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Bode Expiatório
Certa feita escrevi uma crônica, sobre esta tão folclórica e
utilizada figura, O BODE EXPIATÓRIO. Nela, expliquei
detalhadamente a figura ( O BODE) e quem as utiliza; dentre
elas, algumas "otoridades" ávidas de justificar seu
emprego (geralmente político, ou seja, não concursado) cuja
formação escolar específica (quando tem) é incompatível com
a função exercida.
Na vida real, são geralmente pessoas frustradas devido ao
fracasso na realização de seus anseios mais íntimos. Por
exemplo, alguns não sabem o que é lençol freático. Se não
sabem, como entender as variações dele (lençol) em relação
à maré ou aos altos índices pluviométricos (principalmente
do verão) em uma cidade como a nossa, que tem geografia e
geologia tão particulares. Um verdadeiro perigo,
principalmente, quando o cargo dá poder de
"polícia".
Munidos da autoridade do cargo, passam, inconseqüentes, a
buscar BODES, principalmente para justificar seu trabalho (ou
satisfazer o Ego). Devem pensar que quando maior o BODE, maiores
serão as "medalhas" recebidas e melhor justificam
seus empregos. Assim, bastando apenas uma denúncia, um
telefonemazinho qualquer, uma fofoca, um disque-disque, SENDO UM
ALVO BEM GRANDE, justifica, de pronto, uma comitiva.
E lá vão "eles". Pelo caminho, vão discutindo a
grande vantagem de ter encontrado um BODE. Excitados, não olham
por onde passam muito menos onde e no que pisam. Ficam, por sua
conveniência, cegos. Não vêem por exemplo, as criminosas
lixeiras e suas conseqüências para a saúde pública. Não
sentem o odor insuportável do xorume que escorre para o riacho
mais próximo. Não enxergam os esgotos sanitários despejados
pelas residências diretamente no leito do rio, por exemplo, o
do Perequê Mirim, ou do Rio Escuro, ou da Barra da Lagoa, e
todos os pequenos cursos e nascentes d`água que vão em
direção ao mar. Não percebem nem mesmo, as simples
barraquinhas que manipulam alimentos ao ar livre, ou a baba da
salmoura (de boca em boca) dos vendedores de milho, ou os
"expositores" de alimentos dos barzinhos de beira de
estrada, construídos nos acostamentos, ou a lanchonete do tudo
por um real, ou as águas servidas que escorrem pelo centro da
cidade (até mesmo em frente da Santa Casa) até coisas
intestinas (de responsabilidade da própria função).
Nada, disso importa (para não alongar uma lista interminável
de absurdos em uma escala de prioridades, de maior para menor
importância, que teriam de ser coibidos) para a tal autoridade,
se ela pensar ter encontrado um BODE. Larga tudo. Fecha até o
escritório. Sai correndo. Não dá, nem mesmo a descarga depois
de usar a privada.
Afinal, por um BODE, tudo se justifica. O que os "
caçadores" de BODES não sabem, é que nem sempre, o ALVO
é um BODE ou tem vocação para BODE e não se sente
confortável quando lhe querem "travestir" dessa
detestável figura. Alguns alvos, esquecidos de que estamos em
um regime democrático, temerosos pela ação coercitiva do
poder de polícia e receosos do instrumento
"perseguição" ser utilizado, aceitam. Outros, que
sabem que dentro de uma democracia, mesmo defeituosa, tem
direitos protegidos por lei e que também as autoridades estão
sujeitas a ela (até mesmo por abuso de poder no exercício de
suas funções) reagem. Por exemplo, dentre muitos que conheço
e muitos outros que não conheço, eu.
Ubatuba, 16/01/2001
Ronaldo Dias
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