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FOME: o flagelo
de uma causa ou de uma conseqüência?
Lula esta certo. A fome é o
maior flagelo humano. Vamos acabar com ela! O ser humano consegue suportar inúmeras agruras mas, perece sem alimento.
Mas, o que vale viver, por exemplo, sem dignidade? Receber um prato de comida, na hora da fome é salvador, mas receber
condições de “ganhar”, com o próprio suor, o sustento é gratificante e tão necessário quanto o próprio alimento.
Como seria receber “eternamente” 3 refeições por dia doadas pelo governo? Ter casa própria, doada pelo governo; ter um
pedaço de terra doado pelo governo; ter saúde, doada pelo governo; ter educação, doada pelo governo. Ter mesada, bancada
pelo governo; ter férias; bancada pelo governo. Ninguém mais precisaria trabalhar? Quem não mereceria? Quem não
aceitaria? Quem pagaria tudo isso? Esta semana, uma reportagem sobre os deslizamentos em Minas Gerais, causados pelas
fortes chuvas, a família mais atingida, inclusive com perdas de vidas, tinha voltado para esta área de risco, após VENDER
a casa, que tinha recebido da prefeitura, em local adequado. Ganharão outra casa? Quantos ganharão?
Muitos dos Sem Terras, aquinhoados com “áreas” bastante razoáveis,para plantar seu “sustento” e ainda casa, sementes,
assistência técnica etc, também vendem “seus direitos” sobre estas terras para “entrar na fila” novamente para receber
mais um “PEIXE”. Nestes casos todos, a ação humanitária, do prato de comida, vira meio de vida. Afinal, os recursos são
escassos e finitos, além do que, quem não recebe é que , mesmo indiretamente, acaba pagando essas contas todas.
Contas que chegam em forma de impostos (que diminuem investimentos e empregos), juros extorsivos, alta nos combustíveis,
em custos elevados nas prateleiras dos supermercados, nos investimentos na saúde, na educação e na segurança de quem esta
na ativa. Trabalhando. Produzindo. Além é claro, de penalizar os aposentados que não recebem para os remédios. Uma bola
de neve. Parece que a equação, “fome”, não é tão simples. Acredito na dignidade humana e, assim sendo, o emprego, não
mais um “PEIXE”. É a “vara de pescar”.
O que adianta tantos impostos, que tanto oneram as folhas de pagamentos, e tantos “direitos” trabalhistas, se apenas
existem para aqueles que estão empregados? Porque é tão desproporcional as aposentadorias do setor público em relação ao
privado? Porque não desonerar a produção? As exportações, a agricultura? A pecuária? Porque não investir no turismo se é
a indústria que mais cria empregos? Porque o BNDES só financia grandes empresas e privatizações? O Banco mudou de nome? O
que quer dizer o “S” deste banco?
Não é fácil achar o fio desta meada. Tenho sim, muita esperança neste novo governo. Afinal é nossa única alternativa.
Mas, fico em dúvida em tudo que leio, vejo e ouço. Da retórica a ação tem muita “estrada”. Por enquanto, acredito até
pela reserva que me faz a idade, tenho como certo que: A fome, não é causa. É muito mais, conseqüência.
Ubatuba, 28/01/2003
Ronaldo Dias
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