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O Turismo que temos, e o Turismo que
podemos!
O turismo que temos é esse que vivemos, inerte, e que nos
apresenta igual a cada ano. Recentemente tivemos a convite do Sr
Prefeito a visita do secretário de Turismo de Paraitins (AM).
Em várias palestras, apresentou seu trabalho naquela cidade que
rapidamente transformou-se em um destino turístico
internacional. Ações simples, rápidas e eficientes, baseadas
no PNMT (Plano Nacional de Municipalização do Turismo).
Plano este, que tentamos, sem sucesso, implantar anos atrás.
Ações simples, porém profundas, baseadas na conscientização
de toda a população de quantos benefícios diretos e indiretos
o TURISMO (de verdade e profissional) poderia trazer. Os
problemas, daquela cidade, não eram menores nem mais complexos
dos que os nossos. Quase iguais até nas proporções. Confesso,
além de admirado fiquei com uma inveja danada. Com certeza,
quem assistiu também.
Como, uma cidade sem nenhuma expressão turística, pode tão
rapidamente despontar com tanta pujança? E nós com tantos e
tantos anos de inúmeras tentativas, patinamos tanto, para “andar”
uns poucos metros? Teria sido apenas a implantação do plano,
conforme afirmou categoricamente aquele secretário? Com certeza
que não! O que é um plano sem o profissionalismo necessário
para o executar? Nada!
O presidente da COMTUR foi o cicerone que teve a exaustiva
ação de leva-lo de norte a sul da cidade, e em todos os nossos
“pontos” turísticos. O esperado resultado é que ficou
maravilhado com nossas belezas e nosso potencial. Qual então, a
novidade? Pequenas ou grandes ações, esforços pessoais,
feitos na direção de nosso desenvolvimento tem se mostrado ao
longo dos anos, inócuos. Sofremos com a exaustiva capacidade do
improviso. Com o crescimento desordenado. Com a falta de
planejamento para o futuro. Nos perdemos em inúmeras ações
simplórias, que visam atender favores políticos de resultados
individuais imediatos e perniciosos para a população como um
todo.
Não estamos “construindo” um futuro. Estamos sobrevivendo,
a cada ano, a cada temporada, apenas o presente. O resultado já
se sente. O futuro, mesmo sem prática nos mistérios das
adivinhações, se pode prever. A esperança é que este sinal
de coerência política e administrativa do Sr prefeito,
convidando um secretário de turismo de sucesso comprovado para
nos mostrar o caminho, e o desprendimento de vaidades do
presidente da COMTUR, possam finalmente nos indicar um norte. Um
norte tão esperado e necessário ao nosso futuro como destino
turístico. Um norte que nos tire deste marasmo inconseqüente.
Um norte que nos magnetize em direção ao TURISMO que podemos.
A receita simples e factível foi dada. Não há segredos.
Estamos as vésperas da temporada, infelizmente teremos que em
muitas coisas, ainda improvisar. Espero que nas águas de março
estejamos a caminho e, já no próximo dezembro, possamos olhar
para trás e perceber o quanto estaremos longe de tudo aquilo
que foi passado. Com certeza, senhor prefeito, todos nós, e
aqueles que nos visitam, saberemos valorizar seus esforços para
nos tirar desta encruzilhada de tantos falsos caminhos.
Ubatuba, 29/11/2001
Ronaldo Dias
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