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No próximo verão, tudo 10 vezes mais
Esse deverá ser o número final de lixo gerado, somente no
período do Reveillon.
Ou seja, 7 dias. Matematicamente, se uma pessoa gera em média,
0,5 quilos de lixo /dia, tivemos por aqui, de 500 a 600.000
pessoas no período. Ou seja, 10 vezes mais do que a população
fixa. Assim sendo, para este e todos os outros serviços
públicos, deveríamos ter um “estoque” de 10 vezes mais, em
tudo que a população da cidade tem ao seu dispor:
- 10 vezes mais caminhões de lixo
- 10 vezes mais pessoas e materiais no atendimento no Pronto
Socorro
- 10 vezes mais policiais da PM
- 10 vezes mais policias da Guarda Municipal
- 10 vezes mais viaturas
- 10 vezes mais delegacias
- 10 vezes mais Salva-vidas
- 10 vezes mais água tratada nos reservatórios
- 10 vezes mais tratamento de esgotos
- 10 vezes mais fiscais
- 10 vezes mais ruas
- 10 vezes mais estacionamentos
- 10 vezes mais bancos
Ou temos tudo 10 vezes mais, ou temos que dividir, o pouco que
temos, com mais 10!
E não temos. Ou não é isso?
Como não temos, além de termos que dividir, temos também de
ouvir. Ouvir reclamações, críticas, maldições e,
infelizmente, não temos justificativas convincentes para nossos
visitantes. Toda essa carga, desta enorme quantidade de pessoas,
de uma só vez, em um curto período de tempo, com alto índice
pluviométrico e suas conseqüências, tem outros ônus. Já
imaginaram, até quando, a Natureza, na baixa temporada, vai
conseguir se recuperar deste uso intenso que provoca, sem sombra
de dúvidas, pesada degradação ambiental?
Por exemplo, vou citar (como sempre) a Praia Grande. Além da
Baleia Kamikaze a ser digerida, o excesso de ocupação dos
apartamentos, muito além das normas de engenharia (apartamentos
de um dormitório que abrigam 8 e até 12 pessoas) e não foram
dimensionados para tanto. Acredito que o sistema de coleta e “tratamento
de esgoto” local também. Coitado do Acaraú.
As rodovias (Estadual e Federal) em péssimo estado de
conservação e com as dimensões do leito carroçável
incompatíveis com o tamanho do fluxo de trânsito, foram
vedetes das reclamações. A pintura de faixas duplas para
impedimento de ultrapassagem, como medida de segurança, virou,
como previsto, piada. Quem usou as estradas pode sentir tudo o
que uma estrada não pode ter ou ser. Principalmente dentro do
ESTADO DE SÃO PAULO. Uma verdadeira vergonha! A falta de
planejamento e dimensionamento do trânsito nas estradas (como
se não fosse previsto) obrigou a participação, na
orientação, do efetivo da PM.
As barricadas, emendadas com pedaços de cordas e barbantes, no
meio fio( da Praia Grande) cheio de areia, retratavam o tal
despreparo. O som ao vivo dos quiosques, continuam sendo os
maiores responsáveis pelo atravancamento do trânsito local.
Só cego que não vê, ou responsáveis que não resolvem.
Continua também, sendo lamentável, que todos os visitantes em
direção ao centro, em busca de serviços, restaurantes,
livrarias, sorveterias, Santa Casa, Pronto Socorro, igrejas e
até mesmo compras nos estabelecimentos comerciais do centro,
fiquem sujeitos a essa aberração organizacional, tão simples
de resolver. Também não é possível, disponibilizar efetivos
da PM para a segurança dos bailarinos da Praia Grande, em
detrimento de outros locais, quando a solução é apenas um
botão! Apenas um botão, gera tantos problemas. É só desligar
o botão do som!. Click! Simples. Nada mais.
Por falar em botão, fui, a pedido do meu choroso filho menor,
tomar um Sundae no MAC da Av Iperoyg. Quantos botões! Tinha
chovido. O piso de cimento bem fraco e muito rústico, alagou. A
água entre as mesas tinha cor e odor característico de conter
sujeira acumulada de muitos dias. Como lavar aquele piso? Por
mais boa vontade que uma moça uniformizada a caráter,
insistisse com um pequeno rodinho, a água se recusava a sair. A
moça, disfarçou e saiu de fininho. O meu menino se lambuzou
com o sorvete. Nos banheiros, não havia água nas torneiras.
Muito menos nas privadas. Pensei: “onde estariam os
funcionários desta tão conceituada empresa fazendo sua higiene
pessoal para a manipulação de alimentos?” Vai ver que
estamos ditando e exportando regras de higiene no trato com
alimentos (com os nossos carrinhos de lanche) e só eu não
estou sabendo! Duvido se a direção do MAC receber uma foto,
3x4, do estado geral da barraca vermelha, que não determine a
imediata suspensão de suas atividades de tanta vergonha! Quem
quer apostar?
Precisamos rever muita coisa, antes de qualquer outra
pretensão, não é verdade? Como munícipes, precisamos definir
o que queremos para a nossa cidade. Para a cidade que vivemos. E
qual cidade, pretendemos deixar para os nosso filhos. O que
queremos para o nosso meio ambiente? Como protegê-lo nestas
condições caóticas de ocupação?
Como as autoridades ambientais podem ser coerentes, justas em
suas atitudes, cumprir suas funções com responsabilidade na
preservação ambiental dentro deste quadro? Muito difícil. A
somatória dos nosso problemas é uma incógnita quase sem
solução. Depende de muito e de muitos. De muito dinheiro e de
todos nós. O novo prefeito, está andando por aí, por todos os
lugares da cidade, como fez em sua campanha, vendo tudo, com
detalhes, como lhe é peculiar. Quem sabe, no próximo verão,
estaremos mais preparados para oferecer Ubatuba aos nossos
visitantes. Mais ordem, disciplina, fiscalização, preparo e
organização, com menor prejuízo ao nosso meio ambiente.
Estaremos assim, a caminho da recuperação da auto estima da
cidade. Quanto trabalho e quanta responsabilidade para um ano de
gestão!
Paulinho, não se assuste, porque neste trabalho terá todo o
nosso apoio, e não se esqueça, o que cidade esta precisando,
depende muito de você.
Ubatuba, 08/01/2001
Ronaldo Dias
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