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Ronaldo Dias

Bode Expiatório

Certa feita escrevi uma crônica, sobre esta tão folclórica e utilizada figura, O BODE EXPIATÓRIO. Nela, expliquei detalhadamente a figura ( O BODE) e quem as utiliza; dentre elas, algumas "otoridades" ávidas de justificar seu emprego (geralmente político, ou seja, não concursado) cuja formação escolar específica (quando tem) é incompatível com a função exercida.

Na vida real, são geralmente pessoas frustradas devido ao fracasso na realização de seus anseios mais íntimos. Por exemplo, alguns não sabem o que é lençol freático. Se não sabem, como entender as variações dele (lençol) em relação à maré ou aos altos índices pluviométricos (principalmente do verão) em uma cidade como a nossa, que tem geografia e geologia tão particulares. Um verdadeiro perigo, principalmente, quando o cargo dá poder de "polícia".

Munidos da autoridade do cargo, passam, inconseqüentes, a buscar BODES, principalmente para justificar seu trabalho (ou satisfazer o Ego). Devem pensar que quando maior o BODE, maiores serão as "medalhas" recebidas e melhor justificam seus empregos. Assim, bastando apenas uma denúncia, um telefonemazinho qualquer, uma fofoca, um disque-disque, SENDO UM ALVO BEM GRANDE, justifica, de pronto, uma comitiva.

E lá vão "eles". Pelo caminho, vão discutindo a grande vantagem de ter encontrado um BODE. Excitados, não olham por onde passam muito menos onde e no que pisam. Ficam, por sua conveniência, cegos. Não vêem por exemplo, as criminosas lixeiras e suas conseqüências para a saúde pública. Não sentem o odor insuportável do xorume que escorre para o riacho mais próximo. Não enxergam os esgotos sanitários despejados pelas residências diretamente no leito do rio, por exemplo, o do Perequê Mirim, ou do Rio Escuro, ou da Barra da Lagoa, e todos os pequenos cursos e nascentes d`água que vão em direção ao mar. Não percebem nem mesmo, as simples barraquinhas que manipulam alimentos ao ar livre, ou a baba da salmoura (de boca em boca) dos vendedores de milho, ou os "expositores" de alimentos dos barzinhos de beira de estrada, construídos nos acostamentos, ou a lanchonete do tudo por um real, ou as águas servidas que escorrem pelo centro da cidade (até mesmo em frente da Santa Casa) até coisas intestinas (de responsabilidade da própria função).

Nada, disso importa (para não alongar uma lista interminável de absurdos em uma escala de prioridades, de maior para menor importância, que teriam de ser coibidos) para a tal autoridade, se ela pensar ter encontrado um BODE. Larga tudo. Fecha até o escritório. Sai correndo. Não dá, nem mesmo a descarga depois de usar a privada.

Afinal, por um BODE, tudo se justifica. O que os " caçadores" de BODES não sabem, é que nem sempre, o ALVO é um BODE ou tem vocação para BODE e não se sente confortável quando lhe querem "travestir" dessa detestável figura. Alguns alvos, esquecidos de que estamos em um regime democrático, temerosos pela ação coercitiva do poder de polícia e receosos do instrumento "perseguição" ser utilizado, aceitam. Outros, que sabem que dentro de uma democracia, mesmo defeituosa, tem direitos protegidos por lei e que também as autoridades estão sujeitas a ela (até mesmo por abuso de poder no exercício de suas funções) reagem. Por exemplo, dentre muitos que conheço e muitos outros que não conheço, eu.

Ubatuba, 16/01/2001

Ronaldo Dias

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