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Papai, me empresta o carro?
Tinha marcado o nosso encontro em um determinado ponto da via
Dutra. O local escolhido era em frente ao posto da polícia
Rodoviária. Foi um erro. Naquele dia e local, do meu lado da
pista, estava acontecendo uma Blits enorme. Policias de todas as
graduações se misturavam as viaturas e demais veículos
estacionados para inspeções.
Devagar fui tratando de estacionar em um canto onde não
atrapalhasse a tal mega operação e também pudesse avistar o
veículo do casal de amigos chegando. O telefone não demorou a
tocar e os amigos iriam se atrasar. Tudo bem. O local não era
apropriado mas pensei em aproveitar o tempo e a oportunidade da
operação para “bisbiliotar” o que acontece em uma operação
deste porte.
Sem atrapalhar, fui me achegando perto dos policias e comecei a
observar. Alguns veículos em bom estado de conservação e com
os integrantes sem aparência de “suspeitos” eram
imediatamente liberados. Os barrados, conduzidos para um
corredor de cones. Primeiro a verificação de documentos e em
seguida dos equipamentos obrigatórios. Os policiais se
dividiram na inspeção de veículos de passeio e motocicletas,
caminhonetes, caminhões de pequeno porte e as grandes carretas.
Os oficiais, ficavam mais isolados e à eles eram encaminhados
os problemas mais complexos encontrados. Pela proximidade, pode
constatar: o motociclista, tinha carta, mas a mesma, não o
habilitava a dirigir motos. A habilitação do motorista da
carreta o credenciava apenas a conduzir veículos até 12 e o
dele tinha 25 toneladas. A Van, com uma excursão à Aparecida
também não pode seguir viagem porque a habilitação do
condutor era amadora. Um menor e outro maior conduziam veículos
sem absolutamente nenhuma habilitação.
Dentre tantas irregularidades que pude constatar, essas é que
me chamaram mais atenção. Coisas relativamente simples,
afinal, todos os motoristas, pelo menos até aquele momento,
vinham conduzindo os tais veículos e ali foram autuados por
irregularidades e impedidos na condução dos veículos.
Conclui, que apesar de “motoristas” até aquele momento ou
“eternamente” se não fossem barrados pela blits,
conduziriam seus veículos à inúmeros destinos embora não
estivessem aptos para tanto. Naquele instante, como
justificativa, lembrei-me de uma frase muito usada pela minha
querida avó: “ Mais vale a prática do que a Gramática”,
mas essa tal “máxima” não convenceria de forma alguma
qualquer um daqueles policiais. Não adiantaria provar, naquele
momento, a capacidade na condução. Cada uma destas situações
é ilegal, e tem lá, para o mal estar e prejuízo dos
motoristas e ou responsáveis, suas severas punições previstas
no Código de Trânsito.
A ação preventiva da blits pode evitar, por exemplo,
acidentes, até com vítimas fatais, provocados por estes
motoristas, digamos assim “práticos”. Pensei em uma situação
envolvendo minha família. Nossa! Porque será que sempre
pensamos no pior? Ufa! Meus amigos chegaram e rapidamente
seguimos viagem. Agora, minha esposa ao volante me permitia
folhear as páginas do Estadão. As “últimas” do caderno de
política, que ultimamente tem dado asco, me levaram a
“sonhar”. Dentre as inúmeras ali relatadas, a do Jader do
BARBALHO tá “de mais”.
Fechei os olhos e imaginei uma “blits” política. Isso! Uma
“blits”. Diferente daquela, mas com o mesmo poder de polícia,
que deveriam ter os ELEITORES. Os pontos escolhidos para as
operações? Prefeituras, Câmaras, Senado, Ministérios e
porque não no Alvorada!!!??? Quantos irresponsáveis, “práticos”
de suas funções, seriam barrados? Impedidos ali ou lá em cada
uma das blits de continuar nos dirigindo perigosamente, por mais
“prática” que pudessem nos convencer em qualquer palanque?
Nos dirigindo com Negligencia, Desídia ou Imperícia? Quais
seriam as penalidades que seriam previstas no Código do
Eleitor?
Já imaginaram, pré–requisitos para exercer cargo público?
Formação escolar específica para cada cargo? Exagero meu? Um
vereador analfabeto pode, politicamente, equivaler-se a um
inapto ao volante de uma carreta! Quantos estragos. Coisa de
louco! Não tivemos presidente collorido que “tirou uma”
pilotando jato? E como ele “dirigia” a nação? Na verdade,
temos entregado o destino do país e das nossas cidades (e com
ele o nosso destino) a “condutores” que se dizem (e nos
convencem) com boa conversa, que são aptos.
E a tal carteirinha de aptidão? Quem conhece? Quem já viu? Na
verdade, por comodidade e até mesmo por falta de opção, temos
ficado inertes no banco de traz e muitos deles dirigindo nossos
destinos perigosamente. As conseqüências? Além das manchetes
dos jornais, é só olhar por aí. Prestem bem atenção em quem
escolhemos para nos dirigir e à quem “eles” tem emprestado
o volante! Enquanto não “criamos problemas”, vão tirando
um “sarro” com os nossos bens!!! E o que é pior, nós,
simples passageiros, continuamos a pagar as contas de uma
viagem, que pelo andar da carruagem, nem ao menos sabemos onde
vamos chegar. Para! Para! Para! Para que eu quero descer.
Ubatuba, 22/07/2001
Ronaldo Dias
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