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Os Tempos
Teria o tempo extrapolado a própria razão? Temos a sensação
que tudo acontece muito rápido. As horas do dia parecem não
render o mesmo. O dia precisaria ter 48hrs? Criamos necessidades
maiores ou é a “nova economia” que nos imprime velocidade?
Ou é a informação que ficou extremamente veloz? Via satélite,
cabo, internet a agilidade da informação transforma o mundo, e
por óbvio nossas vidas. E a dos outros também.
A grande pergunta: E para onde estamos indo? Pensamos que
sabemos, mas na verdade, não sabemos. Apenas seguimos
(obrigados) a corrente. A organização social e política
instalada não atendem as necessidades crescentes das populações.
A contento, nem mesmo as básicas. O mesmo pode-se dizer dos países
ditos de primeiro mundo. Por mais investimentos que façam em
estratégias, planejamento e organizações, não ficam isentos
desta carência.
Aturdidos, pela (dita) “globalização” com maior ou menor
intensidade, todos, ao que parece, rumamos ao caos. Pessimismo?
O atentado terrorista nos EUA mostra a fragilidade da AGUIA.
Quem diria? Quem poderia imaginar um acontecimento deste e
naquelas proporções naquele país? Tão forte e tão frágil.
Quem assistiu, pensou inicialmente tratar-se de um filme tipo
“duro de matar”. A história americana vai dividir-se entre
dois tempos: antes e depois deste acontecimento, cujas conseqüências,
acredito, como as ondas do mar, chegará a todas as
“praias”.
Muitas perguntas, poucas respostas. Estaremos em meio a uma
crise de valores? Fim dos tempos? Quem sabe um “novo” tempo?
Diferente deste que estamos acostumados. Um tempo com novas
escalas e medidas. Um tempo que talvez não passe. Pode? Uma
mudança para mudar ou para ficar? Se ficar, não passa. Bons
tempos? Maus tempos? Tudo passa, tudo passará. E só o tempo
dirá.
Independente e alheio a todos nós e a qualquer acontecimento, o
senhor da razão, como sempre, escreverá a história. Nos
restando apenas o papel de figurantes. Um tempo marcado, mas sem
medidas. Um tempo vivido. Um tempo sofrido. Um tempo passado e
um tempo presente. Um tempo que sempre faz do amanhã um
verdadeiro mistério. Como tal inesperado e indecifrável.
Assim, não carece nos adiantarmos. Nossa melhor marca de
velocidade para estes tempos é simplesmente insignificante. Tão
insignificante quanto às medidas do universo.
Ubatuba, 11/09/2001
Ronaldo Dias
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