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Ronaldo Dias

Demografia, Ocupação e Meio Ambiente

Como não sou um técnico especializado em nenhum dos títulos acima, peço de saída desculpas por alguma “bobagem” que possa estar escrevendo quando pretendo dar uma opinião sobre estes assuntos. Sou uma pessoa que tem como conceito e prático, dentro das minhas possibilidades e conhecimentos a preservação do meio ambiente em todos os seus sentidos.

A proteção, a preservação e a manutenção do meio ambiente, esta ligado diretamente à demografia. A população mundial cresce, e em algumas regiões, a índices assustadores. Também os fluxos migratórios internos, principalmente em busca de oportunidades e ou melhoras de qualidade de vida dos indivíduos, agravam a ocupação dos espaços. Vamos tomar como exemplo a nossa região. Com o advento da Rio Santos, saímos da posição de “isolados do mundo” e nos últimos 25 anos assistimos a um crescimento populacional com índices inacreditáveis.

Das pacatas cidades de veraneio, de difícil e demorado acesso, apenas para quem podia, para uma explosão na construção civil. A falta de mão de obra para atender esta demanda, tão compulsiva, foi o fator determinante para “provocar” o crescente fluxo. Uma região maravilhosa, inexplorada, mágica, onde não havia mesmo parâmetros de “preços” imobiliários, foi outra determinante de todo tipo de empreendedores em busca do lucro rápido e, de certa forma, fácil.

A população daquela época, pacata, com seu estilo, características, cultura e identidade próprias, foi, digamos assim “atropelada” por esse verdadeiro maremoto. Não houve tempo para legislar e muito menos regras pré-definidas para ocupação dos espaços. A população pouco se beneficiou ou teve proveito deste crescimento desordenado. Os espaços foram sendo tomados por pessoas das mais diferentes origens, classes sociais e culturas.

Em um primeiro instante, acredito ter sido um “choque” de altíssima tensão. A absorção deste novo quadro dilui-se ao longo destes anos. Esta explosão possivelmente desnorteou o planejamento da ocupação da região muito antes que se pudesse avaliar seu potencial como destino turístico. Uma vocação nata e indiscutível. As legislações que vieram, quando não de apoio ao “caos” de ocupação que se instalaria, foram tão restritivas, principalmente as estaduais, que, ao invés de estancar a “hemorragia”, por falta de aplicação e de investimentos para manter as restrições, provocou “infecções” generalizadas, com a bandeira protelatória e de futuro inconseqüente do “tudo pelo social”.

Apenas as restrições legais com a intenção de preservação, foram tão radicais que afastaram investimentos em projetos perenes que pudessem dar um “norte” de alternativas econômicas para atender as necessidades básicas da crescente população. Os melhores espaços foram ocupados com empreendimentos findos, como prédios de veraneio. Os espaços acessórios com atividades comerciais e, a orla, em quase sua totalidade, entregue ao subemprego e/ou ao comércio ambulante.

A vocação turística e a náutica (crescemos de costas para o mar) permanecem. As restrições também. São praticamente as mesmas. As populações continuam crescendo. Crescimento vegetativo e, pelo fluxo migratório. Os investimentos em infraestrutura não vêm, ou demoram tanto a chegar ou a concluir-se, (como o saneamento básico, por exemplo) que seu benefício não aparece. Neste quadro, falar em preservação do meio ambiente é muito mais fácil do que fazer alguma coisa concreta por ele. Salvo poesia.

Alguns obstinados, sérios, e suas Ongs e ou, associações tentam sem apoio sucesso em batalhas desta guerra sem fim. Outros, já devidamente instalados, consideram apenas seus, o meio ambiente de todos nós. Estes lançam bandeiras escusas de preservacionismo de retórica, esquecendo-se dos próximos, como se o centro do mundo fosse seus umbigos. Não raramente conseguem algum sucesso, temporário, mas conseguem impedir ou mesmo afastar investimentos sérios, criadores de emprego e renda, tão necessários a nossa população tão carente e privada de alternativas de futuro. A ocupação e as restrições como estão, são perniciosas para a população e para o meio ambiente. A adequação se faz urgente e necessária sob pena de assistirmos o homem morrendo de fome, contemplando o palmito.
Quero crer que o meio ambiente ainda não esta aí para apenas meia dúzia de “escolhidos”.

Ubatuba, 29/05/2002

Ronaldo Dias

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