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ONTEM HOJE E AMANHÃ
A baixa temporada têm sido cada vez maior e a alta, cada vez
menor.
O que estará acontecendo???
Afora os problemas econômicos que diminuíram o poder
aquisitivo da classe média, que sempre foi a nossa maior
cliente, outros fatores tem sido determinantes nas escolhas dos
seus locais de lazer.
Para quem conheceu, os "bons tempos" do turismo em
Ubatuba, pode confirmar que os visitantes daquela época,
buscavam e valorizavam aqui, a paisagem, a simplicidade, a
segurança e a exclusividade proporcionada pela dificuldade de
acesso e de hospedagem.
Eles tinham disposição para vir e pagaram muito bem, por muito
tempo, principalmente pela "exclusividade" (para
poucos). Estes fatores somados, endossavam a
"badalação".
Era CHIQUE.
Eram invejáveis, por qualquer ouvinte, as de férias de verão
em Ubatuba.
Para aqueles que atendiam esta clientela, fiel e assídua, a
recompensa era gratificante.
Gente educada, consumista, que sabiam valorizar, um bom
cardápio, uma carta de vinhos, mesmo que servidos em um modesto
quiosque de praia.
Os meios de hospedagem, também simples, ao nível de uma boa
cama, um bom banho, quando muito, um ventilador de teto. Poucas
pessoas, pouco uso, pouca utilização dos espaços, a paisagem
e a arquitetura colonial quase intocada, o folclore, e o modo
caiçara de viver e contar suas histórias encantavam os
visitantes.
Esta era a "moto - contínua " daquela época.
Garantiam a tal "EXCLUSIVIDADE".
Com poucos, o comércio e a cidade faturavam muito.
Descaracterizamos este conjunto tão determinante do nosso
sucesso de então.
Os meios de comunicação, e a liberação de viagens ao
exterior proporcionaram o crescimento das operadoras de turismo
que começaram a oferecer, maciçamente, outros destinos
turísticos, principalmente os localizados na Flórida e no
Caribe.
Tais acontecimentos, geraram resultantes invisíveis para nós,
tão distantes deste palco e acomodados em nossos sonhos
passados. Nestas novas alternativas de destinos turísticos, a
nossa antiga clientela "provou" do "maná"
do turismo organizado. Um "trade" de infraestrutura
pertinente e tecnologia avançada. Hotéis Gran - Turismo,
restaurantes sofisticados, atendimento VIP , impecáveis
serviços acessórios, amparados pelo baixo custo dos vôos
fretados.
Outros destinos internos também deram, com maior ou menor
sucesso, o ar da graça.
Esta receita, substituiria, com incalculável vantagem a tal
"EXCLUSIVIDADE", junto com todos os nossos outros
predicados. Foi o fim da festa. Vagos os espaços, acessos
melhorados, veio a desordenada massificação.
A construção civil aloprada, foi a locomotiva. Aloprada, por
não termos pensado em aproveitar sua força e colocá-la nos
trilhos certos. O resto foi vagão. Veio atrás.
A "idéia" da tal "EXCLUSIVIDADE" muito
divulgada, e a localização tida como "badalada" fez
o trabalho de marketing para o setor, que, encontrando áreas
muito nobres e relativamente baratas, sentiu que com pequenos
"acertos" na legislação, a grande vedete seriam os
"predinhos" de baixo custo de construção.
Três ou quatro andares, sem elevadores. De preferência de um
ou dois dormitórios. Predinhos e predinhos que vendiam, até em
suaves prestações, o sonho de um apartamento no paraíso.
Apartamentos de um dormitório, que pagam, para 2 mas que
acomodam 12. Casas para 6 que recebem ônibus com 60. Quantos e
quantas. Lei de Gerson. Super população. Não cabe todo mundo.
A estrada não comporta o trânsito. Fim do funil. Trocamos o
conceito.
A transformação, veio a galope. A super ocupação dos
espaços disponíveis, agravada pela migração descontrolada
(que veio para construir e não foi) mesmo ilegalmente, ocupa
áreas de preservação permanente, somada a total falta de
recursos para qualquer investimento, mesmo que, apenas para
planejamento, nos coloca em rota de colisão com o caos. Os
sintomas são: a
degradação do meio ambiente, no seu sentido mais amplo; a
decadência, por falta de ocupação, do comércio regular,
principalmente os voltados para o turismo propriamente dito; o
crescimento do comercio ambulante e de favores políticos; O
descontrole administrativo dos serviços municipais; o IPTU
passa a ser receita única e junto a precária infra estrutura
disponível, atinge níveis insuportáveis.
Aumentam todos os índices negativos de qualidade de vida.
Os empresários debandam. Os investidores se afastam. A mão de
obra especializada, desaparece. Os empregos, viram subempregos.
A população entristece e desanima. A cidade se decompõe e
vira depósito de despejo para indigentes, mendigos e
desocupados, rejeitados de suas cidades de origem.
A recondução da cidade à sua vocação turística, será um
trabalho que consumirá tempo. Muito tempo. E recursos. Muitos
recursos. Quem tem os dois?
No passado, não demos atenção na escolha das iscas. Vejam só
o bicho que veio. Exacerbar o pessimismo? O realismo? Ou o
otimismo? Depende dos olhos de quem vê! Tem gente que enxerga
até no breu. Tem dois super, Supermercados se instalando por
AQUI. Sonhadores de ontem? Cegos de hoje, ou videntes do
amanhã???
Vou correndo marcar uma consulta com a baininha do acarajé para
consultar os orixás!
Quem sabe eles saibam???
Ubatuba, 01/10/2000
Ronaldo Dias
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