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Terra e Mar
Diferente do Estado de São Paulo (e olhem que o governador é da região), o Rio
de Janeiro continua a passos largos no desenvolvimento do Turismo. Logo na
divisa, a nossa vizinha Paraty, abandonada por muitos anos, começa a apresentar
fortes sinais de revitalização. Pode-se claramente perceber que o crescimento
dos meios de hospedagem e demais serviços e infraestrutura ligadas ao turismo se
justificam pelas melhoras substancias nas taxas de ocupação.
São levas e levas de turistas espalhados pelo centro histórico. No mar, ah. No
mar... De Paraty até o Porto Real Resort, são mais 180 quilômetros por uma
estrada totalmente recuperada de qualidade irrepreensível. O resultado, muito em
breve, com certeza no próximo verão será a expansão do bom turismo já
praticado na região.
Pode-se constatar, inúmeras marinas, hotéis e Resorts de alta qualidade, tanto
nas instalações quando nos serviços. A opção, tanto na orla quanto nas
ilhas, pelo turismo e pela ocupação náutica é latente. Apenas uma, das
centenas de marinas, pode abrigar todas as nossas embarcações do Saco da
Ribeira. Inacreditável! O número de empregos criados e a utilização de mão
de obra qualificada são invejáveis.
Algum prejuízo à paisagem? Sim! Ao meio ambiente? Também! Mas nada que não
possa e vem sendo corrigido. A separação física entre as áreas destinadas a
receber o turismo e a população fixa é a ocupação da orla pelos primeiros e
os morros (desordenadamente) pela segunda. Falta de espaço físico ou quem sabe
de um planejamento adequado? Esta é a maior, a mais gritante e irreparável
cicatriz na paisagem.
O que mais impressiona, para quem esta acostumada às inúmeras restrições
ambientais de ocupação da orla, são as grandes obras náuticas (devidamente
planejadas e dimensionadas) sem perda da qualidade das águas, da paisagem e do
meio ambiente. Uma verdadeira utilização e ocupação racional do homem. Nada
mais natural.
A conclusão é que enquanto optamos pelos “predinhos” malajambrados, e pelas
altas doses de restrições ambientais eles optaram pelos empreendimentos
náuticos com restrições ambientais negociadas caso a caso. O resultado está
lá para quem quiser ver. O que é irreversível é que este progresso turístico
vem veloz por uma estrada recuperada, bem sinalizada e segura em direção a
nossa divisa. Pasmem, com passarelas para pedestres e tudo o mais.
O progresso é inevitável. O crescimento populacional muito mais que o
progresso. Ainda temos uma vocação. Temos vizinhos (do PT) que “acertaram”
e para acertar cometeram erros. Não é difícil copiar acertos evitando os
erros. Temos muitas semelhanças. Boas e más. A ocupação do pé da serra já
é forte sinal de “Angranização” dos morros’. A nossa melhor saída?
Várias entradas pelo mar. Antes que sejamos atropelados, repito, é fundamental
planejar. Terra e mar.
Ubatuba, 25/04/2002
Ronaldo Dias
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