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Ronaldo Dias

Papai, me empresta o carro?

Tinha marcado o nosso encontro em um determinado ponto da via Dutra. O local escolhido era em frente ao posto da polícia Rodoviária. Foi um erro. Naquele dia e local, do meu lado da pista, estava acontecendo uma Blits enorme. Policias de todas as graduações se misturavam as viaturas e demais veículos estacionados para inspeções.

Devagar fui tratando de estacionar em um canto onde não atrapalhasse a tal mega operação e também pudesse avistar o veículo do casal de amigos chegando. O telefone não demorou a tocar e os amigos iriam se atrasar. Tudo bem. O local não era apropriado mas pensei em aproveitar o tempo e a oportunidade da operação para “bisbiliotar” o que acontece em uma operação deste porte.

Sem atrapalhar, fui me achegando perto dos policias e comecei a observar. Alguns veículos em bom estado de conservação e com os integrantes sem aparência de “suspeitos” eram imediatamente liberados. Os barrados, conduzidos para um corredor de cones. Primeiro a verificação de documentos e em seguida dos equipamentos obrigatórios. Os policiais se dividiram na inspeção de veículos de passeio e motocicletas, caminhonetes, caminhões de pequeno porte e as grandes carretas.

Os oficiais, ficavam mais isolados e à eles eram encaminhados os problemas mais complexos encontrados. Pela proximidade, pode constatar: o motociclista, tinha carta, mas a mesma, não o habilitava a dirigir motos. A habilitação do motorista da carreta o credenciava apenas a conduzir veículos até 12 e o dele tinha 25 toneladas. A Van, com uma excursão à Aparecida também não pode seguir viagem porque a habilitação do condutor era amadora. Um menor e outro maior conduziam veículos sem absolutamente nenhuma habilitação.

Dentre tantas irregularidades que pude constatar, essas é que me chamaram mais atenção. Coisas relativamente simples, afinal, todos os motoristas, pelo menos até aquele momento, vinham conduzindo os tais veículos e ali foram autuados por irregularidades e impedidos na condução dos veículos. Conclui, que apesar de “motoristas” até aquele momento ou “eternamente” se não fossem barrados pela blits, conduziriam seus veículos à inúmeros destinos embora não estivessem aptos para tanto. Naquele instante, como justificativa, lembrei-me de uma frase muito usada pela minha querida avó: “ Mais vale a prática do que a Gramática”, mas essa tal “máxima” não convenceria de forma alguma qualquer um daqueles policiais. Não adiantaria provar, naquele momento, a capacidade na condução. Cada uma destas situações é ilegal, e tem lá, para o mal estar e prejuízo dos motoristas e ou responsáveis, suas severas punições previstas no Código de Trânsito.

A ação preventiva da blits pode evitar, por exemplo, acidentes, até com vítimas fatais, provocados por estes motoristas, digamos assim “práticos”. Pensei em uma situação envolvendo minha família. Nossa! Porque será que sempre pensamos no pior? Ufa! Meus amigos chegaram e rapidamente seguimos viagem. Agora, minha esposa ao volante me permitia folhear as páginas do Estadão. As “últimas” do caderno de política, que ultimamente tem dado asco, me levaram a “sonhar”. Dentre as inúmeras ali relatadas, a do Jader do BARBALHO tá “de mais”.

Fechei os olhos e imaginei uma “blits” política. Isso! Uma “blits”. Diferente daquela, mas com o mesmo poder de polícia, que deveriam ter os ELEITORES. Os pontos escolhidos para as operações? Prefeituras, Câmaras, Senado, Ministérios e porque não no Alvorada!!!??? Quantos irresponsáveis, “práticos” de suas funções, seriam barrados? Impedidos ali ou lá em cada uma das blits de continuar nos dirigindo perigosamente, por mais “prática” que pudessem nos convencer em qualquer palanque? Nos dirigindo com Negligencia, Desídia ou Imperícia? Quais seriam as penalidades que seriam previstas no Código do Eleitor?

Já imaginaram, pré–requisitos para exercer cargo público? Formação escolar específica para cada cargo? Exagero meu? Um vereador analfabeto pode, politicamente, equivaler-se a um inapto ao volante de uma carreta! Quantos estragos. Coisa de louco! Não tivemos presidente collorido que “tirou uma” pilotando jato? E como ele “dirigia” a nação? Na verdade, temos entregado o destino do país e das nossas cidades (e com ele o nosso destino) a “condutores” que se dizem (e nos convencem) com boa conversa, que são aptos.

E a tal carteirinha de aptidão? Quem conhece? Quem já viu? Na verdade, por comodidade e até mesmo por falta de opção, temos ficado inertes no banco de traz e muitos deles dirigindo nossos destinos perigosamente. As conseqüências? Além das manchetes dos jornais, é só olhar por aí. Prestem bem atenção em quem escolhemos para nos dirigir e à quem “eles” tem emprestado o volante! Enquanto não “criamos problemas”, vão tirando um “sarro” com os nossos bens!!! E o que é pior, nós, simples passageiros, continuamos a pagar as contas de uma viagem, que pelo andar da carruagem, nem ao menos sabemos onde vamos chegar. Para! Para! Para! Para que eu quero descer.

Ubatuba, 22/07/2001

Ronaldo Dias

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