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Minestrone - O Erro
A iguaria, de hábito italiano, consiste em juntar as sobras
aproveitáveis de alimentos, e com eles, preparar uma
substanciosa sopa. Na receita original vale tudo. O resultado,
se a mão da mama ou da nona for boa, ou quando elas, astutas,
atrasarem para servir o jantar (aí aumenta o apetite) agrada
aos mais experientes gourmets. Principalmente os de
"areque" chegados em pratos "econômicos".
Não temos por aqui, grandes influências da culinária italiana
por mais que alguns restaurantes se esforcem para
"abrasileirar" alguns pratos em seus cardápios.
Nossa! Como tem coisas malucas em alguns cardápios. "Serve
bem duas pessoas"!!! Bom, o resto, é pizza. E até que
algumas, deliciosas. Toda essa introdução para chegar em uma
tese do nosso erro no passado. Erro fatal. Erro que afugentou os
clientes das nossas "mesas".
Vamos lá: Quando, naquela época, chegar em Ubatuba já era uma
aventura, aqui a simplicidade na hospedagem e nas mesas dos
restaurantes era "Um Charme". Era! Podemos lembrar o
antigo Hotel das Toninhas, a Dna Belinha do Pereque Mirim, Fritz
da enseada, ah, o antigo Parque Atlântico! Na Alimentação, a
Marisqueira e seus bolinhos de bacalhau, o Princesa, o Império,
os Xs isso e aquilo do Tom Bar sem portas!
Esses e outros ícones davam o tom da nossa personalidade. Tudo
simples e adequado para a época e o momento. O futuro
mostrava-se promissor. Outras casas e Hotéis foram aparecendo,
vinham somar com a mesma filosofia dos primeiros. Seduzidos pelo
forte movimento do verão de 4 meses e da freqüência da classe
AA, centenas de novos migrantes, investidores e aventureiros
até bem intencionados, foram chegando, para também lavrar
aquela mina, chamada Ubatuba, cujos "veios" se
mostravam inesgotáveis.
Trigos e joios. Não havia como separa-los. Todo o resto da
história, o tempo, "senhor da razão", se incumbiu de
firmar a nossa (e deles) total falta de visão. Cegos!
Permitimos sem contestar, que se misturasse tudo. Pessoas
completamente diferentes, de diferentes condições sociais,
econômicas e culturais, no mesmo espaço físico, para não
dizer na mesma "praia".
Abrigamos oportunistas, vigaristas, migrantes, mendigos, doentes
mentais, desajustados, perdidos, vagabundos e arruaceiros. Fomos
literalmente "invadidos". Invadiram a nossa
"praia". Insistimos sempre em misturar
"água" e "óleo". Não aceitamos a razão
dos destilados. Colocamos todos, com tudo, em nosso caldeirão.
No caldeirão do minestrone para ferver. Hoje, basta um olhar,
rápido que seja, para ver a goroba que deu! O mundo evoluiu.
Hoje os produtos e serviços são "rotulados". Tem
selo de composição, qualidade e validade. Os de composição
duvidosa, sem garantias e ou validade, estufam suas tampas nas
prateleiras e não saem. Nem mesmo em oferta ou liquidação.
Assim, enquanto mantivermos essa "aparência", não
seremos "atraentes". Só depois de vencida esta etapa
e da conscientização, poderemos "falar". "Abrir
a boca" para convidar e receber. Com o tempo, quem sabe,
conseguiríamos convencer os nossos possíveis clientes, que
estamos oferecendo um excelente destino turístico. Deixemos o
"turismo minestrone" restrito a panela de quem gosta,
aprecia, ou não sabe o que é bom, muito menos o que precisa!
Ubatuba, 05/09/2001
Ronaldo Dias
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