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Minha terra tem palmeiras...
Tudo está mudando. Estou procurando e não acho! Procuro pelo
PATRIOTISMO.
Quem viu? Quem tem? Quem ouviu falar? Onde ele está? Com quem
ele está? Onde foi parar o nosso patriotismo?
Lembro-me, como em um filme, dos desfiles de 7 de setembro. No
colégio, a preparação do desfile, os longos intermináveis
ensaios dos passos e da afinação da fanfarra eram um ritual
envolvente. No dia do desfile, o coração palpitava e o corpo
todo era tomado de emoção. Tinha a sensação de que ali,
devidamente uniformizados, transpirávamos patriotismo. As
fisionomias das arquibancadas também não mostravam outra
coisa. O Hino, a Bandeira o som dos metais, não raro levava até
mesmo as lágrimas. Nas capitais, pela tv, assistíamos multidões
acompanhando as comemorações do dia da pátria. Era o período
VERDE OLIVA e me orgulho de ter vivido nele.
Hoje, não tenho mais, e também não conheço, nenhum estímulo
ao amor à Pátria. O Que é então uma Pátria, senão um povo?
Junto com esse “despatriotismo”, podemos perceber o
descontrole das escalas de valores morais e sociais. O respeito,
a educação, a moral, a gentileza, o espírito comunitário,
enfim, todos os princípios parecem que ao longo do tempo foram,
como a moeda, perdendo seu valor. Uma Hiperinflação do desvio
de comportamento social. As pessoas, de modo geral, ficaram mais
toscas, agressivas, individualistas, seguidoras incondicionais
da “Lei de Gerson”.
Com 21 anos, na ESG (Escola Superior de Guerra) bem me lembro de
alguns princípios ditos (quem sabe exagerados para época) de
Segurança Nacional. A formação do caráter era uma, dentre
tantas tônicas a serem implementadas na formação intelectual
da população. As ações utilizavam todos os meios possíveis.
A família, a escola, os logradouros, prédios de serviços públicos,
todos os meios de comunicação, em todos os níveis municipais,
estaduais e federais. A exaltação à Pátria estava e cabia em
todos lugares. Até mesmo, nos (antigos) discursos políticos.
Quem sabe, estou saudosista de mais? Não!
Quem teve a oportunidade de assistir um 4 de julho nos E.U.A
pode confirmar que patriotismo, não é coisa do passado. Junto
com ele acho que perdemos outras coisas muito importantes. Nosso
conformismo expresso no dia a dia, travestido de paciência, nos
leva a aceitar como normal, compreensível e tolerável, até
mesmo coisas simples (simples?) como a fila nos caixas dos
bancos e nas suas máquinas eletrônicas (que substituíram os
funcionários) a nos dizer que a senha é inválida, que o
sistema está fora do ar, para digitarmos o maldito e esquecido
número do CPF ou mesmo para procurar a agência mais próxima.
Aceitamos a prepotência de algumas autoridades e de suas ações,
aceitamos o descaso de alguns funcionários públicos, aceitamos
leis e normas contraditórias que atendem apenas os interesses
de alguns, aceitamos ouvir que não sabemos votar, quando o
sistema não nos permite escolha a não ser esse ou aquele. E
muito mais! Por exemplo, qual será nossas opções para votar
em Presidente nas próximas eleições? Será, que essa
democracia não nos permitirá um nome novo? Será que dentre
quase 2000.000.000 de brasileiros teremos que escolher entre
(sempre) os mesmos? Não há ninguém mais que seja capaz? Não
há abertura política dentro dos partidos para conduzir um novo
nome? Ou nos partidos não há nada de novo e ninguém novo. De
novo? Não formaram e não prepararam jovens políticos? Ou os
jovens, mais espertos, passam longe do jargão: POLÍTICO? Quais
os exemplos que nossos jovens tem assistido nos noticiários?
Está nos faltando opções para Presidentes? Senadores?
Deputados? Juizes? Delegados? Promotores? Os poderes são nosso
alicerce. Ao povo esta faltando todos os pés do tripé: Saúde.
Segurança. Educação.
A nova economia esta deixando faltar feijão nas panelas; o que
em um país com tanta agricultura como o nosso é no mínimo,
vergonhoso. Será que não saímos do compasso? Será que
estamos arrumando tantas outras definições apócrifas para
liberdade? Será que estamos tão “globalizados” que vamos
lembrar apenas do verde–amarelo nos jogos da (péssima) seleção
de futebol? Patriotismo. Onde posso encontrá-lo? Estou com
muita saudades!
Ubatuba, 08/11/2001
Ronaldo Dias
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