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Ronaldo Dias

Marretagem

Nenhum setor de economia cresce tanto quanto o da marretagem. Enquanto as multinacionais congelam seus investimentos e abandonam planos de expansão, os camelôs não param de abrir novos pontos de venda.

Trata-se de um negócio milionário – de outra forma os camelôs não teriam como se instalar em bairros chiques como Higienópolis, onde o metro quadrado é inviável para comerciantes menos poderosos.

Que franquia, que nada: agora que os camelôs chegaram à calçada dos bairros nobres, a classe média alta vai perceber que o melhor investimento para o futuro de seus filhos está no comércio ambulante.

Pense bem. Camelô não tem problema com cheques sem fundo. Camelô não precisa pagar comissão para cartão de crédito. Camelô trabalha com as únicas moedas estáveis do continente sul-americano: o passe e o tíquete. (Se em 1997 você tivesse convertido todas as suas economias em passe e em tíquete, em vez de aplicar em ações de empresas de tecnologia, hoje você estaria com a vida feita, e não nessa pindaíba.)

É o melhor negócio do Brasil, no momento. Você não vê nenhuma manchete dizendo CAMELÔS REGISTRAM QUEDA DE VENDAS PELO SEGUNDO MÊS CONSECUTIVO, vê? Magina. Impensável.

Você já viu camelô fechando banca? Camelô liquidando tudo para entrega do ponto? Camelô dando férias coletivas? Camelô reduzindo horário de funcionamento por causa do racionamento de energia?

Claro que existe um preço a pagar por tamanha exuberância econômica.

A calçada da sua rua, que até há pouco tempo só tinha buraco e cocô de cachorro, agora tem uma pequena sucursal de Ciudad Del Este funcionando 24 horas.

Você quer sua calçada de volta? Não adianta se revoltar. Não adianta protestar. Não adianta recorrer à violência. O capitalismo é sempre mais forte: não há como deter o progresso e a livre iniciativa.

A solução é a mesma que a revista britânica conservadora The Economist defende para o tráfico de drogas: a legalização e a regulamentação.

Não, não é preciso criar nenhuma lei diferenciada para os camelôs.

Basta aplicar a esse dinâmico setor da economia o mesmo conjunto de regulamentos, sanções pecuniárias e perseguições puras e simples a que são submetidos os não-camelôs como você e eu.

Por exemplo:

ZONA AZUL

Para estacionar junto à calçada você e eu não precisamos comprar e preencher folhas de Zona Azul? Pois então. Basta fazer o mesmo com os camelôs.
Em vez de ser fiscalizados pela fiscalização molóide da Prefeitura, eles vão ser fiscalizados pelas implacáveis e incorruptíveis garotas da Zona Azul. Com uma vantagem: como o tempo máximo permitido de permanência na Zona sul é de duas horas, os camelôs precisariam levantar acampamento a cada 120 minutos – no mínimo haveria um rodízio de ambulantes na sua porta. (Aliás, o rodízio compulsório também é outra idéia que pode ser estendida à marretagem.)

LOMBADAS ELETRÔNICAS

Por que só nós podemos ser fotografados e multados quando pisamos demais no acelerador bem na frente do radar? Ora, se os ambulantes pudessem ser fotografados e multados toda vez que se distraíssem e armassem suas bancas em ruas não-permitidas, certamente essa farra ia acabar.

IPTU REGRESSIVO

Eis aqui uma grande solução para que a Prefeitura se dedique à erradicação desse problema. Funciona assim: quanto mais ambulantes se instalam na frente do seu prédio, menos IPTU você paga. Dessa maneira, pela primeira vez os papéis se inverteriam: o contribuinte ia querer ter camelôs na calçada de casa, e a Prefeitura ia lutar para tirar os ambulantes de lá.

CHAMA O CONTRU!

O que é bom para a Gabriel Monteiro da Silva é bom para a calçada da Praça Buenos Aires. Para continuar aberto, o camelô tem que provar que aquilo ali não é banca – mas apenas um showroom.

Comentários econômicos, de autoria desconhecida, que circula pela web

Ubatuba, 29/04/2002

Ronaldo Dias

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