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Persistir nos Erros
Criticar é mais fácil. Mas, ao mesmo tempo, a persistência dos erros na condução
de nosso desenvolvimento turístico é passível de critica. Os recursos são
escassos. As verbas conseguidas não são muitas, muito menos substanciais para
permitir a execução de obras (quero crer) carregadas de vaidades pessoais em
detrimento de um planejamento de prioridades que possam sim, trazer benefícios
diretos à crescente demanda de infraestrutura turística, revitalização do
urbanismo municipal e, por conseguinte a criação de postos de trabalho.
Tenho insistido no número crescente de jovens que estão aptos a ingressar no
nosso (quase inexistente) mercado de trabalho. Uma projeção dos índices de
natalidade, e de migração, agravam (e muito) o problema no futuro próximo.
Desemprego e vadiagem “forçada” é sinônimo de crescentes índices de violência
e consumo de drogas. Com certeza esta preocupação não é só minha, mas, de
muitos pais que não sabem que “futuro” poderá oferecer a seus filhos.
O “oferecimento” de “circo”, geralmente com intenção de votos, já não
convence e será em breve, duramente criticados e seus resultados estarão disponíveis
para determinados políticos nas próximas urnas. Outra “persistência
errada” cantada como tábua salvadora do turismo, é a construção do centro
de convenções. É muito fácil saber que, além de não termos essa “vocação”
a geografia, a estrada, os acessos e as características dos meios de hospedagem
inviabilizam, de saída, tal malfadada idéia. Assim, como o elefante branco do
Pereque-Açú (terminal turístico???) e outros elefantes que em breve se tornarão
brancos, vamos persistindo. Errando. Não temos definição do PRINCIPAL e nos
perdemos nos ACESSÓRIOS.
Tenho dúvidas se querem mesmo acertar. Erros de alvos. Alvos tão óbvios. Não
vou cita-los. Estão ai, bem na frente de quem quiser ver. Temos apenas dividido
as fatias do mesmo pão de 20 anos atrás. Não temos feito o pão crescer. Somos
os mesmos e vivemos... Um favorzinho aqui, outra barraquinha, uma licencinha ali,
um carrinho de lanche acolá. Esse tem sido o “PÃO” do “circo”. O que
sobra para os filhos desta terra? Entrar nesta “fila”? Ou um emprego de
balconista na próxima loja de biquínis? Na próxima farmácia? No próximo
restaurante de Kilo ou pizzaria? Na próxima sorveteria? Moto boy?
Muitos dos filhos desta terra se esforçam, trabalham e ainda estudam, com muito
sacrifício, para terem estas perspectivas de futuro. Ficarão decepcionados? Já
estão? Cabe a nós a responsabilidade de pelo menos tentar, com algum critério,
simples que seja, planejar um futuro para essa esperançosa criançada. Vamos
parar de aplicar o método da “tentativa e erro”. Vamos deixar de lado as
vaidades pessoais. Vamos persistir sim, em arquitetar um futuro, em construir um
caminho verdadeiro por um rumo sólido e conseqüente. O futuro, já é amanhã.
O peso na consciência dos irresponsáveis, dos omissos e dos inconseqüentes será
um fardo pesado. Serão sempre lembrados, por todos os filhos, para sempre, pelo
que fizeram, pelo que não fizeram e pelo que deixaram fazer. Quem duvida?
Ubatuba, 21/06/2002
Ronaldo Dias
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