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Caminhos e Labirintos
Em nome da normatização da “programação visual” do município, esta
semana deu caça as placas, faixas e tabuletas indicativas. A chiadeira maior, e
com razão, foi por conta da surpresa. Não houve nenhum aviso oficial ou
notificação. Um rapa. Uma ação coercitiva e prejudicial tanto aos proprietários
das placas quanto aos usuários, merecia uma ação pensada, planejada e
coerente.
No mínimo, esperava-se a substituição imediata por outras dentro do “padrão”.
Afinal, estamos, pensamos ou nos iludimos estar em um município turístico. A
pergunta é: existe e já esta devida e legalmente aprovada a nova normatização?
Parece que não. E enquanto isso? A poluição visual das várias formas de
indicação e /ou divulgação através de placas, faixas e etc, é, sem sombra
de dúvidas uma agressão a nossa paisagem.
Como elas, há uma enormidade de outros agentes não menos e tão mais
“poluidores” da paisagem que foram preteridos da “caça”. Porque será? Dão
mais trabalho? As caças reagiriam com violência? Haveria maior prejuízo político?
Precisaria de mais coragem? Caça é caça.
A “presa” mais atual pode-se constatar nos “campos’ da praça da Exaltação
a santa Cruz. Barracas vermelhas (horríveis) “adornadas” por pontaletes de
eucalipto fincados no passeio público (que jamais será consertado) pintados
também de vermelho vivo, com uma bandeirola “festiva” na ponta. Lindos!
Afora o manuseio de alimentos ao ar livre (nos moldes dos carrinhos de lanche)
sem higiene e sem sanitários, o lixo malcheiroso deles, de cada dia, se avoluma
nas esquinas, revirados a todo instante por catadores de latinhas e mendigos a
procura de restos de vinho quente ou quentão. Qualquer um pode ter direito ao
“mau gosto” desde que o tenha dentro de sua casa. Nunca em uma área pública
e principalmente em uma cidade turística. Da vergonha.
Duas outras, mais antigas, são a feirinha paraguaia e suas lonas multicoloridas
aposta em túmulos gigantes, de frente para o mar, numa verdadeira obra de
arquitetura insana e os afamados carrinhos de lanche espalhados pela avenida
Iperoyg (e pelas ruas da cidade). Poderíamos ainda citar as “maravilhosas”
“butiques de praia”, as exposições de redeiros, de móveis na beira da
estrada, o camelódromo da Praia Grande, os depósitos de areia e pedras nas vias
publicas, as placas da SABESP (sabendo usar não vai faltar) a da Cooperativa de
esgoto da praia Grande (caindo aos pedaços) as faixas oficiais amarradas em
postes e arvores.
Nossa!!! Quantas caças a serem caçadas. O problema é que não há “bala”
para estas caças. Muito mais fácil atirar naquelas (estáticas) que
(aparentemente) pouco revidam. Muito barulho. Até quando? Nenhum excesso de boa
vontade pode eximir o planejamento. Principalmente daqueles que “estão a soldo
da comunidade”. O resultado é um monte de ações desencontradas e
desordenadas de efeitos pífios (como os abandonados mirantes). Existem vários
caminhos que levam a um mesmo lugar. A cidade e sua economia precisa urgente é
de resultados práticos. Chega de labirintos. Desse tipo de caminho (tentativa e
erro) já conhecemos e estamos cansados. De todos.
Ubatuba, 22/07/2002
Ronaldo Dias
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