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Não acredito em Gnomos. Eles são muito mentirosos...
O feriado deu “ares” da temporada. Para quem pode ou teve de circular pela cidade, pelas praias e principalmente pela
estrada sentiu o que nos espera. As dificuldades que o município tem encontrado em organizar e administrar o fluxo de
visitantes é latente. Inúmeros são os motivos. Alguns justificados outros a repetição de erros, falta de
planejamento ou de conhecimento do problema.
O som (seguramente acima dos decibéis permitidos) dos quiosques da praia grande continua provocando o caos no trânsito
(para quem quer ou precisa chegar a cidade pelo lado sul e atravessar a praia Grande). Seus “clientes” exigem a
presença das raras viaturas disponíveis da PM.
A Policia Rodoviária? Onde estava? Desapareceu no feriado. Todo o leito carroçável da pista transformou-se (na sua
totalidade) em uma enorme “faixa de pedestres”, (digno do Guinnes). Bêbados ao volante? Dezenas. Espertinhos pelo
acostamento? Outros tantos. Todos os riscos envolvidos? Por conta do divino, que por sinal, dentre todos os responsáveis
é o que mais tem estado presente e o que mais tem “colaborado”.
Todos esses visitantes veranistas e turistas terão ainda, que no retorno, dividir (por longas horas e alto risco até os
seus destinos) a nossa precária estrada com inúmeros ônibus de turismo de um dia que insistimos achar convenientes (em
uma ocasião como esta) por um punhado de “dinheiros”. Voltarão?
Já era tempo de o Estado assumir, definitivamente suas responsabilidades com as cidades turísticas. Verbas minguadas do
DADE, não são suficientes e tem servido apenas para obras “ornamentais”. Muito longe para bancar a infraestrutura
necessária, para que o município arque com o custo de receber até dez vezes mais que a sua população fixa.
Estradas compatíveis ao fluxo, coleta e usinas de lixo, saneamento, abastecimento de água potável, limpeza das praias,
policiamento compatível e proporcional, atendimentos de emergências e proteção e preservação ambiental, dentre
tantas outras necessidades. Somos reféns de nossa vocação natural. Temos imposições e restrições ambientais de
ocupação limitadas pelo próprio estado.
Respeitamos, como podemos e suportamos o direito de “ir e vir”. Como a que custo e até quando? Não acredito que
seja falta de visão do governador. Será que não sabemos pedir? Não nos cabe exigir? Ou continuaremos acreditar em
Gnomos?
Ubatuba, 18/11/2002
Ronaldo Dias
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