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Muitas palavras...
Na semana passada, falei “Poucas palavras” para definir
veranista e turista.
O primeiro, como o próprio nome diz e o Aurélio também,
procura o verão. O segundo, muito mais que uma estação,
procura cultura, geografia e seus acidentes, paisagens,
história, artesanato, costumes, danças e músicas próprias
dos locais visitados. Essas duas definições são claras e de
fácil entendimento. Nenhum ser humano possui poder divino para
transformar em verão as demais estações, outono, inverno e
primavera.
Por analogia simples podemos constatar a inutilidade de todas as
ações, por mais exaustivas custosas e desgastantes que possam
ser, que tenham o objetivo de atrair veranistas fora do verão.
Portando se faz necessário a conscientização desta máxima
que a mudança acontecerá. Os esforços serão direcionados a
resultados perenes. Podemos citar alguns exemplos que poderão,
á partir daí constatados visualmente.
Teremos uma melhora estética. Encontraremos, já nas estradas e
vias de acesso, alem do piso sem buracos e lombadas, uma
sinalização padronizada, informativa e compatível. A limpeza
e o paisagismo desses locais serão impecáveis. O matagal que
avança nos leitos carroçáveis darão lugar a gramados e
jardins floridos. As lixeiras, mal ajambradas, fedorentas e
focos de todo o tipo de doenças transmissíveis, não mais
serão toleradas pelos órgãos de saúde responsáveis, muito
menos pela secretaria de urbanismo e de turismo. Serão,
finalmente, deletadas da nossa maravilhosa paisagem.
O centro e suas praças serão re urbanizados. Os calçamentos
permitirão exigir, finalmente, o trânsito das bicicletas na
mão de direção. A secretaria de urbanismo determinará
diretrizes para fachadas de construções e alinhamentos;
padrões estéticos para faixas, placas e luminosos comerciais.
Os comércios serão em números proporcionais as necessidades.
Carros de som, de qualquer tipo, serão banidos, para a alegria
dos munícipes e o sono tranqüilo dos internos da Santa Casa.
A secretaria do Bem estar social, não permitirá o despejo de
mendigos, doentes mentais e andarilhos pelos municípios
vizinhos. A vadiagem e tomadores de conta de veículos e “skatistas”
serão excluídos das ruas e calçadas, pela Guarda Municipal.
Os menores serão acompanhados de perto por autoridades do
judiciário e coibidos de portarem nas vias públicas, armas,
drogas e bebidas alcoólicas. As discotecas, jogotecas, flipers
e karaokês serão rigorosamente fiscalizadas.
O centro de informações turísticas será operado por alunos
da Unitau (turismo) em parceria com a COMTUR, que regulamentada
assumirá os objetivos para os quais foi criada. Assumirá o
desenvolvimento turístico e econômico do município. A
feirinha da 25 de março, dará lugar ao cenário de figuras e
peças de tamanho natural da PAZ DE IPEROYG. Ao seu lado o
CRUZEIRO e o Museu Caiçara.
A FUNDART será a grande responsável por todas essas atividades
culturais a disposição dos visitantes. Serão devidamente
pavimentados os acessos secundários a hotéis, pousadas e
demais meios de hospedagem. O Aeroporto será compatível á
aeronaves de maior porte. A Av Iperoyg de “cara” nova, terá
regras rígidas de utilização para atividades culturais e
esportivas e nunca mais será palco de carnavais, muito menos
estacionamento de carrinhos de ambulantes.
As festas “beneficentes” terão lugar próprio e reservado.
Não será mais permitido absolutamente nenhum evento do tipo em
ruas ou praças, muito menos de barraquinhas de paus cobertas de
plásticos multicoloridos. As igrejas não terão atividades
comerciais, mesmo que com intuito beneficente. As escolas
estarão cheias e terão turismo e línguas como matérias
obrigatórias em todos os níveis. O DER, DNER e os serviços
policiais serão compatíveis à nova realidade. Os migrantes de
outras cidades respeitarão e muito, a cidade e seus cidadãos
que os recebem, ou, como alternativa única, voltarão às suas
origens.
A educação será nosso ponto alto e povo de modo geral ficará
mais cordial. Não haverá depredações de bens públicos. Os
investidores de verdade aparecerão. Muitos. Como em um passe de
mágica aparecerão os empregos qualificados, que serão alvos
profissionais dos jovens formandos. Deixaremos de usar outros
municípios como parâmetro. Teremos personalidade própria.
Resgataremos nossa história e a cultura caiçara. Seremos
exemplo e destaque no desenvolvimento do turismo nacional.
Alguma utopia? Sonhos? Com essas MUITAS PALAVRAS, doses
cavalares de boa vontade, POUCO DINHEIRO e sem nenhuma
demagogia, começaremos sim, um novo caminho. Um caminho de
verdades doloridas, mas verdades. Estaremos no rumo da nossa
vocação e na direção certa de um futuro melhor pra toda a
nossa gente. E quem de nós não quer UBATUBA a SIM?
Ubatuba, 15/03/2001
Ronaldo Dias
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