|
Feliz 2002 e 2003
Para quem conhece e esta acostumado com o ciclo econômico da
ocupação hoteleira e com a freqüência dos veranistas,
hoteleiros, proprietários de restaurantes, lojistas e demais
comerciantes poderão ser pegos de surpresa nos dois próximos
anos, 2002 e 2003, quando os principais e tão esperados
feriados não trarão alento ao caixa até a tão (e sempre)
esperada temporada. Estas datas no calendário dos respectivos
anos figuram nos sábados e domingos. Tal fato dá a dimensão
da importância do faturamento do próximo verão. Não se
enganem os otimistas de plantão com “fins de semanas” mais
consistentes para os referidos anos. Vai faltar fôlego.
Como não há, e nunca houve um “plano” coletivo para criar
alternativas que pudessem contribuir com o aumento da ocupação
na baixa temporada, teremos sim, uma prova de fogo. Sentiremos
que a simples “ordenha” como tem acontecido, não produzirá
“leite” suficiente. A boa, passiva, cada vez mais magra, mal
nutrida e explorada “vaquinha” poderá ir para o brejo. Vai
ter muitos “ordenhadores”, de banquinho de um pé só,
sentados na posição errada.
Nada de pessimismo. Não. Mas o que temos, ou se tem feito pelo
turismo? Absolutamente nada. Vamos apenas “colher” o que
plantamos. Nem novos, muito menos velhos caminhos. Estamos
parados no tempo. Esperando que alguém faça. Esperando algum
milagre. Quando não se planta, o capim toma conta. As pragas se
alastram. A coisa fica muito mais feia.
Mas, parece que não há responsáveis. Não somos
responsáveis. Nem mesmo os que recebem para tanto, parecem
sentir-se com alguma obrigação ou compromisso com a economia a
cidade. Não temos um plano, muito menos um planejamento. Tudo
acontece porque tem de acontecer e pronto! Não há interesse
coletivo. Donos (temporários) de algum poder criam feudos e
fazem o que e como querem (vide por ex. o DNER). Quando se vão,
deixam (displicentemente) o rastro das bobagens e dos estragos
que fizeram para os próximos ocupantes de suas ensebadas
cadeiras.
Assim temos sofrido, muito e desnecessariamente por conta da
insensatez. Os exemplos estão aí para quem quiser e conseguir
ver. Muitos municípios bem menos aquinhoados pela mãe natureza
do que o nosso, estão despontando como importantes destinos
turísticos fazendo coisas, até simples, com resultados
surpreendentes. Deitados sobre a nossa “natureza esplendida”
que já fez a sua parte, estamos esperando (como sempre) que ela
faça também o nosso trabalho. Até quando? Até o calendário
ajudar. Belo exemplo para os nossos filhos e netos. O que
recebemos e o que estamos deixando para eles? Feliz 2002 e 2003
Ubatuba, 01/10/2001
Ronaldo Dias
|