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Meias Verdades?!
Meias verdades não existem. A proposta da suspensão da cobrança de estacionamento nas pela Comtur é na verdade um jogo de
cena, com interesses políticos nos bastidores. Moeda de troca, ameaças, barganha dentre tantos outros adjetivos
“desqualificativos”. As justificativas da cobrança e da não cobrança padecem de fundamentos básicos.
Na verdade, a Comtur desviou-se, ou melhor, foi desviada do seu objetivo principal que era o do desenvolvimento do
turismo (única atividade econômica básica do município). Ela era uma cópia autêntica da mesma empresa ( com até o mesmo
nome que funciona, com resultados concretos e surpreendentes, no turismo de Santa Catarina). O motivo, claro é que quando
(e não durou muito) foi descoberta como uma possibilidade de cabides de emprego, tornou-se um guarda roupa. Dos grandes.
A partir de então, com toda sua administração nomeada (pelo sócio majoritário) pela prefeitura, segue o mesmo curso. Os
sócios empresários, tornam-se, por óbvio, meros concordes. O legislativo, a quem caberia a sua normatização, até hoje,
silente.
Por que será? Desinteresse por assunto tão relevante? Desconhecimento do que representa o turismo para toda a população?
Incapacidade? Cegueira? Medo? O que será? Será? O que esperar do município, com uma única possibilidade econômica (o
turismo), que praticamente não tem nenhuma verba orçamentária para este fim? Quem não proveu? Quem deveria? Será que
tantos não enxergam a necessidade? Ou não enxergam o turismo? Ou pensam que turismo é feito de centenas barraquinhas e
licenças de ambulantes? Tudo de graça? E quem paga as contas? O turismo, não tem verba!
Ora, ora... Não é com a cobrança do estacionamento que desenvolveremos o turismo. Também, não será apenas deixando de
cobrar que nomearemos falsos heróis. Vamos aguardar, mais essa temporada, a ressaca do Reveillon, para mais uma vez,
constatar o quanto precisamos de um trabalho sério, consistente e planejado para encher as panelas e criar empregos e
oportunidades consistentes para os nossos filhos. Um futuro melhor do que uma licença de ambulante ou um emprego de
balconista em uma loja qualquer.
Um município, que tem 80% de sua área de preservação, acredito que pelo seu inestimável valor patrimonial paisagístico,
degradado ano a ano, pela falta de infra-estrutura para uma super ocupação que assistimos na passagem do ano, não precisa
de nada? Quem fiscaliza a degradação? A á ocupação? O mau uso? Quem repõe? Ano a ano estamos perdendo uma grande parcela
do que queremos preservar. O fétido esgoto da Praia Grande, desembocando no Itaguá, prova que não existe uma relação
coambiental entre as duas praias, entre tantas outras “cositas mas”. E olhem, qualquer narina não se deixa enganar.
Não se engana por muito tempo uma torcida. Principalmente quando o time é ruim, e de bola, sabe apenas, que deve ser
redonda. Além do mais, só desavisados, cegos e surdos acreditam em meias verdades. Não é mesmo?
Ubatuba, 09/01/2003
Ronaldo Dias
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