|
O Dom Quixote da Caraguá-Ubatuba
Dom Quixote! Quem não conhece esta figura da literatura? Aquele
que em cima do cavalo de pau, espetando um uma vara o
cata-vento, pensava lutar com Dragões. Quer nos parecer que por
aqui temos uma figura assim. Com essas exatas características.
Todos nós conhecemos a situação precária que se encontra o
trecho rodoviário CARAGUA – UBATUBA.
A pista? Esburacada, remendada, cheia de “nuances”, lombadas
agressivas tanto quanto as placas que as indicam. Os
acostamentos? Quais? A margem do leito carroçável é tão alta
e tão esburacada, tomada pelo matagal que quando se tem que
utiliza-la é melhor continuar, com o pneu furado do que se
arriscar a capotar o veículo. À noite, a coisa piora. E muito.
Com chuva então, o risco é eminente. Sabemos, que essa “nossa”
estrada não é apenas “nossa” e para trafego local. A cada
fim de semana, feriados prolongados ou mesmo no verão, chegam
por ela, visitantes. Centena de milhares deles, que não vem
andando. Vem com suas famílias em seus respectivos veículos.
Os Dragões. ESTA DEVE SER A PARANÓIA DO NOSSO DOM QUIXOTE o
(i) responsável oficial pelo trecho. Medroso, assustado,
despreparado, tresloucado, no comando de suas “visões”
imagina, cada veículo como um monstro. Um Dragão, que deve ser
domado, combatido, enquadrado nas faixas amarelas, duplas e
contínuas, e por que não, expulso dos seus precários e
perigosíssimos domínios. O que vieram fazer aqui? (deve
perguntar-se).
Na cabecinha deste Dom Quixote, cada Dragão, tem que se
comportar como ele quer. Não importa a lei. Neste trecho, ela a
faz. Não importa para onde os Dragões pretendem ou precisam
ir, aqui em seus domínios ele é que determina isso. A sua
estratégia é nossa conhecida de longa data. Desorientar o
Dragão! Essa atitude poderia ser classificada pela
psicopatologia apenas como uma Mania. Primeiro “pensa”
deixar a fera aturdida com o “balanço” da pista. De quando
em quando (ou de quando em sempre) um forte solavanco em cada
lombada ou “sonorizador” (aquele que passando, o veículo é
que grita). Como em um matadouro, obriga-os a seguir, um atrás
dos outros por longos 40 quilômetro.
Pela estrada (é uma estrada?) escura, sem sinalização, com
curvas perigosas e sem indicação alguma (A NÃO SER OS TOTENS
de indicação DAS LOMBADAS) os DRAGÕES tem de adivinhar onde
estão. Em qual quilometro, em qual praia em qual bairro. Ficam,
ao gosto do Dom Quixote, perdidos a cada quilometro ou trevo (se
é que se pode chamar de trevo). Para aumentar a “segurança”
(DELE) em seus domínios e em nome (imaginem) da segurança dos
Dragões, retirou agora todas as placas comerciais indicativas.
Afinal, os Dragões podem se “distrair” com tais placas
indicativas e causar “acidentes”. Ou as placas, estariam “poluindo”
o maravilhoso visual da infeliz estrada? Fora do padrão? Qual
é o Padrão? Pode? Selecionou para retirar apenas as placas dos
mais educados, hotéis, pousadas e restaurantes. Deixou os
verdadeiros problemas comércios (botecos de beira de estrada)
favelados, que se proliferam ao longo dos acostamentos da pista
(vide Rio Escuro e outros) e é claro, os Back –ligts
(luminosos) de proprietários poderosos e a placa da
Associação dos Delegados na Enseada.
Acho que esse Dom Quixote se faz de louco, mas não é bobo.
Assim, sobre o prisma de sua “esperta” visão,
desorientados, os DRAGÕES estarão muito mais seguros. Além do
que, ele, o Dom Quixote, fica muito mais tranqüilo, sossegado e
sem responsabilidade pelo que possa acontecer “em seus
domínios” com os ocupantes (famílias com crianças) dos
Dragões.
Pobre Dom Quixote? Pobre de nós, uma cidade Turística, que
depende totalmente do dinheiro dos Dragões, e dos milhares de
usuários ter de tolerar as variações de Humor de um Dom
Quixote e seus cata-ventos. Isso hoje é realmente uma verdade.
Tenho dúvidas até quando. Até quando um cargo de tanta
responsabilidade, em uma estrada tão precária, em uma região
Turística, pode ser ocupado por um Don Quixote? Deve ser alguma
“distração” do comando. Não é mesmo Sr Governador?
Touché!
Ubatuba, 17/09/2001
Ronaldo Dias
|