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O Macaco que queria entender
Havia na TV um programa do tal macaco curioso que só queria,
coitado, entender. Muito interessante. São tantas coisas que
acontecem e estão acontecendo que não dá, para gente
entender, o que dizer um macaco. Será que desistimos de
entender? São tantas e tantas coisas erradas ao mesmo tempo,
que estamos nos acostumando com elas e não dando mais a devida
importância (porque não tem jeito mesmo) e apenas os beduínos
estavam preocupados em entender. Estavam.
Do sistema político onde se tem a liberdade (obrigatória do
voto) de escolher entre os já previamente escolhidos (entre os
mesmos), passando pelos desvios de verbas orçamentárias,
fórum do TER, SUDAM, SUDENE, esmeraldas do Abi Akel, poços do
Inocêncio, Frangogate, desvalorização cambial, planos
econômicos, salário que é renda, CPMF da saúde (que a
saúde, nunca viu um tostão), Privatizações escandalosas,
senadores que não sanam nossas dores, Toninhos Malvados,
Criações de Sapos da patroa, que são uma Barbada (ou
Barbalho), João preso porque tirou casca de arvore para
remédio, propaganda televisiva em cima de viaduto de entrega de
terras de todos nós, para alguns de nós, invasões de
propriedades(menos as do menino da camisa bonita), MSTs e
coligados, PCCs querendo ser sindicalizados, Pittas, Malufs,
Colloridos, Carapintadas e tantos outros, até chegar por aqui.
Bicicletas na contra mão de direção. Uma cooperação
ambiental para esgoto no mangue, a barra da lagoa que fede todo
dia e o dia todo, o Rio Escuro que já também fede, e muito,
muito mais que o Itaguá, a favela do aeroporto, a nova
rotatória da avenida, os ambulantes que não ambulam, a
paisagem bucólica de carrinhos de lanche com fundo de feirinha
paraguaia montada sobre “túmulos verdes”, boutiques sobre
rodas da Praia Grande, 59 lombadas, sala de espera da Casa
Santa, barracas com os pés fincados entre os paralelos das
ruas, CPF, CIC, RG, CNPJ, INSC EST, coleta de lixo, LIXEIRAS
FEDORENTAS, esgoto a céu aberto, menor infrator “reinfringindo”,
menor armado, menor bebendo Chapinha, menor puxando fumo, muitas
menores grávidas, muita gente procurando emprego e poucas
querendo trabalhar, uma mesa e uma cadeira para 10 funcionários
presentes e 10 fantasmas, protocolo que não responde, fila nas
caixas dos bancos, filas nas máquinas de dinheiro que não
funcionam, cheques não usados há mais de 3 anos que o banco
quer saber o destino, detector de metais nas portas de
segurança, tomador de conta de carro, eleições de eleitos,
tudo por um real, por 1,99, por 1,98, de 5 a 10, som e bailes
nos quiosques, suspeito liberado porque abriu o telhado só para
dormir, leis só para alguns, fiscalizações só de outros,
bodes expiatórios, jetons, dinheirinhos, caixinhas, favores
música andina e, finalmente o aviãozinho sugismundo do
dentista espertalhão que com R$200,00 de multa, FEZ UM
MILHÃO!!!
Se fosse possível continuar com tantas outras “cositas mas”,
tomariam todas as paginas desta edição e muito mais. O que
consigo entender (não explicar) é porque o tal MACACO,
desistiu de querer entender. Trocou o que queria entender por
bananas.
Ubatuba, 13/05/2001
Ronaldo Dias
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