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O Início do Fim, em Direção ao Mar
O aparecimento do homem sobre a terra, marcou o fim do seu próprio meio. Afora
as auto-agressões da natureza, ele, o homem, é seu principal agressor. Sem
demagogia barata e inconseqüente, antes de qualquer outra ação, segundo a
assertiva do falecido Jaques Costeaux, o crescimento populacional é e sempre
será a maior causa da degradação do meio ambiente. O pesquisador deve ter, com
certeza, ter chegado a simples conclusão em seu próprio navio de pesquisas.
Quanto maior a população, em uma área restrita, como a da sua embarcação,
maior também os problemas “ambientais” criados por ela.
Assim, como os espaços são limitados e não há controle da sua ocupação e do
crescimento das populações o resultado não poderia ser diferente. As leis
criadas com os objetivos preservasionistas pecam, em não prever o crescimento
populacional, a ocupação dos espaços ditos de preservação e, a
sobrevivência econômica e social das populações já instaladas nos locais ou
que migram para tanto. As ações coercitivas da lei e de seus agentes acabam por
atingir apenas parcial e desigualmente apenas os que podem responder social ou
fiduciariamente.
Todo o resto das agressões ao meio ambiente, na maioria das vezes, acabam sendo
taxados mesmo de problemas “sociais”. Nestes casos, a margem da lei (que
teoricamente vale para todos) tudo é permitido e possível. A proteção do meio
ambiente passa também por soluções sociais e de renda das populações
envolvidas. O poder público, quando omisso, inoperante e mal informado, age
apenas politicamente. Justifica as sua ações protecionistas apenas com bodes
expiatórios levados ao “altar dos sacrifícios”
A preservação ambiental passa por inúmeros fatores e apenas a aplicação
conjunta de todos eles, levam à real proteção. Não há proteção ambiental
sem o pulso do Estado. Só ele pode e deve ser o agente. Só o conjunto de
ações é que poderá tornar o meio ambiente mais “durável” para outras
gerações. Empresas estatais que exploram e administram comercialmente recursos
naturais e, por que não dizer também, segmentos ligados direta ou indiretamente
à proteção ambiental geram lucros astronômicos que são direcionados a outros
segmentos que não a proteção do meio ambiente (Petrobrás e Sabesp por ex).
A falta de conhecimento do “campo” a deficiência técnica dos agentes,
despachando em escritórios com ar refrigerado (movidos a CFC) e a falta de
planejamento tem causado com algumas restrições ambientais inaplicáveis, danos
irreparáveis às necessidades “econômicas e sociais” das populações que
vivem em áreas ditas de preservação. Assim a estas populações, sem
alternativas, sem recursos. Sem orientação e sem meios, abandonadas a própria
sorte, com muita teoria e pouca prática, só resta esperar o fim. A ocupação
das áreas do pé da serra da Mata Atlântica, em especial as de beira rios, é
apenas um exemplo claro e sorrateiro, que corre escuro como uma lava vulcânica
pelas águas, já sem vida, sem as sombras das arvores, passando pelas praias em
direção ao mar.
Ubatuba, 11/02/2002
Ronaldo Dias
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