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Quem conhece Circo?
Quem conhece circo? Como meu pai trabalhou em circo muito tempo,
era trapezista, acabei passando boa parte de minha infância
naquele mundo maravilhoso e fantástico que foi o circo daquela
época. Pude conviver com artistas, malabaristas, mágicos,
animais, e palhaços. Boas e saudosas lembranças.
O circo faz bem as crianças. O tempo passou e o circo se foi.
Não sei se foi a experiência vivida, mais guardei no sub
consciente as características de cada personagem. Nos últimos
tempos, agora na TV, principalmente nos noticiários, posso
comparar com aqueles, os artistas que nos governam. Dos
escândalos financeiros dos órgãos de fomento PANPARA, SUDAM E
SUDENE, painel eletrônico, reeleição, Lalaus etc, vou pular
todo o resto por absoluta falta de espaço para o infindável
elenco das falcatruas e chegamos aos dois últimos apagões.
O da CPI da corrupção (promovido pela situação) e o do
racionamento de energia. O menino da camisa bonita e todo seu
staf, devem ter feito seus cursos de graduação, e doutorado na
ala dos palhaços. Muito divertido mesmo esse aprendizado, se
não nos custasse tão caro. Toda pompa diante das câmaras, com
aquelas fantasias de gente seria, para dizer alto e de bom som
que FORAM PEGOS DE SURPRESA pela falta de energia.
Falta na verdade, combustível para o crescimento do país e
fôlego, para peripécias econômicas do ministro mallandro ou
de chuchu para o presidente do BC. Ministérios servem afinal
para que? As cenas em que TODOS aparecem, são cômicas. Pena
que trágicas. Ao invés daqueles ternos caros, de alguns mil
dólares, deveriam colocar aquele chapeuzinho típico de orelhas
alongadas.
O consumo de energia per capita do Brasil é um dos menores do
mundo, estamos em 82º lugar, abaixo do Cazaquistão. A
geração de nossa energia, tem seu custo de implantação
amortizado, pois inclusive, foi cobrado dos consumidores nas
respectivas contas. Há no Brasil 20 milhões de lares sem
energia, outros milhões, com apenas um bico de luz. Quem não
conhece?
Assim, quem e’ o vilão do consumo energético? Quem é o
responsável? Não demora muito irão crucificar o S.Pedro.
Falta de planejamento, falta de estrutura técnica, ou mesmo de
ouvidos, mesmo com aquelas orelhas grandes, para os políticos
que ocupam cargos técnicos, sem formação alguma para a
função e que não sabe mesmo ate’o que estão fazendo,
sentados naqueles gabinetes luxuosos e custosos para os nossos
bolsos. Apenas contam votos. VERGONHA NACIONAL.
Quando tinha 21 anos fiz a ESG. (ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA) hoje
com 50, e diante deste palco iluminado, posso ver claramente e
entender só agora, a falta de amor a pátria destes seus
vendilhões, nos chamados de outrora, ASSUNTOS DE SEGURANÇA
NACIONAL. Industria de base, telecomunicações, energia,
subsolo, transportes, sistema financeiro são, ou melhor, eram,
senhas secretas para nossa verdadeira liberdade.
Venderam, privatizaram, sem nenhuma surpresa, por uns poucos
dinheiros. Estamos agora reféns da boa vontade dos novos
proprietários das empresas correlatas e do tal FMI. Nossa
verdadeira liberdade foi geneticamente modificada para ser uma
liberdade aparente, vigiada, controlada e subvertida. A
subverniencia em que nos meteram, mostram claramente a falsa
democracia que nos oferecem e praticam. Neste circo, onde somos
as bananas e eles os macacos, continuamos pagando regiamente
todos os ingressos para a terra prometida, vulgo conto do
vigário do mundo globalizado.
O pior, que pelo menos no palco, os palhaços acreditam que o
que fazem, quando fazem, é sério. O que esperar do futuro
deste circo se o gerente acredita nos puxadores de aplausos da
primeira fila, e finge não ouvir as vaias da galera na geral.
Muito menos, o tal gerente, quando os panos e as lonas,
embebidos nos desmandos da corrupção, nos conchavos suicidas e
nas fraudes de toda ordem pegarem fogo, pode dizer ter sido pego
de surpresa. E quando souber então, do caos da Saúde, da
Segurança, da Educação, do desemprego, da falência do
Estado? NOVAS SURPRESAS? UM VERDADEIRO ESPETACULO.
Para nós, diante de tantas peripécias circenses destes
alegres, surpresos e desinformados personagens, resta mesmo
apenas RIR. RIR, para não chorar da imensa alegria destes
palhaços, que como os outros, se alegram em ver o circo pegar
fogo. Enquanto este grande incêndio acontece, pelo menos no
APAGÃO, não vai faltar luz. Não será nenhuma surpresa, se o
povo cansado de escuros e de palhaçadas, resolver dar à estes
alegres personagens um destino ecologicamente correto.
Combustível. O que mais se pode esperar diante deste cenário,
quando faltar PÃO ao povo, e o CIRCO ter pegado fogo?
Ubatuba, 17/05/2001
Ronaldo Dias
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