,
estaria os Cruzeiros conforme últimas notícias? Quanta bobagem! Se não se pode chegar nem de carro... Ou quem sabe é uma
“dica” para informar que continuaremos a “ver navios”.
Sabem, parece mesmo que o Renato Nunes é paranormal. É verdade mesmo que ele “fala” com Cunhambebe. Só pode ser a tal
Maldição. Vamos “enforcar” o Anchieta para satisfazer o cacique? Um grande monumento cenográfico (financiado pelo DADE,
como a pista de Skate) ao velho índio e sua tribo para mostrar (e explicar) a verdadeira história? A História do Brasil?
Fazemos parte dela? Puxa!!!
Seria este monumento uma atração turística? É... Navios.
Ronaldo Dias
Ubatuba, SP
Ubatuba, 24/02/2003
Ronaldo Dias
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