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Mudando de assunto
Muitas as receitas tem-se sugerido para o desenvolvimento do
turismo em nosso município. Dizem até mesmo que a COMTUR
ressurgirá das cinzas para dinamizar esta única atividade
econômica (até agora encontrada) que pode colocar feijão nas
nossas panelas. Receitas complexas e custosas do tipo “reconstrução
do aeroporto para receber aeronaves de grande porte; centro de
convenções; construção de portais; divulgação maciça na
mídia e no trade nacional e internacional, realização de
grandes “eventos”, eco turismo e por aí a fora, tem
aparecido. Cada uma delas, defendida ferrenhamente como se fosse
única e inexorável.
As mais simples, acreditam que infra estrutura turística é a
proliferação de quiosques com som ao vivo(de decibéis
insuportáveis até altas horas da madrugada); carrinhos de
ambulantes(que tomaram conta das calçadas); feirinhas
paraguaias(com espaço público próprio) embaladas com
apresentações (já insuportáveis) de música andina);
passeios de burricos pelos passeios públicos; trenzinhos que
atravancam o trânsito (já caótico). Quais defensores destas
idéias seriam os mais “iluminados”? Quais, dessas ideais e
ou atividades, poderiam, ou já estariam, contribuindo com o
nosso desenvolvimento turístico? Quem sabe o conjunto delas?
Para um município de tão parcos recursos, tão desgastado por
tantas insanas tentativas do passado, recente e remoto, continua
(infelizmente) no seu velho e surrado caminho.
O turismo, dizem os “especialistas”, começa pela cultura,
identidade e personalidade do povo. Esses fatores é que
determinam o “perfil” do município. Claro! É na verdade
como este povo “TRATA” e “VIVE” a sua cidade. Claro,
também, que sofrermos alterações culturais, nos usos e
costumes com a migração desordenada, tão grande, que já
temos dificuldades na identificação de “motivos”
caiçaras. Algo assim, tão forte, como uma alteração do RG do
município. Todas essas idéias e fatores, não deixam de ser
uma “atração” turística. Mesmo as “defeituosas”.
O que falta, na verdade, e tem passado desapercebido, é o
básico!Imaginem!!! O básico. Sim, a condição básica do
turismo, que é “bem receber”. Caros leitores, quando algum
de vocês vai dar uma festa, por exemplo, o casamento de uma
filha. Uma festa se assemelha em muito com os preparativos para
o turismo. Se a tal festa de casamento estivesse marcada para
aqui a 3 meses, o que teria que fazer, desde já, para receber
seus convidados??? E no grande dia, como estaria a arrumação
de sua casa para receber os convidados? Por mais simples que
pudesse ser a festa, coisas essenciais estariam, com certeza,
providenciadas. A começar pela limpeza impecável e todos os
demais detalhes que com pequeno esforço mental, facilmente
pode-se imaginar. O “resultado” da festa e os “comentários”
do dia seguinte serão proporcionais ao seu empenho em aplicar
seu conceito de “bem receber”.
No meio “festeiro” é comum dizer que cada festa fica com a
“personalidade” de quem organizou. Nos meios de hospedagem,
dizem que cada hotel assume a personalidade de seu “gerente”.
E em uma cidade? Uma cidade como a nossa, deveria estar sempre
arrumada para a “ FESTA”. Mas... Praticamente “dentro”
da Mata Atlântica, repleta de áreas de preservação
florestal, com tantos órgãos fiscalizadores, é inconcebível
a coexistência de tantas outras variáveis da poluição
ambiental, tratadas como se não existissem inseridas na nossa
deslumbrante paisagem como se fossem “normais”.
Olhem e sintam por aí. Vejam como é fácil encontrar um
montão delas. Comparando-as com a “FESTA DO LEITOR” é como
se exatamente no dia da festa, deixasse aqueles sacos lixo
(rasgados pelos cachorros, urubus e gambás), fedorentos (de
vários dias) com o xorume escorrendo pela sua calçada,
grudando nos sapatos finos e lustrosos dos convidados. A
bicicleta, na calçada, atropelasse a filha menor do seu melhor
amigo. Os carrinhos de lanche estacionados na sua porta
indicariam o padrão daquilo que estaria oferecendo à mesa para
os convidados. O som alto de RAP da casa vizinha, não
permitiria nem mesmo que dançasse a valsa com a sua filha.
Na saída, os mendigos e pedintes, a sua porta, misturados aos
tomadores de conta dos carros dos convidados seria, por assim
dizer, o “Máximo”! Depois de tantos “preparativos”...
Se a sua festa tivesse uma, apenas uma, dessas características
teria sido, na “boca” de todos os convidados, um verdadeiro
“FIASCO”. E você, caro leitor já imaginou se sentiria se
os convidados saíssem por aí, dizendo que a festa estava a “sua
cara???” Como realmente se sentiria? À vontade para convidar
OS MESMOS convidados para outra “festa”? Sabe, adoro festas!
Tanto, que apresento minhas desculpas por ter mudado tanto assim
de assunto. Acontece.
Ubatuba, 20/04/2001
Ronaldo Dias
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