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Quando janeiro vier...
O último feriado, foi só a amostra. Durante todo este ano
que se finda, relatei inúmeras vezes sobre os mesmos assuntos,
até agora não resolvidos, que poderão transformar nossos
sonhos de verão em pesadelos.
O motivo, como sempre, a irresponsabilidade dos ditos
"responsáveis". O trânsito caótico nas estradas,
nos levou às manchetes (negativas) dos principais jornais dos
pólos emissores, ressaltando a demora excessiva para os
turistas chegarem ao Litoral Norte. Na Folha Vale, reportagem
específica sobre o trânsito local das cidades, com
declarações assustadoras (dos responsáveis), completava a
falta de estrutura para receber visitantes.
Realmente, a região não tem como receber mais pessoas do que
cabe, porem, declarações daquele tipo, endossam a falta de
preparo técnico destes ditos "responsáveis". Não
sei quanto as demais cidades, mas aqui em Ubatuba, o trânsito
no centro, estava sob comando exclusivo dos "tomadores de
conta" de carros, e da horda de mendigos e desocupados aqui
despejados, por ( ainda) não sei quem. Para atravessar a Praia
Grande, demorei 2 horas, tempo suficiente para perceber, que
naquele a dia e horário específico, nenhum policial, para
orientar o trânsito, ou para punir o tráfego pelos
acostamentos.
Ali, simplesmente "travou". Lamentável. De Caraguá
à Ubatuba, as faixas de (não) ultrapassagem, duplas, (acredito
para amenizar o risco de transitar pelo trecho, com a pista de
rolamento e acostamento tão precários) isentam de
"responsabilidade" os responsáveis. Quem mandou
ultrapassar?. Assim, como já disse inúmeras vezes, bastou dois
ou três veículos lentos, para transformar o passeio de
qualquer um em martírio. Não temos, por enquanto, como
controlar o número de pessoas que recebemos. Mas se recebemos,
não oferecer um mínimo, é o máximo! As cidades, não tem
verba para investir na infra estrutura.
O Estado tem (do BID) mas dizem (como sempre) que só o ano que
vem. Assim, parece que promovemos uma grande festa, e o Estado,
entra com as centenas de milhares de convidados. As cidades,
não se voltaram para o turismo que gera impostos sobre
serviços, ficaram no veraneio que gera IPTU. IPTU já não
pagam as contas, muito menos os serviços necessários para
tantos "convidados". O pior de tudo isso, é que
queremos porque queremos, principalmente na baixa, exercer nossa
vocação turística.
Com a moldura do ultimo feriado, o quadro é negro.
Principalmente para quem veio, e sofreu. Muitos não voltam. E o
que é pior, exercendo o "boca à boca" saem falando
mal. Quanto custa recuperar uma "imagem"? Quando dá,
muitas e muitas vezes mais do que se gastou para construí-la.
Estamos podendo? E olhem que fiquei restrito apenas ao assunto
"TRÂNSITO".
Assim, caminharemos para o próximo verão. Reclamando que esta
cada vez mais curto e cada vez mais pobre. A baixa temporada,
cada vez mais baixa. Quem já tem muito anos de
"estrada" na região, pode confirmar.
P.S. No meio deste artigo, disse que "por enquanto"
não podemos controlar o número de pessoas que se dirigem às
nossas cidades. Ubatuba tem 80% de seu território declarado
(por este mesmo Estado) como "área de preservação
permanente" não pode, não consegue e não deve receber
mais gente do que cabe. Este tal estado é mesmo um PERALTA.
Assim, já há algum tempo, comecei a pensar, e muito, sobre um
assunto, que merecerá um artigo específico. Para que o leitor
possa me ajudar, tem a ver com a tão exercida, divulgada e
aplicada, (pelo nosso sócio, Estado) que são as
PRIVATIZAÇÕES das estradas. Aí, sabe, uma coisa leva à
outra. Que tal?
Ubatuba, 19/10/2000
Ronaldo Dias
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