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Ronaldo Dias

Minestrone - O Erro

A iguaria, de hábito italiano, consiste em juntar as sobras aproveitáveis de alimentos, e com eles, preparar uma substanciosa sopa. Na receita original vale tudo. O resultado, se a mão da mama ou da nona for boa, ou quando elas, astutas, atrasarem para servir o jantar (aí aumenta o apetite) agrada aos mais experientes gourmets. Principalmente os de "areque" chegados em pratos "econômicos".

Não temos por aqui, grandes influências da culinária italiana por mais que alguns restaurantes se esforcem para "abrasileirar" alguns pratos em seus cardápios. Nossa! Como tem coisas malucas em alguns cardápios. "Serve bem duas pessoas"!!! Bom, o resto, é pizza. E até que algumas, deliciosas. Toda essa introdução para chegar em uma tese do nosso erro no passado. Erro fatal. Erro que afugentou os clientes das nossas "mesas".

Vamos lá: Quando, naquela época, chegar em Ubatuba já era uma aventura, aqui a simplicidade na hospedagem e nas mesas dos restaurantes era "Um Charme". Era! Podemos lembrar o antigo Hotel das Toninhas, a Dna Belinha do Pereque Mirim, Fritz da enseada, ah, o antigo Parque Atlântico! Na Alimentação, a Marisqueira e seus bolinhos de bacalhau, o Princesa, o Império, os Xs isso e aquilo do Tom Bar sem portas!

Esses e outros ícones davam o tom da nossa personalidade. Tudo simples e adequado para a época e o momento. O futuro mostrava-se promissor. Outras casas e Hotéis foram aparecendo, vinham somar com a mesma filosofia dos primeiros. Seduzidos pelo forte movimento do verão de 4 meses e da freqüência da classe AA, centenas de novos migrantes, investidores e aventureiros até bem intencionados, foram chegando, para também lavrar aquela mina, chamada Ubatuba, cujos "veios" se mostravam inesgotáveis.

Trigos e joios. Não havia como separa-los. Todo o resto da história, o tempo, "senhor da razão", se incumbiu de firmar a nossa (e deles) total falta de visão. Cegos! Permitimos sem contestar, que se misturasse tudo. Pessoas completamente diferentes, de diferentes condições sociais, econômicas e culturais, no mesmo espaço físico, para não dizer na mesma "praia".

Abrigamos oportunistas, vigaristas, migrantes, mendigos, doentes mentais, desajustados, perdidos, vagabundos e arruaceiros. Fomos literalmente "invadidos". Invadiram a nossa "praia". Insistimos sempre em misturar "água" e "óleo". Não aceitamos a razão dos destilados. Colocamos todos, com tudo, em nosso caldeirão. No caldeirão do minestrone para ferver. Hoje, basta um olhar, rápido que seja, para ver a goroba que deu! O mundo evoluiu.

Hoje os produtos e serviços são "rotulados". Tem selo de composição, qualidade e validade. Os de composição duvidosa, sem garantias e ou validade, estufam suas tampas nas prateleiras e não saem. Nem mesmo em oferta ou liquidação. Assim, enquanto mantivermos essa "aparência", não seremos "atraentes". Só depois de vencida esta etapa e da conscientização, poderemos "falar". "Abrir a boca" para convidar e receber. Com o tempo, quem sabe, conseguiríamos convencer os nossos possíveis clientes, que estamos oferecendo um excelente destino turístico. Deixemos o "turismo minestrone" restrito a panela de quem gosta, aprecia, ou não sabe o que é bom, muito menos o que precisa!

Ubatuba, 05/09/2001

Ronaldo Dias

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