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A Verticalização
Este assunto é de suma importância para Ubatuba.
Mas não isoladamente, como tem sido tratado, na maioria das
vezes. Muito menos, fugindo da realidade que se encontra a
ocupação desordenada dos espaços. A falta da aplicação de
um plano diretor somado aos interesses da especulação
imobiliária e as invasões de áreas protegidas para
preservação, parques e mananciais, impede qualquer atitude
coerente e efetiva.
Outro fator que devemos levar em consideração é o crescimento
populacional. O nosso, não tem características vegetativas
(apenas natalidade). Sofremos um forte e contínuo processo de
imigração que potencia o nosso índice de crescimento
populacional a níveis insustentáveis.
A discussão então não é apenas de se “verticalizar” ou
não. É sim, o que fazer com esse crescimento insustentável?
Insustentável, porque não há geração de renda proporcional
permanente. A especulação imobiliária, tem até agora, se
mostrado predatório, tanto dos espaços (nobres) mal ocupados,
como da renda gerada (apenas durante as obras). A falta deste
equilíbrio, tem provocado deficiências primárias nos
serviços públicos de saúde, educação, segurança, limpeza,
coleta de lixo, saneamento, para não falar do estado
lastimável das vias e espaços públicos etc.
Não crescemos. Inchamos. A administração pública, administra
o caos. Sem ordenamento, perdemos até mesmo uma “linha” de
arquitetura que pudesse contribuir à urbanidade, substituída
por construções de gosto bastante duvidoso. Do tipo, “deixa
que eu mesmo faço”. Ou ainda os famosos e proliferados “puxadinhos”.
Uma verdadeira afronta aos olhos de quem, (turisticamente) nos
visita.
Verticalizar, ou não, é muito simplista. Como então
dimensionar a nossa capacidade de crescimento populacional? Como
gerar renda para esse crescimento? Vamos continuar privilegiando
o veraneio? Vamos exterminar as áreas disponíveis com mais
prédios? Qual a diferença se de 3,4,7,10,20 ou 30 andares?
Continuarão a serem divididos em 1 ou 2 mínimos dormitórios?
Para “vender” mais? Mais rápido? Com maior retorno?
A Importância da verticalização está pré-condicionada, a
que tipo de ocupação dos espaços disponíveis, podemos ou
devemos ter. Sem essas definições, estaremos entregando o
restante do espaço disponível, que já é pouco, para mais um
período de crescimento da construção civil, nos moldes do que
podemos , ao vivo e a cores, assistir no que foi transformada a
EX-linda e Ex-maravilhosa Praia Grande. Um verdadeiro crime.
O que mais me incomoda, é que todos os co autores desse “crime”,
são reincidentes. Quem sabe um dia, consiga propor a
composição de uma galeria fotográfica, com as respectivas
biografias, em local público, bem visível, para que a
população não os esqueça. Jamais!
Verticalizar? Da maneira como está, tanto faz.
Ubatuba, 16/12/2000
Ronaldo Dias
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