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Ronaldo Dias

O excesso e a falta de zelo

Como sempre, todo verão a cidade lota. E quando lota, lotam os depósitos de problemas. Os responsáveis pelos serviços públicos são excessivamente solicitados. Para tudo e por todos. Principalmente por aqueles que querem, no caos instalado, garantir seus direitos.

Esquecem-se que seus direitos terminam ou iniciam-se quando, e só quando, iniciam-se os dos outros. Assim, pelo nível de importância, são por exemplo " tolerados" pequenos delitos. Da vadiagem, perturbação da ordem, atentados ao pudor até bebidas alcoólicas ao volante. O resultado, bandidos e foragidos, disfarçados de mendigos ou tomadores de conta de carro. Brigas de gangues. Linchamento de adultos e crianças nas famosas brigas da avenida, nos pontos que qualquer desinformado sabe.

Som com muitos decibéis acima do permitido e suportável aos ouvidos, nos carros discoteca. Instalação do hábito de defecar e urinar acintosamente, até mesmo em plena luz do dia, pelas ruas, muros e praças do centro da cidade. Bicicletas na contra - mão nas ruas e trafegando pelas calçadas, disputam com os Skates o numero de acidentes que provocam.

Menores desfilam, tranqüilos, bebendo litros de vinho Chapinha, ou qualquer outra bebida, desde que tenha alto teor alcoólico. Motoristas exibem "másculamente" suas latinhas de cerveja ao volante, que atiram pelas ruas, logo que vazias. Tudo isso e muito mais, pode ser visto por quem, simplesmente olhar. Não é preciso, nem ao menos, prestar atenção. Tudo se passa, quase ao mesmo tempo. É só estar no CENTRO da cidade, e olhar. Ou sofrer.

Nada disso é ao menos coibido. As desculpas são as mais in convincentes possíveis. Sempre. A tal da TOLERÂNCIA ZERO aplicada em NY foi porque, após estudos e pesquisas, chegou-se à conclusão, que o descaso, a permissividade, a tolerância com o pequeno delito se torna à semente dos problemas e da violência maior.

Não tenho formação policial, mas acredito que em uma situação de caos de atendimento, com tantas ocorrências e escassos recursos humanos e principalmente viaturas, a seleção, considerando a gravidade dos problemas para atendimento, seria muito mais que elementar e sensato. Seria Inteligência. Vou contar, resumidamente, o que aconteceu comigo, que resultou em um BO (segundo o policial) na data de 13/01/2001. O policial desconcertado deixou até o número, mais eu perdi.

Um hóspede, que permaneceu sete dias com a sua família, em dois apartamentos, queria pagar apenas um, mesmo tendo preenchido ficha para os dois e assinado termo de compromisso na entrada da estadia, concordando com o disposto na hospedagem. Achando-se mesmo assim, cheio de razão, chamou uma viatura. Rapidamente, não veio uma, mas DUAS. Duas viaturas. Quatro policiais. Quatro policiais para atender um chamado sem a mínima, ou qualquer importância.

A cena foi cinematográfica. O despreparo para a situação e no trato com os cidadãos, lamentável... Só para se ter uma idéia, vou traduzir a frase do policial, cujo nome deve constar no tal BO, dirigida a mim na frente de inúmeras testemunhas (hóspedes assustados e funcionários) que assistiam a cena (cinematográfica, repito):...

" ... se o Sr não fizer um acordo sobre a conta, vou ter de levá-los para a delegacia..." informei-o que não era o caso e que nem eu, muito menos nenhum funcionário meu ( em horário de trabalho) com tantos hóspedes a atender iria a delegacia naquele momento... "O Sr está desacatando minha autoridade", replicou... Brincadeira?

Terminou? Não! Respondi-lhe apenas, que agindo desta forma, em tom de ameaça, estava abusando desta sua prerrogativa, em relação a mim, simples cidadão. Isso sim. Calou. A primeira viatura, para (provavelmente) avisar que iria sair, e o portão automático da saída estava fechado, promoveu um Show Pirotécnico, de luzes e som, disparando a sirene dentro do meu estabelecimento e da minha casa, pois moro nele, até que alguém pudesse entender, que dentro daquela confusão absurda, uma, das viaturas queria sair rápido. Muito rápido. Quem sabe para perseguir alguns bandidos, ocupantes de uma opalão velho, rebaixado, de vidros fume, com 5 ou 6 suspeitos dentro. Quem sabe? Faz muito tempo que não assisto uma cena desta. Na verdade era corriqueira quando naquela D 20 velha (aposentada) trabalhavam juntos o CRUZ, CARLINHOS, MONTEIRO e o CARPINETE.

Por falar em coisas do passado, meu tio, Coronel aposentado, me contou uma história (aquelas pra criança dormir) quando passei um fim de semana em sua chácara, que terminava com uma frase que guardei para sempre. Não sei se a frase é dele, provavelmente não, mas a lição dada por um tio querido e um Coronel tão truculento, tenho-a como certa até hoje: "Mais vale um exército de carneiros comandados por um Leão do que um exército de Leões, comandados por um carneiro". Será ainda uma verdade?

Cabe lembrar ao leitores, que tanto eu, como os meus negócios na cidade, não somos desconhecidos. Estamos aqui há 26 longos anos. O caso acima relatado (não porque me considero um cidadão acima de qualquer suspeita) poderia, pela simplicidade, ser resolvido, como foi (vou cobrar judicialmente o hóspede mau caráter) por um simples telefonema. E se fosse grave? Aí sim, uma, duas, três, viaturas, helicópteros, tropa de choque, ou, em último caso, importar a SWAT.

Onde estará a falta, ou o excesso de zelo? Agora, se todo este verdadeiro e ofensivo espetáculo, tinha a pretensão de encontrar aqui um BODE EXPIATÓRIO, (como já escrevi inúmeras vezes) não tenho a mínima vocação para essa figura.


Ubatuba, 16/01/2001

Ronaldo Dias

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