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Game Over
A globalização atinge, vejam só também nossas eleições. Ela tenta
influenciar o eleitor discriminando o resultado favorável e este ou aquele
candidato. O deus mercado influencia as taxas de juros, os papéis da dívida
externa derruba bolsas em um piscar de olhos nas pesquisas eleitorais. A certeza
é que, ganhe quem ganhe, para o eleitor, as turbulências trarão sempre seus
efeitos colaterais.
Tenho uma tese de que vivemos uma ditadura democrática. Existe isso? Na
prática, a rígida estrutura política dos partidos tem, nestes longos anos,
impedido o acesso de novos nomes. Novos, não só nos nomes, mas de candidatos
jovens, com formação específica, freqüentadores de muitos anos de banco de
escola, aptos à participar da vida política do país. O que vemos é justamente
ao contrário. Os velhos e sempre os mesmos “caciques” narcisos,
manipuladores, donos de todas as nossas verdades. Escondidos atrás do
revanchismo verde-oliva, a quem tanto criticam (mas conviveram) pouco ou “mal-fizeram”
nestes últimos vinte anos. O resultado do tripé de sustentação de uma
sociedade (saúde, segurança e educação) está de “quatro”.
Pioramos em todas as pernas. Os investimentos em infraestrutura? Privatizados! Os
resultados estão aí para quem quer ver. By, by soberania. O que é pior, o mau
exemplo que dão e praticam, somada a longa série de eventos relatando
corrupção do ministro joalheiro de esmeraldas ás propinas das privatizações,
passando pela Georgina (saqueadora da previdência). Esse é o exemplo para os
jovens? Muito em breve o Aurélio (dicionário) trará um novo sinônimo de “político”.
Sinônimo “construído” pelos próprios.
Quando, um partido terá a preocupação básica de um programa de governo de
verdade e não estes “fabricados” de última hora pelos seus marqueteiros?
Quando, terá em suas bases a preparação de jovens para assumirem posições
políticas dentro dos respectivos partidos? Quando, os partidos terão,
realmente, preocupação com os destinos da nação? Com o futuro de seus filhos?
Bêbados de poder e pelo poder, cegos, donos absolutos das verdades absolutas
sentem-se deuses no Olimpio político. Sempre os mesmos!
Será que entre 170.000.000 de compatriotas só temos estes? Procuram, apenas
entre seus pares e, cada vez com mais dificuldade de encontrar, um nome! Um nome
que lhes proporcionem a permanência vitalícia no poder. Por uns poucos (ou
muitos) dinheiros (ou cargos) conchavam. Blefam. Ameaçam. Rompem. Atacam.
Coagem. Perseguem. Denunciam. Tudo, pela dedicação (nem sempre exclusiva) à
vida pública, como a campanha do ouro para o bem do Brasil. Este mesmo quadro
tem se repetido em todas as eleições para qualquer governo.
As necessidades dos cidadãos têm crescido muito mais que proporcional que a
capacidade política dos políticos em administrar a coisa pública. O que dirá
o país? Até quando suportaremos esse modelo político tão ditatorial,
ultrapassado e vergonhoso quanto dizem e apregoam ter sido a ditadura? Anseio
pelo fim desta democracia burra, ultrapassada e truculenta. Sonho com
carapintadas. Carapintadas de coração verde amarelo. Carapintadas de verdade.
GAME OVER!
Ubatuba, 10/05/2002
Ronaldo Dias
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