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Os Fugitivos da Luz
O poder de reconstrução que temos, é impressionante e
surpreendente. Temos criticado o total abandono da cidade,
principalmente o centro. O estado é realmente lastimável. A
paisagem urbana encontra-se nos níveis abaixo do sofrível para
um município que tem pretensões turísticas. Afora a falta de
posturas municipais, o particular, o comerciante, o prestador de
serviços, não tem reagido a altura. A maioria, que reage, ou
age não tem levado em consideração a idéia de conjunto. Não
tem pensado de sua porta para fora. Não percebe que seu
imóvel, seu negócio é parte integrante do conjunto.
O resultado, por melhor que seja (individualmente) não faz
parte do conjunto. Não compõe. Em outra direção, totalmente
inversa e com resultados surpreendentes acontece no Itaguá e na
rua Guarani. Antes um local abandonado, rejeitado, inabitado,
assume a ponta. O bom gosto dos projetos, e a arquitetura
compatível mostram com a freqüência e a ocupação local,
cada vez maior, o que os nossos clientes estão buscando. Ao
contrário de “feirinhas paraguaias” e carrinhos de lanche
espelhados pelas calçadas, oferecem ambientes compatíveis com
a clientela que freqüenta.
O resultado? Quem passa por lá, principalmente a noite, pensa
não estar em Ubatuba. Se, todos nós, que dependemos do turismo
e do turista, nos ativermos um só instante para este fato a
conclusão será uma só. Podermos identificar CLARAMENTE onde
estão os erros do resto da cidade. Quem duvida, e tem recursos
para errar a vontade, que continue a apostar contra.
Cabe lembrar, que os integrantes daquele “pedacinho”
especial, não contaram com a colaboração de ninguém. Fizeram
sozinhos. A única ajuda que receberam, foi a de não serem
atrapalhados. Apenas, foram preservados (pelo abandono de
ocupação anterior) do calvário que representa o do comércio
ambulante, este cânceres, que tanto fere nossa maravilhosa
paisagem.
Todos os responsáveis por aquela verdadeira lição para todos
nós merecem parabéns. Merecem os nossos cumprimentos por terem
dado um norte ao tipo de ocupação que devemos e podemos.
Saíram na frente. Impuseram um ritmo. Quem quiser tem os mesmos
resultados, terão que acompanha-los. E pronto!
Sabem, gostaria de fazer uma pequena comparação para “medir”
a capacidade das pessoas anônimas que fazem Ubatuba acontecer.
Um pequeno quarteirão da rua Guarani, com os túmulos para
gigantes (de frente para o mar) da feirinha Hippie. Quanta
ignorância e quanta incoerência. Dá para ver entro os dois
(claramente) onde cada um vai chegar.
Qual das duas “paisagens” interessa para a cidade? Quais
destes caminhos devem seguir? Qual cria empregos perenes? Qual
nos levará à nossa verdadeira vocação? Qual local os
turistas preferem freqüentar? Essas e outras, redundantes
perguntas, tem apenas uma sabida resposta. O pior dos cegos é
realmente aquele que não quer ver! Neste caso, quem são os
cegos então? Apenas os que não enxergam, ou aqueles que
simplesmente se escondem da luz!
Ubatuba, 06/10/2001
Ronaldo Dias
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