Em tempos que já vão longe, quando Ubatuba era uma aldeola de pescadores. Maria Rosa e João Timóteo, casadinhos de novo, chegaram à praia de Iperoig.
Construíram o rancho, onde ao marulho das ondas se amavam intensamente, e labutavam como pescadores. Diariamente, João Timóteo se lançava ao mar em busca dos peixes mais valiosos. Maria Rosa ansiosa o esperava todas as tardinhas à beira da fogueira, onde os preparava e toda a aldeia se deliciava: sua culinária era incomparável. E as noites eram de um feliz e ardoroso idílio ao nascer da lua cheia.
Certa tarde, o tempo mudou assustadoramente, com relâmpagos, trovões e mar encapelado. Maria Rosa, como de costume esperou, esperou... mas João Timóteo não voltou, jamais voltou. E ela se pôs à correr pela praia gritando: João! João! Vem pra casa!
Maria Rosa todas as noites corria pela praia chamando o bem-amado, aguardando peixes, camarões e mariscos trazidos pêlos pescadores.
De madrugada viam-na correr para o seu casebre, onde se refugiava o dia inteiro preparando suas loucas comidas. Ao nascer da lua cheia, um prato especialmente preparado com amor e paixão era levado ao mar, à procura de João Timóteo. O rancho passou a chamar-se Refúgio da Louca. Aqui ela viveu, alimentando-se de peixes, mariscos, o corpo seminu coberto de farrapos.
Uma madrugada linda, o céu coalhado de estrelas, o mar manso como um cordeiro, os pescadores não viram Maria Rosa correndo e gritando na praia: Sua alma voava ao encontro de João Timóteo.
Ubatuba cresceu, urbanizou-se, mas um mundo de mistérios e misticismo envolve suas lindas praias. E no Iperoig, quando a lua cheia passeia no horizonte, espalhando luz sobre o mar sereno, um vulto de mulher corre pela praia deserta.
Cesar Gallico
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