|
Os Últimos Capítulos
Censura. Palavra feia. Convivemos com ela muitos anos. De
repente, travestida de mau humor de um juiz, aparece novamente.
O alvo, a participação de menores, na já famosa novela das 8.
As novelas, nada mais, retratam uma possível história. As
locações e as gravações, são feitas em sets. A montagem,
vem depois. Não necessariamente, uma cena, foi feita como
realmente aparece. Técnicas e efeitos especiais.
A exclusão por determinação judicial de menores desta
atividade, não é uma cesura, é uma grande bobagem. Fiquei
pasmo, da total falta de visão do tal juiz, das realidade da
sociedade brasileira, em particular, dos menores. Na verdade,
fiquei até com medo! Quantos, teriam a mesma “visão”? Se a
intenção dele, juiz, era moralizar, deve viver em outro
planeta! Um verdadeiro ET, que de sopetão, canetou a
determinação! Talvez também, não saia de seu gabinete. More
lá. Viva lá. Nunca tenha visto absolutamente nenhum programa
de televisão! Ou nem mesmo um desenho animado, desses modernos.
Nunca! Não tem filhos. Não anda nas ruas, não para nas
esquinas, não conhece cruzamentos. Ou ainda, é cego! Pode ser.
Crianças. Pobres crianças.
O que teria então sensibilizado o Magistrado, lá , bem fundo
do seu Ego? Será que foi um “clik” onde pode pesar o poder
de manobra da televisão? Essa telinha que invade bilhões de
lares, levando o que quer, quando quer, a hora que quer e como
quer? Ah! Se fossem essas razões! Será que ele pensou o quanto
a TV poderia sim, e também, contribuir na educação? Mesmo nas
novelas? Quantos e quantos recados de ordem, de disciplina, de
comportamento? Para não falar em pedagogia e educacional.
Quantas dessas ações, poderiam ser implementadas, mesmo em uma
novela, das 8, que resultariam na elevação sócio –cultural
de nossa gente? Ou será, que ele se revoltou, quando percebeu
(só agora) a idiotização promovida por determinados
programas? Se revoltou, pois percebeu, o aculturamento dirigido?
O jogo legalizado do $ilvio? Santo! Com o enriquecimento dele,
em detrimento do magro salário mínimo de muitos, que atolam os
guichês dos correios? Quem sabe então com a “banheira? Com
as noticias do jornal Nacional? Com o programa do Ratinho? Ou
será, que ele, vaidoso, também quis ser notícia? Aparecer na
telinha. Isso. Logo, no plin, plin?
Sr juiz, pare. Agora! O Sr não deve ser ingênuo. Não sabe o
que uma Globo é capaz? É fácil, é só olhar, ou ouvir. Se
ela elege presidente, e destitui, imagine se seu cargo fosse
eletivo? Realmente, a televisão (todas as redes) que são
concessionárias de um serviço público, e não pagam nada por
isso, diga-se de passagem, deveriam prestar uma contrapartida da
concessão. Deveriam ter (também) programas e por que não
novelas, tão ao gosto do povo, com direcionamento educativo.
Contribuir, na formação de nossos filhos. Lições de
caráter, de vida. Lições que muitas das nossas crianças e
muitos adultos, não tem, nunca tiveram e nunca vão ter.
As vezes, me pego pensando, quanta liberdade nesta tal dita,
democracia. É democracia mesmo? Será, que esse excesso, de
democracia ou de liberdade, não estaria nos fazendo mal? Será,
que esse tudo pode, não é a causa, do que assistimos todos os
santos dias, nessas tais TVs? Será, que não aprendemos que
liberdade só se consegue manter com responsabilidade?
É, a tal da responsabilidade. Quantos tem? Com o andar da
carruagem, onde, e quando, o policial sai de casa, a paisana,
com a farda embrulhada, debaixo do braço, para se trocar no WC
da padaria, para “pegar” no serviço, com medo, (e com
razão) de bandido, muitas e muitas vezes, menores. Sim menores,
fazendo tiro ao alvo em polícia, aí, Sr juiz, criança na
novela, é o de menos!
Se, a “coisa” continuar assim, onde é que vamos chegar? No
caos social? Quem é que teremos que chamar, DATA VÊNIA,
LIMINARMENTE, que tenha a tal responsabilidade, para colocar “ordem
na casa”? As crianças que estão “brincando” de porta –
aviões?
Censure a resposta, se ela for mais violenta do que esta aí,
todos os dias, a toda hora nas TVs! Ligue e veja. A novela dos
nossos filhos. A novela das nossas famílias
A novela das nossas vidas. Como serão os capítulos finais?
Ubatuba, 21/11/2000
Ronaldo Dias
|