Artigos Anteriores

Ronaldo Dias

O Principal e os Acessórios

Tenho insistido no assunto planejamento. Planejar é o meio e a maneira mais rápida, coerente, correta e certa de chegar-se a um objetivo. Sem planejamento, estamos na rota do caos. Há uns 15 anos fui presenteado com um pequeno livro “criando o paraíso” que mostrava uma síntese da “idealização” da Zona Hoteleira de Cancun- México. Algumas fotos do “antes” mostram claramente que o resultado final do trabalho só foi possível com muito planejamento dos idealizadores, legisladores, arquitetos, ambientalista, urbanistas e paisagistas. Com certeza na direção dos grupos de trabalho não havia lugar para “amadores” mesmo os de boa ou maior vontade. Definido o público que se pretendia atingir, a definição das ocupações proporcionais dos espaços, progressivamente, de acordo com o crescimento do empreendimento, foi uma realidade.

Estudaram-se as necessidades (todas) dos usuários de modo que os serviços disponíveis fossem o suficiente para atende-los satisfatoriamente. Assim, houve um equilíbrio na concorrência dos serviços oferecidos. Ou seja, não haveria dois Mac Donald, onde houvesse “mercado” apenas para um. Idem para as demais atividades, sem perder a variedade nas “ofertas”. Assim, também não se construiu hotéis enquanto não houvesse uma infraestrutura adequada de serviços para atender os clientes deste meio de hospedagem. Idem para todos as atividades econômicas envolvidas.

Equilíbrio. Concorrência sim, mas equilibrada. Esta pequena e simples decisão fomentou o interesse dos investidores que se sentiram seguros quanto à aplicação de seus recursos. Para não me alongar, o resultado para quem conhece, foi surpreendente. Ali foi construído um verdadeiro DESTINO TURÍSTICO. A cidade (Cancun, fora da Zona Hoteleira), uma São José dos Campos, acabou sendo obrigada ao longo dos anos a seguir e entrar no “ritmo” da organização urbana.

O nosso crescimento desordenado. A ocupação dos espaços sem planejamento mostra claramente que estamos a porta do caos urbano. Para o caos também da proteção e preservação ambiental no seu mais amplo sentido. A paisagem urbana e a natural, duramente agredida por ações insensatas e inconseqüentes, tornam uma verdade que qualquer investimento de maior porte virá “somar” ao caos que se instala. Logo, os órgãos oficiais, principalmente os ambientais, são prontos aos “pareceres” negativos.

Fogem os investidores para outros DESTINOS. Circulo vicioso. O crescimento demográfico (o mais alto de qualquer região do Brasil) não se acanha. Parece que quanto pior e mais difícil melhor. Junto com o crescimento demográfico, as necessidades da população. Serviços públicos, emprego, moradia (em um município com 80% de área de preservação) emprego, educação e saúde. Tudo a ser “bancado” pelo tal do IPTU. Nada de “fermento” apenas mais e mais fatias do mesmo “pão”. A falta de planejamento (salvo mais informações e melhor juízo) colocou agora a estrada ( Rio –Santos) ( a partir de outubro, reformada ou recapada) na frente dos “bois”. Acesso melhor, muito mais carros e muito mais pessoas.

Coisinha simples. Tal qual 100.000 litros de água “entrando” em uma caixa de 10. Além do planejamento, deve estar em falta também uma outra particularidade aos que detém poderes de decisão. A particularidade é a falta de percepção para diferenciar acessório de principal. Data Vênia, os acessórios “acompanham” o principal. Pequenas e até boas ações acessórias, sem o principal, podem ser até agradáveis em um primeiro momento. Com certeza serão imperdoáveis para a história. E por falar em História e “principal”, sugiro que o próximo “monumento” (a continuar pela “queda” a acessórios) seja à PAZ de Iperoyg (claro que com o cacique Cunhambebe como figura principal).

Um “monumento” compatível em tamanho e lugar com sua importância. Coisa pouca. Uma parte da História do Brasil. Poderíamos sugerir para este empreendimento, devido a sua incontestável importância histórica (e por que não turística) certo e esperto vereador devido a sua “larga” experiência em importância e localização de “monumentos”. Assim, vão fazendo a nossa história. No início, deixamos (de hoje) estar falando francês. Nos custou, no mínimo, a “maldição” do velho cacique.

Quem sabe, se não conseguirmos planejar a ocupação dos espaços (entenda-se plano diretor e outros planos) para fazer o melhor com o que nos deixou, vamos torcer para que ele fique satisfeito com o seu monumento e livre-nos, pelo menos, do castigo que tem sido sua maldição. Quem sabe, poderemos então planejar e traçar novas rotas para um destino melhor. Assim, pelo menos, teremos certeza de onde iremos chegar.

Ubatuba, 04/10/2002

Ronaldo Dias

Artigos Anteriores

Caraguatatuba Ilhabela São Sebastião Ubatuba
Conheça as cidades do Litoral Norte:
Caraguatatuba Ilhabela São Sebastião Ubatuba
Home Litoral Virtual - Home Page
O mais completo site do Litoral Norte Paulista na Internet

info@litoralvirtual.com.br
©1995/2010 Emilio Campi - Studio Maranduba - Direitos Reservados
Proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site sem a expressa autorização do autor

Sites do grupo: Litoral Virtual - Jornal Maranduba - PanoTour - Caraguá - Maranduba - Maré Legal - Truckmodelismo Brasil - ECampi