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O Show dos Milhões
São muitas as criticas. Muitas, até bem fundamentadas. Porém, alem de ações
administrativas, posturas municipais e principalmente planejamento, nos falta
verbas. Recentemente foi publicado nos principais jornais do país que o BID
(Banco Interamericano de Desenvolvimento) havia destinado nada mais nada menos do
que U$$ 240.000.000,00 para investimento no turismo do nordeste.
São 240 milhões de dólares. Nada contra os investimentos (subsidiados) que
beneficiem os irmãos nordestinos, mas, não me lembro de nenhuma mísera verba,
mesmo em reais, destinada ao nosso estado para este fim. Os bancos oficiais
(BNDS) o maior deles, vem, há alguns anos e sistematicamente beneficiando
aqueles estados. O Resultado são projetos como SAUIPE e outros tantos complexos
turísticos da rodovia do coco e linha verde. A alegação de receberem (todos
juntos) anualmente 1,2 milhões de turistas, não justifica tantos privilégios,
mesmo porque, aqui no Litoral norte, recebemos muito mais que isso apenas no
verão.
Além destes financiamentos subsidiados para infraestrutura turística,
incluindo, até mesmo, investimentos em saneamento básico, parte dele pode-se
“assistir” aqui no sudeste, nos horários nobres da tv e nas mais caras
mídias impressas, nas propagandas e divulgação maciça daqueles destinos
turísticos. Além de ficarem com as verbas, as utilizam para assediar o “nosso”
mercado. O resultado não poderia ser diferente. Apenas recursos do IPTU, as
prefeituras do Litoral Norte, não conseguem administrar as crescentes
necessidades econômicas do crescimento da população e do afluxo de turistas,
num círculo vicioso e virtuoso, com os crescentes problemas sociais gerados pelo
não atendimento desta demanda. Então, na busca de soluções alternativas,
buscam no improviso amenizar os efeitos, sem, contudo poder fazer nada pelas suas
causas. Atitudes localizadas, como pequenas obras, parecem gotas em um oceano de
necessidades. Tais atitudes, com maior ou menor intensidade servem apenas para
justificar o que se pensa e se julga, apenas inércia municipal.
Algumas heróicas e mal planejadas, como cobrança de estacionamento, são
duramente criticadas (como não houvesse flanelinhas pelas ruas e praias) e não
arrecadam o suficiente para justificar, quem sabe, até mesmo o próprio sistema
de cobrança. Outro fator agravante são as áreas de preservação declaradas (e
totalmente abandonadas) pelo estado, as quais os municípios, não tem recursos
podem administrar. A eles, resta apenas críticas, como publicação recente pelo
Vale Paraibano, de pesquisa da UNITAU, cujo coordenador afirma que as cidades do
litoral norte “escondem” do centro os migrantes. Onde ele acha, por exemplo,
que seria plausível abriga-los? Deveríamos construir milhares de casas
populares? Onde? Com que verbas? Quanta bobagem! Não acreditei que uma
Universidade, que tem extensão universitária em Ubatuba, autorizasse uma
publicação tão estúpida. Ou no mínimo sugiro ao coordenador da pesquisa que
abrigue em sua cidade, esses irmãos migrantes, e divida com eles, como nós
fazemos, os parcos recursos da nossa falida Santa Casa, os bancos de escola dos
nossos filhos e as vagas de nossas creches. Esses migrantes, em busca de uma vida
melhor, que em suas cidades de origem, vem também em busca do que não temos a
oferecer. Emprego. Não geramos empregos em uma economia cada vez mais informal
(por necessidade de sobrevivência) onde até mesmo a Associação Comercial dá
assistência ao comércio informal. Pode? Sem verbas semelhantes as “despejadas”
no nordeste, não há milagre.
Não há tempo em que conseguiremos chegar à nossa real vocação. Do total
abandono pelo estado em que nos encontramos, o mais fácil de ver e sentir são
as próprias estradas de acesso. Estão “apenas” com de 30 anos de uso, sem
manutenção adequada e, sem adequação necessária a demanda destes longos
anos. Em nome da proteção ambiental, a Rodovia do Sol, está parada. Não sou
absolutamente contra a proteção ambiental, muito pelo contrário, há que se
preservar. Mas, não se pode preservar, sem controlar o aumento da população.
É possível controlar o aumento da população? Ou vamos “selecionar” quem
vai ocupar os espaços? Com certeza os falsos ambientalistas, vão querer ser os
primeiros da fila.
Não se pode restringir o direito de ir e vir. Não se pode premiar a proteção
em detrimento do homem. Não se pode “preservar” enquanto o homem morre de
fome contemplando o palmito. Assim, como somos “obrigados” a receber, apenas
no verão, 1.500.000 de visitantes sem a mínima que seja infraestrutura
necessária, vão sempre sobrar apenas às críticas do porque não fazemos. Sem
a benevolência dos financiamentos e investimentos oficiais milionários, vejo,
nos exemplos de sucesso, apenas uma saída, para, a longo prazo, aumentar a
arrecadação municipal e proporcionar investimentos consistentes. A
municipalização (das abandonadas) vias de acesso pertencentes ao estado e a
cobrança pelo uso, nos moldes dos projetos viários privatizados e já
implantados com sucesso. Só este adicional de arrecadação consistente,
proporcionará receita aos municípios suficientes para suas mais ansiosas
necessidades.
Ubatuba, 25/03/2002
Ronaldo Dias
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