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Ronaldo Dias

O Início do Fim, em Direção ao Mar

O aparecimento do homem sobre a terra, marcou o fim do seu próprio meio. Afora as auto-agressões da natureza, ele, o homem, é seu principal agressor. Sem demagogia barata e inconseqüente, antes de qualquer outra ação, segundo a assertiva do falecido Jaques Costeaux, o crescimento populacional é e sempre será a maior causa da degradação do meio ambiente. O pesquisador deve ter, com certeza, ter chegado a simples conclusão em seu próprio navio de pesquisas. Quanto maior a população, em uma área restrita, como a da sua embarcação, maior também os problemas “ambientais” criados por ela.

Assim, como os espaços são limitados e não há controle da sua ocupação e do crescimento das populações o resultado não poderia ser diferente. As leis criadas com os objetivos preservasionistas pecam, em não prever o crescimento populacional, a ocupação dos espaços ditos de preservação e, a sobrevivência econômica e social das populações já instaladas nos locais ou que migram para tanto. As ações coercitivas da lei e de seus agentes acabam por atingir apenas parcial e desigualmente apenas os que podem responder social ou fiduciariamente.

Todo o resto das agressões ao meio ambiente, na maioria das vezes, acabam sendo taxados mesmo de problemas “sociais”. Nestes casos, a margem da lei (que teoricamente vale para todos) tudo é permitido e possível. A proteção do meio ambiente passa também por soluções sociais e de renda das populações envolvidas. O poder público, quando omisso, inoperante e mal informado, age apenas politicamente. Justifica as sua ações protecionistas apenas com bodes expiatórios levados ao “altar dos sacrifícios”

A preservação ambiental passa por inúmeros fatores e apenas a aplicação conjunta de todos eles, levam à real proteção. Não há proteção ambiental sem o pulso do Estado. Só ele pode e deve ser o agente. Só o conjunto de ações é que poderá tornar o meio ambiente mais “durável” para outras gerações. Empresas estatais que exploram e administram comercialmente recursos naturais e, por que não dizer também, segmentos ligados direta ou indiretamente à proteção ambiental geram lucros astronômicos que são direcionados a outros segmentos que não a proteção do meio ambiente (Petrobrás e Sabesp por ex).

A falta de conhecimento do “campo” a deficiência técnica dos agentes, despachando em escritórios com ar refrigerado (movidos a CFC) e a falta de planejamento tem causado com algumas restrições ambientais inaplicáveis, danos irreparáveis às necessidades “econômicas e sociais” das populações que vivem em áreas ditas de preservação. Assim a estas populações, sem alternativas, sem recursos. Sem orientação e sem meios, abandonadas a própria sorte, com muita teoria e pouca prática, só resta esperar o fim. A ocupação das áreas do pé da serra da Mata Atlântica, em especial as de beira rios, é apenas um exemplo claro e sorrateiro, que corre escuro como uma lava vulcânica pelas águas, já sem vida, sem as sombras das arvores, passando pelas praias em direção ao mar.

Ubatuba, 11/02/2002

Ronaldo Dias

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