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São outros carnavais
CANCUN, a fórmula turística que continua dando certo!
Continua, possivelmente, o maior fenômeno turístico das
últimas duas décadas. Reforçaram os investimentos na área de
infra–estrutura receptiva, novos hotéis, equipamentos de
lazer e templos de consumo (leia-se grandes shoppings). Ao
contrário de investir no marketing do destino, trabalha agora
com o que batizou de marketing de experiência, tudo, COM BASE
EM CONCEITOS, grifo ( EXAGERADO) meu.
Em seus 22Km de orla marítima (da Itamambuca ao Camburi?) 40
hotéis, com 25.000 apartamentos (50.000 pessoas. SÓ!) e nada
menos do que 195 vôos diários. Nem por isso (40 grandes
hotéis) deixa de receber 2,8 milhões de visitantes ao ano!
Para cada um, um espaço próprio (novo grifo). Cancun Místico,
destaca sua história pré–colombiana e a cultura Maia; Cancun
Romance, com base na idéia de que o lugar é ideal para casais
em lua de mel; Cancun de Eco–Aventura, para jovens e grupos de
incentivos, e o Cancun Explorer, que explora novos sítios
arqueológicos e a face mais cultural do lugar.
A força turística de Cancun, está na combinação de alguns
fatores. A infraestrutura ideal de hospedagem e consumo junta-se
a um artesanato de grande originalidade, ao folclore mexicano
herdado das culturas Maias e espanholas, bandas populares,
mariachis, balés folclóricos, tudo reunido em datas
comemorativas, e exploradas turisticamente, dentro do
calendário anual de eventos. Na verdade, para quem conhece,
são 3 “Cancuns”. Uma, a Cancun urbana, uma pequena cidade (
tipo S. J. dos Campos) com centros de compras, hospedagens e
diversões mais populares. Cancun da Via Hoteleira (e Cozumel) e
a Cancun histórica.
Toda esta introdução foi para comentar, a notícia divulgada e
alardeada do CARNAVAL de 12 dias! “ No PARAÍSO!”, como o
objetivo de atração turística! Mais uma, daquelas, para o
nosso paraíso suportar! Sabe, adoro o Carnaval. Acho
Maravilhoso! Nunca, apesar dos insistentes convites da falecida
amiga D. Nena da Mangueira, “saí” na AVENIDA. Não tenho o
samba no pé! Simples não? Aprendi, com um crioulo doido, que
Carnaval e samba é só pra quem sabe, não para quem quer. Vide
Rio de Janeiro.
Imaginem então, fazer do Carnaval, um evento, uma atração
turística!!! AQUI!!! Com minhas desculpas às boas intenções,
BASEADAS EM QUAIS CONCEITOS?; o passado recente tem mostrado
claramente, que eventos sonoros de milhares de WATTS, não são
adequados as expectativas dos poucos turistas que ainda nos
restaram. Prestam-se apenas, para tumultuar, ainda mais, a
desorganização em que a cidade ainda se encontra.
Quantidade de pessoas em busca de diversão (GRÁTIS) não quer
dizer qualidade, e enquanto não aprendermos ou mesmo admitirmos
que fazer “ FILANTROPIA” para baderneiros e seus “satélites”,
não atraem, e sim espantam (e espancam) os turistas (e seus
filhos) vamos continuar com esse quadro, tão difícil de
compreender e aceitar, para uma cidade como a nossa. Não vou
descrever o “Quadro” porque meu teclado está desgastado das
palavras que o compõem. Mas o quadro, está aí!!! Bem na
frente de quem estiver pelo menos de OLHOS ABERTOS! Não vou
também dizer para onde nos levarão esses “VELHOS CAMINHOS”.
A criatividade, o conhecimento técnico, o profissionalismo e a
responsabilidade devem nortear as ações para determinar o
nosso NORTE ECONÔMICO. Está mais do que na hora de abandonar o
barco das tentativas e erros.
Chega! Vamos colocar uma pedra no passado. Chega de BUMBO, CHEGA
de música chilena dia e noite! Chega de quermesses! Chega de
barraquinhas das corocas! Chega de lonas plásticas coloridas.
Crescemos! Somos uma cidade. Fazemos parte da história do
país. Temos Anchieta; temos artesanato e folclore; temos a Mata
Atlântica, temos o mar, belíssimas enseadas, 74 praias,
parques, rios, mangues, cachoeiras e a brava gente Caiçara!
Temos passado mas não somos o passado. Há muito, deixamos de
ser uma vila. Não somos mais um quintal de depósito das
tranqueiras do Vale! Acordem!
Não é absolutamente nada disso que o prefeito esta querendo!
Não foi esse rumo que ele traçou na reunião da Praia
Vermelha. Muito pelo contrário. Conheço o Paulinho. Com
certeza, o mentor (e seus seguidores) desses velhos e surrados
caminhos, de outros carnavais, estão precisando de bússolas.
Quem sabe, voltem ao rumo traçado. Ao insistir nesta trilha,
já, já irão, como sempre, se perder. Vão, na linguagem
carnavalesca, “ atravessar” o samba! Sem preparo; sem
conhecimento técnico; sem profissionalismo e sem criatividade,
o pessoal da batucada desafinada, irá ser convidado à dançar,
muito em breve, uma valsa. Aquela... da despedida. Quem duvida?
Alguns dados desta matéria, referentes a Cancun, foram
extraídos de uma revista turística. Todo o resto, é puro
fruto da minha (e de tantos outros) indignação. Ubatuba SIM !
Ubatuba, 01/02/2001
Ronaldo Dias
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