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Em poucas palavras... que temos, devemos
e podemos.
Sofremos com a falta de conhecimento dos conceitos básicos do
que é o Turismo como atividade econômica. O pouco turismo que
temos e que conhecemos, não foi o turismo que criamos. Ele,
simplesmente aparece e tem se misturado com o veraneio.
Por desconhecimento ou apenas por costume, tornou-se comum por
aqui chamá-los todos de turistas, o que não é verdade. Quem
por exemplo, mora em São Paulo ou em qualquer outro lugar e tem
uma casa em Ubatuba, esta casa é do que se chama, veraneio
(passar o verão, segundo o Aurélio).
Assim, quando esta pessoa vem, empresta ou aluga (o que é mais
comum) seus ocupantes são veranista. Não são turistas. Mesmo
quando, usam qualquer dos “equipamentos” turísticos da
cidade. O turista, por conceito básico, fica hospedado em meios
de hospedagem oficiais, ou sejam os hotéis, pousadas, pensões
e estalagens. Ele, ao contrário do veranista, vem com objetivos
diversos. Enquanto o veranista como o nome explica, vem atrás
do verão.
O turista, tem o verão, não como principal, mas como
acessório. Vem em busca de “viver” Ubatuba. Do
desconhecido, da aventura, de novas emoções, de conhecimento,
da geografia, da paisagem, da história, da cultura, dos
costumes, do artesanato, da culinária e da arquitetura da
cidade.
O nosso grande engano é que criamos uma “cultura” veranista
e queremos porque queremos mudar os hábitos destes, que por
definição, se vão, todos, aos primeiros sinais do outono.
Qualquer que seja o esforço em “atraí-los” a partir de
então é simplesmente inócuo. Os veranistas, como o próprio
nome define, além de raras ocasiões(de pagar os caseiros por
exemplo), voltarão apenas, e só quando, o próximo verão
chegar. O que nos resta é então e apenas então somente o
turista. Esse sim é o trigo que precisa ser plantado, regado e
adubado para florescer. Este sim é que nos levará a um
desenvolvimento social e econômico. Este sim virá no outono,
no inverno, na primavera e também no verão.
Só o turista, faz TURISMO. Se toda a população e as pessoas
envolvidas nas atividades ditas “turísticas” tivessem essa
consciência e esse simples discernimento, poucas palavras
bastariam. Aí, os nossos velhos caminhos tomariam o rumo certo.
Valorizaríamos mais o que temos e o que somos. Saberíamos
fazer o que devemos. E o mais importante, onde poderíamos
chegar...
Em poucas palavras. Então, o que temos, o que devemos e o que
podemos?
Ubatuba, 07/03/2001
Ronaldo Dias
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