Para quem acredita que o nordeste esta fazendo a festa na temporada, leia o artigo abaixo.
Ronaldo Dias
EXCESSO DE HOTÉIS
Preços baixos esmagam a hotelaria no Ceará
Os números otimistas do turismo atraíram investidores e duplicaram a capacidade hoteleira de Fortaleza nos últimos anos,
estabelecendo uma concorrência acirrada. A oferta de hoje já ultrapassa os 24 mil leitos e a demanda está retraída em
função do empobrecimento da população, que perdeu o seu poder de compra.
Baixa ocupação, temporadas de férias cada vez mais curtas e oferta excessiva de leitos estão levando os hotéis de
Fortaleza a uma grave crise, que já vem provocando desemprego e fechamento de alguns estabelecimentos.
Para amenizar o problema e ganhar o mercado, os hoteleiros assinaram um contrato de risco, estabelecendo uma política de
preços baixos que os leva ao fundo do poço. Vale tudo na guerra de preços. Até diária de US$ 7,00 em hotel de três
estrelas.
A situação levou a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis - Secção Ceará (ABIH-CE) a reunir seus associados para
ouvirem uma palestra de quem está do outro lado do “balcão”. O operador Eduardo Pinto Lopes, diretor presidente da
TerraBrasil, de Portugal, compareceu à sede da entidade e falou sobre “Política de preços da hotelaria cearense na visão
de um operador português”.
O palestrante foi apresentado pelo presidente da ABIH-CE, Eliseu Barros, que externou sua preocupação com o momento de
crise e sugeriu a união de todos na busca de uma solução. Eliseu destacou a falta de integração dos hoteleiros e disse
que “não é através de tarifas baixas que vamos melhorar”.
Eduardo Lopes, que já operou com charter da TerraBrasil de Portugal para o Ceará, em 1999, disse que está havendo, em
Fortaleza, uma desagregação do destino por causa da política de preços. Para justificar, ele fez um comparativo em
relação a Natal e mostrou como a situação se inverteu em Fortaleza.
Segundo Eduardo, em 1999, Fortaleza tinha o dobro dos vôos de Natal, a tarifa dos hotéis era o dobro, a ocupação muito
superior e tinha estratégia. Hoje, passados três anos, Natal foi à luta, conquistou mercados e tem preços mais altos,
ocupação igual, mais vôos e estratégia. Fortaleza perdeu seu diferencial, parou no tempo e pratica preços baixos sem
resultados na ocupação. Um hotel de cinco estrelas, por exemplo, que naquela época cobrava US$ 135,00, hoje cobra apenas
US$ 50,00.
Diferente de outros operadores, Eduardo disse que não interessa tarifa baixa e fez algumas recomendações para salvar a
hotelaria:
• Uniformizar critérios e definir parâmetros de acordo com a classificação, estabelecendo preços máximo e mínimo;
• Aumentar os mercados emissores para não ficar mordendo o calcanhar um dos outros;
• Agregar valores à cidade e criar mix com outros hotéis do Brasil;
• Agregar produtos para os públicos jovem e da melhor idade;
• Passar as regras do jogo para os parceiros internacionais.
Como o parâmetro era Natal, Eliseu Barros aproveitou para fazer um comparativo em relação à cidade. Apesar das chuvas,
Natal está limpa, com vias em perfeito estado de conservação e ruas ajardinadas no seu bairro mais famoso - Ponta Negra.
Como no primeiro caso, Fortaleza também apresenta situação inversa.
CHARTER - Um alento para os hoteleiros foi anunciado por Eduardo Lopes, Ele iniciou o retorno dos vôos semanais da
TerraBrasil, Lisboa/Fortaleza, no dia cinco deste mês, até cinco de maio e, depois, de cinco de julho até nove de
janeiro de 2004. A TerraBrasil utilizará aeronave com capacidade para 272 pessoas e ocupará vários hotéis de Fortaleza
Fonte: http://www.diariodonordeste.globo.com / Mauro Guimarães