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O Deus Mercado
O Financial Times noticiou pesquisa da Young & Rubicam, uma
das maiores agência de publicidade do mundo uma lista contendo
as 10 grifes mais famosas. São elas: Coca –Cola ( 35.000.000
de umidades vendidas a cada hora), Disney, NiKe, BMW, Porche,
Mercedes-Benz, Adidas, Rolls-Royce, Calvin Klein e Rolex.
Um espanto. Essas marcas, verdadeiros TOTENS do consumo possuem
poderes de paixão e dinamismo necessário para converter
pessoas a essa “religião” e transformar o mundo das marcas,
em um grande altar de consumo. A publicidade, o Marketing e suas
técnicas vieram, a partir da Revolução industrial, vieram
impor o supérfluo como necessário. O possuir, o Ter, passaram
de verbos para medidas de valorização pessoal.
Quem tem uma BMW ou uma Mercedes, “Meca”, para os íntimos,
são mais bem recebidos em qualquer lugar do que os que possuem
um veículo popular 1000 cc. Essa nova escala de valores é que
classifica as pessoas. Não é o ser humano que é valorizado
pelo que ele é ou representa, mas os produtos que tem ou
ostenta que lhe imprime “valor”.
O TER, é mais valorizado do que o SER. Os antigos hábitos de
lazer ou até mesmo a missa de domingo foram transferidos ou
substituídos pelos Shoppings. Verdadeiros templos de consumo
onde cada visitante sofre mais ou menos, as angústias do não
consumo, de acordo com seu saldo bancário ou o crédito do
cheque special. A apoteose do passeio é um banco da não menos
famosa lanchonete Higt Tec, do palhaço Ronald, aquele do nariz
vermelho.
Uma nova religião, a religião do consumo. Em matéria
publicada por Frei Beto (O Estado) base desses dados, ele
arremata ; “ O pecado dessa nova “religião” é que, ao
contrário das tradicionais, ela não é altruísta, é
egoísta; não favorece a solidariedade e sim a competitividade;
não faz da vida um dom, mas posse. E o que é pior: acena com o
paraíso na Terra e manda o consumidor para a eternidade
completamente desprovido de todos os bens que acumulou deste
lado da vida” arremata.
O fetiche do consumo tomou conta dos pensamentos das pessoas.
Qualquer objetivo de vida passou a ser, mesmo veladamente,
consumir. Consumir o máximo. Ter o máximo. Possuir todo o
possível, mesmo que no final do mês os juros retirem o feijão
da mesa. É só o vizinho não ver a falta do feijão, que fica
valendo o sacrifício. Esse “hábito” que virou costume é
passado mesmo em casa, de pais para filhos. Tanto, que os filhos
quando fora de casa, ostentam para os amiguinhos o que e o
quanto eles e seus pais possuem.
Essa é a nova educação nos berços. Começa mesmo sem o bebê
saber, no quarto da maternidade. Ter, juntar, acumular. Muito,
muito longe dos ensinamentos do Criador no Sermão da Montanha
(Matheus). Dos hábitos do consumo, ditados pelo rei Mercado,
não escapa nem mesmo as religiões em seus mais variados e
novos segmentos. Algumas delas, em programas televisivos,
apresentam fórmulas e remédios miraculosos, capazes de aliviar
dores, curar doenças, falar com mortos e garantir, mediante a
contribuição em “espécie” prosperidade, alegria e um
lugarzinho especial no além.
É, Frei Beto, o Sr tem razão, o consumismo é uma doença da
baixa auto - estima. É ele que esta passando a conferir
significado e objetivo à vida. Até onde poderemos chegar? Ou
melhor, até onde poderemos consumir? Lampejos ou sinais do fim
dos tempos? A ambição não é nata, mas é facilmente
despertada. O rei Mercado dita e prega aos seus súditos o
hábito. Quem não o tiver, é condenado a “fogueira” do
isolamento social.
Literalmente excluído dos escolhidos. O mote do consumismo é o
que o poderoso mercado confere aos súditos como significado e
objetivo de suas vidas. Uma verdadeira “religião”,
arraigada e divulgada nos mais longínquos rincões,via
satélite, que a cada instante, amplia seu “rebanho”.
Ubatuba, 29/03/2001
Ronaldo Dias
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