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Ronaldo Dias

Mudando de assunto

Muitas as receitas tem-se sugerido para o desenvolvimento do turismo em nosso município. Dizem até mesmo que a COMTUR ressurgirá das cinzas para dinamizar esta única atividade econômica (até agora encontrada) que pode colocar feijão nas nossas panelas. Receitas complexas e custosas do tipo “reconstrução do aeroporto para receber aeronaves de grande porte; centro de convenções; construção de portais; divulgação maciça na mídia e no trade nacional e internacional, realização de grandes “eventos”, eco turismo e por aí a fora, tem aparecido. Cada uma delas, defendida ferrenhamente como se fosse única e inexorável.

As mais simples, acreditam que infra estrutura turística é a proliferação de quiosques com som ao vivo(de decibéis insuportáveis até altas horas da madrugada); carrinhos de ambulantes(que tomaram conta das calçadas); feirinhas paraguaias(com espaço público próprio) embaladas com apresentações (já insuportáveis) de música andina); passeios de burricos pelos passeios públicos; trenzinhos que atravancam o trânsito (já caótico). Quais defensores destas idéias seriam os mais “iluminados”? Quais, dessas ideais e ou atividades, poderiam, ou já estariam, contribuindo com o nosso desenvolvimento turístico? Quem sabe o conjunto delas? Para um município de tão parcos recursos, tão desgastado por tantas insanas tentativas do passado, recente e remoto, continua (infelizmente) no seu velho e surrado caminho.

O turismo, dizem os “especialistas”, começa pela cultura, identidade e personalidade do povo. Esses fatores é que determinam o “perfil” do município. Claro! É na verdade como este povo “TRATA” e “VIVE” a sua cidade. Claro, também, que sofrermos alterações culturais, nos usos e costumes com a migração desordenada, tão grande, que já temos dificuldades na identificação de “motivos” caiçaras. Algo assim, tão forte, como uma alteração do RG do município. Todas essas idéias e fatores, não deixam de ser uma “atração” turística. Mesmo as “defeituosas”.

O que falta, na verdade, e tem passado desapercebido, é o básico!Imaginem!!! O básico. Sim, a condição básica do turismo, que é “bem receber”. Caros leitores, quando algum de vocês vai dar uma festa, por exemplo, o casamento de uma filha. Uma festa se assemelha em muito com os preparativos para o turismo. Se a tal festa de casamento estivesse marcada para aqui a 3 meses, o que teria que fazer, desde já, para receber seus convidados??? E no grande dia, como estaria a arrumação de sua casa para receber os convidados? Por mais simples que pudesse ser a festa, coisas essenciais estariam, com certeza, providenciadas. A começar pela limpeza impecável e todos os demais detalhes que com pequeno esforço mental, facilmente pode-se imaginar. O “resultado” da festa e os “comentários” do dia seguinte serão proporcionais ao seu empenho em aplicar seu conceito de “bem receber”.

No meio “festeiro” é comum dizer que cada festa fica com a “personalidade” de quem organizou. Nos meios de hospedagem, dizem que cada hotel assume a personalidade de seu “gerente”. E em uma cidade? Uma cidade como a nossa, deveria estar sempre arrumada para a “ FESTA”. Mas... Praticamente “dentro” da Mata Atlântica, repleta de áreas de preservação florestal, com tantos órgãos fiscalizadores, é inconcebível a coexistência de tantas outras variáveis da poluição ambiental, tratadas como se não existissem inseridas na nossa deslumbrante paisagem como se fossem “normais”.

Olhem e sintam por aí. Vejam como é fácil encontrar um montão delas. Comparando-as com a “FESTA DO LEITOR” é como se exatamente no dia da festa, deixasse aqueles sacos lixo (rasgados pelos cachorros, urubus e gambás), fedorentos (de vários dias) com o xorume escorrendo pela sua calçada, grudando nos sapatos finos e lustrosos dos convidados. A bicicleta, na calçada, atropelasse a filha menor do seu melhor amigo. Os carrinhos de lanche estacionados na sua porta indicariam o padrão daquilo que estaria oferecendo à mesa para os convidados. O som alto de RAP da casa vizinha, não permitiria nem mesmo que dançasse a valsa com a sua filha.

Na saída, os mendigos e pedintes, a sua porta, misturados aos tomadores de conta dos carros dos convidados seria, por assim dizer, o “Máximo”! Depois de tantos “preparativos”... Se a sua festa tivesse uma, apenas uma, dessas características teria sido, na “boca” de todos os convidados, um verdadeiro “FIASCO”. E você, caro leitor já imaginou se sentiria se os convidados saíssem por aí, dizendo que a festa estava a “sua cara???” Como realmente se sentiria? À vontade para convidar OS MESMOS convidados para outra “festa”? Sabe, adoro festas! Tanto, que apresento minhas desculpas por ter mudado tanto assim de assunto. Acontece.

Ubatuba, 20/04/2001

Ronaldo Dias

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