Origem do Nome Ubatuba
Ubatuba: ubá em nheengatu é canoa, uubá é nome de gramínea ou
cana-brava de que se fazem flechas, uuba-tyba significa grande quantidade dessas gramíneas. Segundo
Roquette Pinto e vários tupinólogos, uúba, uyba, ubá (nheengatu), uy, uí (guarani),
significam flecha, seta; é o nome de uma gramínea, espécie de cana-brava, cana-do-rio, cana-do-reino,
canavieira dos brejos, também chamada candiubá ou tabaco (gramíneas de grande porte); cana
herbácea amarela, sem gomos, que serve para o fabrico de flechas, peneiras, balaios, gaiolas, etc. Para
Teodoso Sampaio, o topônimo pode ser interpretado como "sítio das canoas ou das canas". Tyba,
tuba: sufixo indicador de abundância; lugar onde há muito; sítio onde crescem plantas da mesma espécie
ou onde demoram aves e animais, pouso, existência, abundância. Com algumas exeções, tyba predomina
no norte, e tuba no sul.
Fundação de Ubatuba
A fundação da Vila da Exaltação da Santa Cruz de Ubatuba ocorreu em 28 de outubro de
1637. A história local, porém, já foi pesquisada até o início da era cristã, quando aqui viviam
populações seminômades que viviam basicamente da coleta de mariscos e da caça. Arqueólogos já estudaram
os sítios do Tenório e Mar Virado, onde encontraram esqueletos, pontas de flechas e outros utensílios destes
precursores dos índios.
Na época do descobrimento Ubatuba era conhecida pelos tupinambás como Iperoig. Aqui
travou-se uma batalha diplomática fundamental para decidir o futuro do Brasil. Tupinambás, franceses e
portugueses disputavam o trecho da costa brasileira.
Os franceses partiram do porto de Havre com destino ao Brasil comandados por Villegaignon,
apoiado pelo rei da França, Henrique II. Em novembro de 1555 entraram na baía de Guanabara com o intuito de
ali instalar uma colonia francesa, a França Antártica. Para tanto, precisavam enfrentar o poderio militar
português, nada desprezível na época, e a capacidade intelectual dos jesuítas.
Os índios demonstravam simpatia pelos franceses, hostilizando os portugueses que procuravam
reforçar seu domínio pela costa brasileira. Valeram-se os franceses da raiva do chefe tupinambá Aimberê.
Prisioneiro dos portugueses, havia sido condenado à morte, mas escapou, tornando-se um dos maiores inimigos da
coroa de Portugal.
Sob o domínio de outro chefe famoso, Cunhambebe, os tupinanambás formaram uma aliança das
tribos da costa entre Bertioga e Cabo Frio, incluindo também alguns grupos do Vale do Paraíba,
Guaratinguaçu, Pindubuçu, Aimberê, Paranabuçu e outros lideres regionais.
A Paz de Iperoig
Para enfrentar o poder representado pelos habitantes originais da terra, os portugueses
convocaram uma dupla de negociadores - os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta - que substituiram
os canhões e as caravelas. Sua missão de paz foi difícil e lenta. Conseguiram a vitória depois de muito
tempo de negociação, o que significou para as tribos orgulhosas, a aniquilação paulatina.
Segundo a versão romanceada de Washington de Oliveira ("Seo" Filhinho),
historiador local, "Quando os vindantes terminava a última etapa, ao se aproximarem da praia onde os
índios, agrupados, os aguardavam em visível inquietação, viram-se de súbito cercados por grande número de
canoas transportando índiosem atitudes hostis, como a impedir-lhes a aproximação e desembarque nas areias da
praia de Iperoig.
Mas uma grande surpresa lhes estava reservada: os silvícolas ferozes, os tamoios que aqui
habitavam receberam-os pasmados, atônitos com tanta audácia, subjugados pela venerável presença de Anchieta
que, de pé na proa da embarcação lhes dirigia palavras ternas e pacificadoras, proferidas em idioma tupi,
aureolando-se de confiança e simpatia aquele que mais tarde seria considerado o Dramaturgo do Brasil."
Cunhambebe
Cunhambebe, alto, forte, hercúleo, destemido e feroz, era o chefe supremo das tribos
tupinambás, agora confederadas na grande nação guerreira Tamoia, para vingança contra os portugueses.
Levando-os à sua aldeia, Cunhambebe ordenou a mais ampla proteção aos missionários, inclusive mandando que
se recontruísse, ampliando, a pequenina Igreja, para que ali celebrassem com mais desafogo os ofícios
divinos. A data de 14 de setembro de 1563 foi escolhida para a assinatura do Tratado da Paz de Iperoig, firmado
entre portugueses e índios.
Anchieta e os indígenas
Os jesuítas Nóbrega e Anchieta conseguiram a paz com os tupinambás. Os portugueses
consolidaram seu domínio, expulsando franceses do Rio de Janeiro e fundando a cidade maravilhosa em 1567.
Anchieta, o apóstolo do Brasil, autor do famoso Poema à Virgem, escrito nas areias da praia do Cruzeiro, em
Ubatuba, aprendeu a gostar de tanajura, tamanduá e lagarta. Prova da capacidade de adaptação dos religiosos
da época, verdadeiros embaixadores da cultura ocidental cristã, que triunfou em grande parte do mundo.
Anchieta acabou apreciando petiscos estranhos à sua formação européia. Cita "bichos
roliços e compridos, todos brancos, da grossura de um dedo", chamado pelos índios de rahu,
aparecem nas taquaras. Segundo o missionário, "Fazem com eles um guisado, que em nada difere da carne de
porco estufada". Anchieta só resistia às tentações da outra carne, desprezando as índias belíssimas
que o convidavam para os prazeres do sexo.
Pacificado os índios, ou seja, expusos aos poucos, vieram os colonos. Jordão Homem da
Costa, fundador de Ubatuba, era um nobre portugues dos Açores. Chegou aqui no princípio do século XVII,
iniciando em 28 de outubro de 1637 o povoado de Ubatuba. Seguiram seus passos na colonização desta parte do
litoral nomes como Gonçalo Correa de Sá, Salvador Correa de Sá, Arthur de Sá, Belchior Cerqueira, Miguel
Pires de Isasa, Antonio de Lucena, Inocêncio de Unhate e Miguel Gonçalves. Os colonos ganhavam sesmarias, com
o compromisso de provar a terra e defendê-la. Alguns remanescentes tupinambás refugiaram-se na Mata
Atlântica da Serra do Mar, onde viveram livres, pobres e sempre perseguidos.